O mundo é uma fantasia, o “Quarto” é a realidade.

Título original: Room (2015)
Realizador: Lenny Abrahamson
Actores: Brie Larson, Jacob Tremblay, Joan Allen

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É isso que “Ma” ensina ao filho Jack para o proteger da horrível realidade. Para esta criança, nascida do abuso do captor da sua mãe, as apertadas paredes são infinitas. A alegria vem das mais pequenas coisas. É assim que somos recebidos nesta história arrebatadora. Pelos olhos inocentes desta criança.

O realizador irlandês Lenny Abrahamson que tem como cartão de visita o bizarro/óptimo “Frank”, dá aqui um salto e faz um senhor filme. Onde tudo parece acontecer no momento certo. Com um peso dramático muito equilibrado, que faz com que não se torne num filme de domingo à tarde.

As escolhas de planos, cadência da história, quase sempre na perspectiva dos olhos do pequeno Jack, são tão perfeitos que nos envolvem na realidade alternativa e nos protegem também do que podia ser uma experiência brutalmente dolorosa. Uma vénia neste aspecto para o director de fotografia Danny Cohen (The King Speech, Les Misérables, The Danish Girl) que faz aqui um trabalho de mestre.

A pouco e pouco vamos sendo confrontados com a realidade. Com a dor da mãe. Dos pais que perderam a sua filha de 17 anos, 5 anos antes. Com a frieza da curiosidade humana. O mundo que antes era uma fantasia passa a ser uma realidade, com tudo o que isso trás de bom e de mau.

O pequeno Jacob Tremblay, de apenas 8 anos, é gigante e uma autêntica revelação. O argumento, muitas vezes na sua voz, transporta-nos ao longo da história e consegue fazer rir, chorar e simplesmente suster a respiração. Incrível.

E depois há a Brie Larson. A jovem atriz, que tem basicamente feito apenas televisão e pequenos papéis secundários em filmes mais leves, só não me surpreendeu porque a vi no desconhecido “Short Term 12″, que apanhei por acaso no Netflix, onde tem o papel principal e brilha a grande altura. Aqui é simplesmente fantástica. A subtileza da sua personagem e a dor interna que tenta esconder do seu filho, é arrebatadora. Absolutamente fantástica. Ainda não consegui ver todas as performances nomeadas para atriz principal, mas porra, o Óscar deverá estar daqui a duas semanas na mão desta miúda. Ficarei muito surpreendido se isso não acontecer.

A Joan Allen está também fantástica. Mas isso já não deve ser segredo para ninguém.

Assim acabo a ronda de principais filmes candidatos a Óscar de Melhor Filme, dizendo apenas: que ano do catano.

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