O meu livro dava um filme

 

Uma crónica de livros que inspiram filmes… uma crónica de livros esquecidos na prateleira, mas que ainda não foram descobertos e engrandecidos pelo grande ecrã.

Estas crónicas serão sempre subjetivas e sujeitas a estas relações únicas criadas com os livros que a cronista lê, com a sua fantasia e com a sua perspetiva dos filmes que assiste.

A cronista é uma apaixonada por livros e uma amante da 7ª arte. Que se revolta, muitas vezes, com os filmes que defraudam os livros onde são inspirados, mas que se deslumbra com a capacidade do realizador ou dos atores acrescentarem muito mais alma às páginas do escritor. São estes desabafos, curiosidades, opiniões e subjetividades o que vão encontrar nestas crónicas do Filmes Em Série.


Num período que se fala tanto do tão adiado óscar de melhor actor a Leonardo DiCaprio, estreio esta crónica com o livro “O Grande Gatsby”. Neste caso o livro não deu um filme, mas sim 5 filmes…
“O Grande Gatsby” (The Great Gatsby) é um romance escrito pelo autor americano F. Scott Fitzgerald e publicado pela primeira vez em 1925.

A sua 1ª edição não foi muito popular, embora tenha sido adaptada para uma peça da Broadway e para um filme de Hollywood (filme mudo em 1926 com Warner Baxter e Louis Wilson).

Durante a Crise de 1929 e a Segunda Guerra Mundial, o livro foi totalmente esquecido. Só em 1945 e 1953 foi reeditado e atingiu o merecido sucesso, sendo agora considerado um verdadeiro clássico literário.

Em 1949, a Paramount Pictures filma com Alan Ladd e Betty Field, mas já o tinha feito em 1926, com Warner Baxter e Louis Wilson nos papéis principais e voltou a fazer em 1974, com Robert Redford e Mia Farrow. Existe, ainda, uma versão para a TV, de 2000, com Toby Stephens e Mira Sorvino e a versão mais recente (2013) com Leonardo DiCaprio e Carey Mulligan.

Começo por achar logo interessante vermos como um mesmo livro pode suscitar adaptações cinematográficas tão distintas.

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Confesso que quando vi esta última adaptação já tinha lido “O Grande Gatsby” há vários anos. Fui assistir ao filme já apreensiva, pois lia muitas críticas depreciativas. No entanto, a minha opinião foi distinta. Todo o ambiente, personagens e glamour que fantasiei ao percorrer a história deste grande clássico correspondeu na perfeição às cenas e interpretações que vi no grande ecrã.

imageDe facto, considerei esta versão cinematográfica de Baz Luhrmann mais interessante que a de 1974 (com Robert Redford) e até mais fiel ao livro. Na verdade, o filme de 1974 não utiliza o narrador como principal personagem e acaba transformando narrativas em diálogos e discussões que não existem no livro.

Esta última adaptação não me decepcionou de todo e até me surpreendeu pela positiva. Os diálogos são autênticos e fieis às palavras escritas por Fitzgerald. A fotografia é de encher o grande ecrã, os figurinos dignos do Óscar de Melhor Guarda-Roupa e até a banda sonora remete-nos para à época retratada, sem se deixar de enquadrar perfeitamente nos dias atuais. “O Grande Gatsby” é um clássico literário que critica a realidade novaiorquina nos anos 20, mas que sem dúvida se perpetuam até aos dias de hoje.

 

Scott Fitzgerald criou uma verdadeira obra de arte na literatura, mas também no cinema. Aqui está um exemplo de um clássico intemporal com várias adaptações ao mundo do cinema, das quais destaco a de 2013, com o nosso novo galardoado Leonardo DiCaprio.

“E invariavelmente nos entristece contemplar com novos olhos qualquer coisa a que já estamos adaptados.”

(FITZGERALD, O Grande Gatsby)

 

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