10 Cloverfield Lane

O regresso da ameaça invisível

Título original: 10 Cloverfield Lane (2016)
Realizador: Dan Trachtenberg
Actores: John Goodman, Mary Elizabeth Winstead, John Gallager Jr.

Há oito anos, houve um filme que tomou os cinemas de assalto: «Nome de Código: Cloverfield». O produtor, J.J. Abrams, tinha vindo a conquistar o seu espaço desde a série «Perdidos» (LOST), e foi com este filme que mostrou que veio para ficar. Filmado a simular uma gravação de handy-cam, «Cloverfield» levava o espectador numa espiral de emoções por descobrir a ameaça invisível que arrasa as ruas de Nova Iorque. A narrativa termina [SPOILERS ALERT] em aberto, com a ideia que uma espécie de Godzilla/extraterrestre destruirá o país norte-americano em três tempos. As técnicas de realização, conhecidas como “cinema verité”, a imitar filmes caseiros, e a história frenética do filme, conquistaram a crítica e o público (apesar de sairmos todos zonzos da sala de cinema).

Após produzir os reboots das duas maiores sagas de ficção científica no cinema, «Star Trek» (2009) e «Star Wars: O Despertar da Força» (2015), J.J. Abrams regressa ao seu “Godzilla de estimação” e traz-nos este filme, que descreve como o “sucessor espiritual” de «Cloverfield» (uma expressão usada no cinema para sequelas que não seguem directamente a história do filme anterior, mas que se desenrolam no mesmo contexto).

Na verdade, «10 Cloverfield Lane» surgiu de um guião chamado “The Cellar”, em que a produtora de J.J. Abrams encontrou similaridades com a história do filme de 2008. Nesta película, uma mulher, Michelle (Mary Elizabeth Winstead) é raptada por um homem lunático, Howard (John Goodman), após um acidente de carro a ter deixado inconsciente. Quando Michelle acorda, algemada a uma cama num bunker, Howard diz-lhe que a salvou de um ataque extraterrestre ou nuclear, que contaminou o ar à superfície. Há outro homem na cave, Emmet (John Gallagher Jr.), que repete a história de Howard e o apresenta como alguém bom e visionário, pois nada fazia prever o ataque, de origem ainda desconhecida, que a Terra teria sofrido.

Mais uma vez, entramos às escuras na acção de um «Cloverfield» e somos completamente sugados pela força e velocidade da sua história. Sem nada contar sobre a real ameaça que levou Howard a construir um bunker, nem se este será afinal um vilão ou um bom samaritano, a narrativa avança e cativa num ritmo intenso e constante. Se o início é algo morno, de repente a história toma contornos semelhantes ao primeiro filme e leva-nos numa vertigem de ansiedade, até ao último segundo. Afinal, onde está a verdadeira ameaça? É o raptor de Michelle ou o perigo que paira à superfície?

No fundo, «10 Cloverfield Lane» é mais um thriller psicológico que um filme de terror, como o seu antecessor. Mas a essência do primeiro mantém-se, assim como a qualidade do cinema de J.J. Abrams. A sequela não supera o original, faz justiça ao filme que levou o produtor à ribalta. Será com certeza mais um marco na carreira deste cineasta.

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