Terrace House


Uma das vantagens da, por vezes paralisante, deambulação pelo catálogo do Netflix são as pérolas que se descobrem quando se ganha coragem de arriscar em algum conteúdo de que nunca tínhamos ouvido sequer falar. Foi o caso de Terrace House, o reality show japonês produzido pelo próprio serviço de streaming para o mercado nipónico e que felizmente saltou a fronteira para o resto do mundo.

Se o conceito base soa familiar a qualquer Big Brother da vida – seis jovens, três raparigas e outros tantos rapazes, na casa dos vinte-e-poucos anos (é natural que vos ecoe um I’ll Be There for You na cabeça por esta altura) dividem um apartamento e convivem diariamente – as semelhanças ficam por aqui.


Por não haver prémios, eliminações nem provas degradantes ou simplesmente por se tratar de gente japonesa e portanto mais civilizada que o resto do globo, não há a peixarada e gritaria que os reality shows nos habituaram por estas bandas. Os jovens têm (ou procuram) empregos e podem sair da casa quando quiserem – tanto a curto prazo para fazer programas pela cidade ou quando decidem que a sua aventura no programa chegou ao fim.

O resultado destes ingredientes é um olhar muito interessante sobre a realidade japonesa (as constantes idas a restaurantes e locais de atracção mostram uma cidade de Tokyo que raramente vemos na televisão) e, claro, das relações que se vão formando e construindo entre eles, quer amorosas quer de amizade.


E é disso que vive o programa e a sua narrativa, naturalmente. Também estas relações são-nos ao mesmo tempo familiares e curiosas, pelas diferenças culturais que temos com aquele distante povo – as abordagens de pretendentes amorosos são particularmente interessantes. Rapidamente desenvolvemos também nós preferências por elementos e ligações bem como desilusão com alguns momentos e atitudes.

Além de seguirmos o dia-a-dia dos seis jovens, somos várias vezes brindados com um painel de comentadores que opina sobre os eventos recentes do programa no que se assemelha a uma família (são cinco ou seis outras pessoas, de idades que variam de um miúdo de catorze anos a gente na casa dos quarenta) que assiste e discute o que está a ver.


Alguma pesquisa sobre o programa mostra que além dos 18 episódios disponíveis actualmente no Netflix, mais alguns serão eventualmente adicionados (no Japão o programa passa semanalmente), tendo a série sido extendida além do previsto de início.

Não me venham é depois chagar o juízo se derem por vocês a procurar voos Lisboa-Tokyo (só ida) no Momondo às duas da manhã.

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