X-Men: Apocalipse

O fim do mundo não parece assim tão apocalíptico.

Título original: X-Men: Apocalypse (2016)
Realizador: Bryan Singer
Actores: James McAvoy, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence

Antes de mais nada tenho que esclarecer uma coisa. Eu tenho conhecimento quase nulo de heróis da BD. Sei um pouco mais sobre a história original do Super-Homem e do Batman porque quando era moço, foram os heróis que me chamaram mais à atenção. Para mim, BD eram mais as do Tio Patinhas e do Asterix. Por isso, nerds da BD Marvel e DC, não venham para cima de mim com factos e essas coisas que não quero saber. A minha apreciação sobre esta onda de filmes de super-heróis é pura e simplesmente sustentada nas histórias e pelo entretenimento que os filmes me proporcionam.

Posto isso, podemos voltar um pouco atrás, à trilogia original dos X-Men de Bryan Singer que começou em 2000. Na altura, não sabia basicamente nada deste mundo dos mutantes. Mas o que vi foram filmes com uma história interessante e que me apresentou a uma série de personagens com boas doses de acção e humor. Alguns deles com alguma complexidade, que foram suportados por um excelente cast, que acabou por “legitimar” a importância dos papéis ao conseguir actores como o Ian McKellen, Patrick Stewart e Halle Berry. E claro, apresentou ao mundo o Hugh Jackman. Foi uma trilogia bem sólida, que baixou bastante no terceiro filme (curiosamente já não realizado pelo Singer).

Em 2011, os X-Men estão de volta na mão de Matthew Vaughn, mas com história de Bryan Singer. Este reboot teve mais ou menos o mesmo efeito de Nolan na saga Batman. Ao voltar atrás no tempo às origens dos personagens, tornaram a história mais “real” quando introduziram eventos reais da nossa história, envolvendo os mutantes em várias situações que nos são familiares. Passámos no Holocausto, na Guerra Fria, no assassinato do Kennedy, etc. Isso e o factor de época deu às histórias outro nível de interesse. Lá está, até pode ser fora dos livros de BD (não faço ideia), mas tornou os filmes mais interessantes e até alargou o público alvo. Ah e, claro, o elenco. Um filme com Michael Fassbender, James McAvoy e Jennifer Lawrence tem sempre alta probabilidade de ser interessante.

E assim chegamos ao novo Apocalipse. Acho que este novo filme perdeu um pouco de terreno em relação aos outros dois. E desta vez a culpa nem pode ser da mudança de realizador, porque neste e no anterior filme esteve de novo Bryan Singer a dirigir.

A premissa deste filme é que, muito antes de todas as histórias e origens que já conhecíamos, terá existido o mutante original e todo poderoso, o Apocalypse (Oscar Isaac), que absorvia os poderes de todos os mutantes. E que depois de ter sido traído pelos seus pares ficou enterrado no tempo, mas que agora, na década de 80, acorda e volta à carga com a intenção de fazer um “reset” no mundo, para que este seja dominado por mutantes. Para isso recruta quatro mutantes, entre eles o poderoso Magneto (Michael Fassbender).

E apesar do filme ter na mesma o interesse dos pormenores históricos, o maravilhoso guarda-roupa e penteados, a introdução de novos “inícios” de personagens da trilogia original, a história… a história é fraquita. Um destaque especial para a cena do Quicksilver (Evan Peters) ao som do Sweet Dreams dos Eurythmics, que, mesmo sendo a mesma ideia do filme anterior, está especialmente bem feita.

Há muito pouca coisa com “sumo” nesta história. Nem mesmo a reforma de Magneto, depois de ter sido acusado de tentar assassinar o presidente no filme anterior, parece muito credível. A minha leitura do mundo X-Men levou-me à conclusão que o verdadeiro vilão dos mutantes acabam por ser os humanos, apesar de muitas vezes estarem no mesmo lado da barricada. O objectivo final do Prof. Xavier (James McAvoy) é que os mutantes sejam aceites na sociedade como iguais. E essa é a sua maior luta. Apesar do poder que este Apocalypse tem, acaba por ser uma ameaça menor. Esse será o principal problema do filme. O próprio personagem tem muito pouco interesse. E eu adoro o Oscar Isaac.

Continua a ser um filme que vale a pena ver. Não estraga a trilogia, mas está uns bons furos abaixo dos dois primeiros. A Jean Grey (Sophie Turner) faz uma piada alusiva ao terceiro filme da trilogia original, dizendo que o terceiro filme de uma trilogia é sempre o pior. Sem querer, acaba por fazer futurologia, dado que na verdade este é o terceiro da segunda trilogia. Vá… Não será o pior dos seis.

 

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