3 Coisas que precisamos de falar sobre o Captain America: Civil War

Diz que é uma espécie de crítica.

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A super-guerra civil explodiu há mais de 1 semana nos cinemas e, enquanto os dois lados da barricada recarregam as suas armas e reúnem energias, há 3 factos que definem esta bélica história que precisam de ser expostos.

Não há muitos spoilers envolvidos nesta reflexão, mas se são sensíveis a informações extra-trailer, este é o momento para deixarem de ler.

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Ainda aqui estão? Ok, vamos lá:

 

FS_top20-01Sabiam que a personagem principal dos filmes do Capitão América não é o Capitão América? É verdade, por muito que o Capitão tome as rédeas na altura de lutar contra os inimigos, a personagem central de toda a narrativa não é Steve Rogers (Chris Evans), mas o seu amigo Bucky (Sebastian Stan). Não acreditam? Então vamos rever os 3 filmes.

Em Captain America: The First Avenger, o momento que definiu a própria existência do super-herói partiu da necessidade de Rogers seguir o exemplo patriótico do seu melhor amigo Bucky, um sargento prestes a partir para a II Guerra Mundial. Esta vontade foi saciada, mas a influência de Bucky sobre o desenrolar da história estava longe de ter terminado. Capitão América une-se a Bucky para lutar contra as forças Nazis e a HYDRA, liderada pelo vilão Red Skull. E é neste contexto que, antes dele próprio ser dado como morto durante vários anos, Rogers vive a sua maior tragédia: a morte (ou isso achava ele) do seu melhor amigo.

No segundo filme de Capitão América, esta tragédia parece já estar recalcada no fundo da memória do super-herói, até nos apercebermos que, na verdade, o vilão deste capítulo é… já sabem, não já?!… é Bucky! Uma versão alterada e profundamente controlada por forças malévolas, mas que, lá no fundo, e por momentos, reconhece em Rogers o seu velho companheiro de batalhas.

E eis que chegámos ao terceiro filme. Aqui ficamos a saber em pormenor como é que a mente de Bucky foi controlada pela HYDRA e como é que ele está a conseguir lidar com isso, agora que conseguiu fugir das garras dessa organização. No centro da narrativa está também o facto de ele ser falsamente acusado de atentados que vão acontecendo ao longo da história e que contribuem para o posicionamento do Capitão América na narrativa.

Em suma, os 3 filmes rondam à volta de Bucky: Capitão América quer seguir as pisadas de Bucky, Capitão América descobre que Bucky afinal está vivo, mas não é a pessoa que ele conhecia, Capitão América tenta salvar Bucky.

 

FS_top20-02Para além de ser uma personagem principal bastante secundária na sua própria história, em Captain America: Civil War, o super-soldado perde ainda o protagonismo para os seus colegas Avengers. Convenhamos, se não tivesse Captain America no título, todos acharíamos que o filme era o Avengers 3. Porque a verdade é que eles estão quase todos lá (à exceção do Hulk e do Thor) e todos obtêm tempo de antena.

É verdade que há momentos que centram a história um pouco mais à volta de Capitão América: tudo o que envolve Bucky, claro, e aquela espécie de fecho de ciclo, com a morte de Peggy Carter e o desenvolvimento do antecipado romance com Sharon Carter (Emily VanCamp).

Por outro lado, temos a aparição de novos Avengers, como o Black Panther (Chadwick Boseman) e (mais um) Spider-man (Tom Holland) que reforçam o peso das equipas em jogo.

 

FS_top20-03Finalmente, vamos falar do elefante na sala: porquê, mas porque é que esta guerra civil que dividiu os Avengers a meio soa tanto ao filme que vimos estrear há cerca de um mês da DC: Batman vs. Superman Dawn of Justice?!

Não, não é só por termos os good guys a combater entre eles, em vez de estarem a salvar o mundo de ameaças externas. É porque, no fundo, os seus motivos são idênticos. Da mesma forma que o Batman não gostou da destruição que o Super-Homem deixou no seu encalço ao lutar contra o General Zod, em Civil War o que promoveu o enfurecimento do Governo e a póstuma cisão entre a equipa de vingadores foi precisamente a necessidade de responsabilizar os super-heróis pelos danos que vão causando durante as suas bem-intencionadas ações.

Note-se que, no fundo, esta questão da regulação dos vigilantes, super-heróis que atuam como se estivessem acima da lei, até tem sido um tema recorrente: a última temporada de Daredevil falou disso, assim como o X-Men: Days of Future Past. Mas o paralelismo entre os últimos filmes da DC e da Marvel é demasiado grande para ser ignorado.

Em todo o caso, a narrativa de Civil War (vs. Dawn of Justice) é muito mais sólida, não é uma ponta solta, mas algo que estava a fervilhar desde o primeiro filme dos Avengers, e as motivações são mais fundamentadas e apoiadas por agentes externos.

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