A culpa não é do Ben Affleck.

Título Original: Batman v Superman: Dawn of Justice (2016)
Realizador: Jack Snyder
Actores: Henry Cavil, Ben Affleck, Amy Adams

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Confesso que tinha um certo sentimento de apreensão à chegada a este filme. As críticas, especialmente nas redes sociais, estavam a ser tão desproporcionalmente negativas que, francamente, a minha “geekiness” estava a ser severamente testada. Mas acabei por ganhar coragem e ir ver o filme. E… as pessoas têm de acalmar. A sério, nem todos os filmes têm de ser os melhores ou os piores de sempre. “Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça” é um bom filme. E, por mais pseudo-sarcásticas que as pessoas tendam a ser, Ben Affleck é um bom Batman. O que não quer dizer que este filme não tenha os seus problemas.

Vamos começar pelo positivo. Os atores, de um modo geral, estão bastante bem. Ben Affleck é uma presença forte e bem calibrada como Batman. Henry Cavill encarna bem a presença quase mística do Super-Homem. Amy Adams é uma excelente Lois Lane. Jessie Eisenberg come cenário às garfadas cheias como Lex Luthor, mas resulta. E Gal Gadot é absolutamente incrível como Wonder Woman – e não só pelas razões que me podiam ter causado problemas por ter ido ver o filme com a minha namorada.

Os pequenos vislumbres dos heróis que vão compor a prometida “Justice League” deixaram-me muito, muito ansioso. Foram um pequeno toque de “universe building” num filme que, de um modo geral, tem antes a energia de uma criança a brincar com as suas action figures e a improvisar a história a cada momento. Esse entusiasmo permeia todo o modo como Zack Snyder ataca este filme e mostra um amor quase adolescente pelo espírito dos comics.

Mas esse, que é um dos pontos mais fortes do filme, acaba por ser também uma das âncoras que o arrasta para baixo. Tal como já tinha acontecido em “Homem de Aço”, o frenesim geek de Snyder por vezes beneficiaria de uma mão mais… adulta. Um exemplo disto é o modo como é utilizada a excelente música de Hans Zimmer e Junkie XL. Nem todos os momentos precisam de um crescendo épico. Por vezes é preciso deixar uma cena respirar – até em silêncio.

E os problemas da música são exacerbados pelo maior problema do filme – a edição. Se em “Homem de Aço” uma história relativamente simples foi contada de uma forma pouco tradicional e, na minha opinião, interessante, aqui tudo descamba um pouco. Entre o instinto para ignorar ordens cronológicas e o sem-número de narrativas e sub-narrativas a acotovelarem-se para ter algum destaque na história, a certa altura estamos a fazer saltos rápidos para momentos e até locais completamente diferentes e já não nos apercebemos onde raio estamos. O facto de cada um destes saltos rápidos ser pontuado com uma salva de música bombástica só nos aumenta o sentimento de desorientação.

O caos narrativo acalma um pouco na segunda metade do filme, para seu muito bom proveito, embora aqui o estilo de “quick cuts” de Snyder faça com que, por vezes, nos seja difícil acompanhar a ação e perceber totalmente quem está a combater com quem e onde.

Mas estes problemas não descarrilam o filme. Guardem lá as forcas, Internet. Este filme não é mau. E tudo o que nele não é bom, tem zero a ver com Ben Affleck. Deixem o homem em paz e aprendam a disfrutar do manancial de entretenimento que nos tem sido presenteado nos últimos anos sem se tornarem nos hipsters insuportáveis que têm vindo a envenenar a comunidade geek. Com todas as suas rugas, este filme foi feito com o carinho de um jovem fã com grandes sonhos e ideias ambiciosas. A intenção conta muito.

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