Os 5 piores filmes sobre videojogos de sempre

O triste legado dos videojogos no grande ecrã.

A 9 de Junho estreia “Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos”, a mais recente tentativa de transpor o sucesso astronómico da multimilionária indústria dos videojogos para as telas de cinema. O filme é realizado por Duncan Jones, o realizador responsável pelos excelentes “Moon” e “Source Code”. Como tal, a expectativas estão razoavelmente elevadas para o que dali vai sair. Mas, ainda assim, há muita hesitação por parte dos fãs e da crítica. A razão? Os filmes inspirados em videojogos têm um consistente historial de serem quase comicamente maus.

A título de exemplo, se retirarmos as classificações do Rotten Tomatoes dos 32 filmes já estreados no cinema que foram adaptações de videojogos (incluindo já o recém-estreado “Angry Birds”), a pontuação média é de 18%. Sim, em 100%. Por vezes aparecem algumas exceções à regra, desde o agradavelmente apalhaçado “Mortal Kombat” até ao visualmente deslumbrante “Final Fantasy: The Spirits Within”, que lidera a lista destes filmes no Rotten Tomatoes com 44% de aprovação por parte da crítica.

Mas, como a palavra o indica, são exceções. A gigantesca maioria destes filmes são absolutamente intragáveis. De tal modo que, faço já a ressalva, esta lista será inevitavelmente incompleta, dado que, com o tempo, me tenho sujeitado cada vez menos ao desespero de aturar um destes filmes novamente.

Dito isto, segue a minha contagem decrescente para os piores obras “cinematográficas” alguma vez feitas com videojogos em mente:

 

Street Fighter (1994)

Por norma, a comunidade geek é chata p’ra caraças. Se alguma coisa, por mais diminuta que seja, é filtrada na conversão de um qualquer objeto que veneramos ao grande ecrã, ficamos automaticamente furiosos e a exigir satisfações. Talvez antecipando a era de indignação online dos dias de hoje, esta adaptação de “Street Fighter” achou por bem tentar enfiar todas as personagens do jogo no filme – a bem ou a mal. Faz sentido na narrativa? O que é isso de “narrativa”? O resultado é uma amálgama incoerente, com quase nenhuma personagem a ter tempo suficiente para justificar a sua presença em campo, Ryu e Ken (os personagens principais do jogo) a serem remetidos para um canto como uma espécie de comic relief a dois e Van Damme a protagonizar no papel de Guile. Van Damme. Como Guile. Nem Raul Julia a comer cenário às garfadas salva esta desgraça.

 

Lara Croft: Tomb Raider (2001)

Angelina Jolie foi a escolha perfeita para interpretar Lara Croft – colocando de parte detalhes menores como o facto de ter um dos piores sotaques ingleses de sempre. Visualmente, mesmo com um peito consideravelmente menos triangular, Jolie encarnou o espírito e corpo da nossa aventureira preferida na perfeição. Um dos castings mais acertados de sempre. Pena terem-se esquecido de fazer um filme à sua volta. Mais do que apenas mau, é simplesmente banal. Aparte um ou outro apontamento visual, normalmente com Angelina Jolie a fazer o papel de fetiche ambulante, a história deste filme é simultaneamente confusa e aborrecida. Entre relíquias para resgatar, traições inesperadas e uma dinâmica familiar apinhada de “daddy issues”, foi-me quase impossível perceber o que raio estive a ver quando cheguei ao fim. Ainda assim, tenho a sensação que não perdi grande coisa.

 

Mortal Kombat: Annihilation (1997)

“Mortal Kombat” foi uma adaptação surpreendentemente boa. Tinha aquela música a pingar de azeite para nos deixar com a pica toda, alguns castings acertados (dá um passo atrás, Christopher Lambert. Isso, fica aí bem quietinho…) e até uma tentativa de reproduzir o modelo de um torneio de combate como o do jogo. O resultado final foi uma pequena relíquia de filme B com, pelo menos, o espírito certo. E depois deu origem a uma sequela. “Mortal Kombat: Annihilation” salta de filme B para algo que já nem existe no alfabeto. Sendo que no original as interpretações não eram necessariamente Shakespeare, aqui é dado um salto tão gigante para o disparate que ficamos sem saber se será suposto vermos isto como uma sátira de si mesmo. Mas não, é mesmo só um dos piores filmes alguma vez feitos.

 

Uwe Boll. Simplesmente Uwe Boll.

O controverso realizador alemão tem uma longa e triste carreira como artesão dos mais fumegantes pedaços de esterco alguma vez criados para o grande ecrã. Entre eles, uma longa de série de adaptações de videojogos em que o único objetivo é criar as mais ridículas sequências de violência possíveis – com o suposto intuito de chocar o espetador e gerar “controvérsia”. Não vi todas estas gloriosamente falhadas experiências de Uwe Boll – porque ainda tenho alguma réstia de autoestima – mas o que vi é uma janela aberta para uma mente perturbada. Filmes como “Bloodrayne” ou “Alone In The Dark” entram diretamente para os anais dos candidatos a “piores de sempre”, mas nem sequer o fazem da forma correta. Um “bom mau filme” consegue-nos cativar e entreter de formas que nem sequer conseguimos bem explicar. Os filmes de Uwe Boll não são bem isso. São simplesmente uma valente merda.

Super Mario Bros. (1993)

Este entra para número um por razões nostálgicas. Todos os filmes que entraram nesta lista são incrivelmente fraquinhos, mas nenhum me quebrou tanto o coração como “Super Mario Bros.”. Ora vejamos: eu era um fanático do jogo original para a NES. Joguei-o tantas vezes que ainda hoje sei todos os recantos dos seus 32 níveis de cor e salteado. Joguei também as suas sequelas até à exaustão e posso dizer que todo o meu ser estava embebido na bizarra mitologia deste mundo de canos com teletransporte, cogumelos andantes e canalizadores de bigode que conseguiam mudar de direção de salto em pleno ar e lançavam bolas de fogo das mãos quando comiam flores. Isto para dizer que compreendo, agora, o quão difícil era transpor esta loucura toda para o cinema. Mas isto? Isto ninguém merecia. As cores vibrantes dos níveis de Super Mario foram substituídos por um ambiente pseudo-steampunk e cinzentão, dois canalizadores italianos foram interpretados por um inglês e um colombiano, os adoráveis cogumelos andantes tornaram-se aberrações antropomórficas com cabeças de dinossauro encolhidas e Dennis Hopper, como King Koopa, passa o filme todo a exigir que lhe tragam uma pizza. Não preciso mesmo de explicar mais esta escolha, pois não?

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