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Desculpem-me a tentativa barata de captação de views com um título on trend. Mas o facto é que Ragnar Lothbrok, lendário Rei Viking do séc. IX, comandava um clã de progressistas sociais. E essa nem é a parte mais interessante da série baseada em factos reais do Canal História – Vikings.
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Estão de parabéns os executivos do Canal História por terem percebido o enorme potencial de entretenimento que os seus conteúdos têm para oferecer. O fenómeno de popularidade de narrativas em ambientes medievais criou uma oportunidade para o edu-tainment que foi muito bem aproveitada por Vikings, a série que acompanha o progresso de um clã de invasores nórdicos, durante as suas primeiras incursões na Grã-Bretanha e Europa Continental.

A personagem principal é Ragnar, um simples agricultor cujas façanhas militares o tornaram num rei guerreiro. Um rei que leva a coragem aos limites da loucura, cuja expressão é fenomenalmente encorporada por Travis Fimmel, um actor australiano até então “fora do radar”. É ele que comanda o primeiro raide de guerreiros escandinavos que chegam a Wessex, território cristão governado pelo engenhoso Rei Ecbert.

Mas desenganem-se aqueles que pensam que apenas vão ver sangue e homens de tranças a beber por caveiras. Vikings está bem escrito o suficiente para que a acção musculada seja unicamente o veículo, a partir do qual vamos observando alterações profundas no comportamento social da cultura Viking, no confronto com os ideais cristãos recentemente descobertos.

A série cativou-me logo nos opening credits. A música transporta-nos imediatamente para uma terra de pouco sol, e os vários realizadores que assinam as 4 temporadas (até agora) de Vikings garantem que o espectador sente bem o frio daquelas paragens. Filmada na Irlanda e no Canadá, as locations escolhidas para a série permitem gerar identificação com a vontade de encontrar mundos melhores. E por isso o espectador embarca com facilidade naqueles navios dignos de mitologia pagã, torcendo por um grupo de homens e mulheres que querem invernos menos longos e terras mais aráveis.

A produção de Vikings foi crescendo de temporada para temporada, energizada pelas audiências muito favoráveis para um programa do Canal História. O que permitiu adicionar a uma fotografia exemplar mais um bom punhado de cenários épicos. E deu tempo aos actores para encontrarem as suas personagens (se bem que Travis Fimmel e George Blagden deixam todos os outros uns passos atrás). Mais um exemplo de como o formato série permite fazer não só uma narrativa respirar, como também dá aos estúdios e à produção a possibilidade de calibrarem os seus recursos.

Ao longo de toda a história não deixamos para trás detalhes de grande progressividade no que toca à igualdade de géneros, com as mulheres a terem o direito legal de se divorciarem dos maridos, ou a capacidade de poderem fazer guerra e reclamar os devidos despojos em proporção igual aos homens. Em muitos aspectos estão presentes as bases daquela que é hoje uma das regiões socialmente mais evoluídas do mundo – Escandinávia, a terra dos vikings.

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