Offscreen


Este título podia ser de um qualquer vídeo do PornHub da categoria Milf. Antes fosse. Bem-vindos a um dos meus maiores beefs com a internet.

A série How I Met Your Mother, produzida pela Fox para a CBS, estreou em 2005 e foi um sucesso de audiências ao longo de quase uma década. Sim, leram bem – uma década. Foram nove anos de uma narrativa, diga-se, original, sobretudo na forma de encadear o storytelling em pequenas memórias de 20 minutos por episódio. E a originalidade fica-se por aí. As nove (longas) temporadas da série são levadas a cabo por um acting datado, repleto de todas as fórmulas que funcionaram no passado glorioso das sitcoms. Risos enlatados, catch-phrases, olhares ou expressões exageradas como comic reliefs, que simplesmente já não funcionam nos nossos dias. A internet não concorda comigo.

Tenho muita dificuldade em perceber a tracção que esta série teve, tanto em Portugal como lá fora. Verdade seja dita, devo ter assistido no máximo a dois episódios completos, mas por várias vezes me detive apanhado na teia do zapping e juro que nunca entendi como é que a internet gostava “daquilo”. Ratings de 8.4 no IMDB, 81% no Rotten Tomatoes… 23 milhões de likes no Facebook (incluindo 63 amigos do yours truly)… E não foi só a internet. A indústria também “mostrou o seu amor” na forma de 28 Emmys. Devia-me estar a escapar qualquer coisa, eu, que estou normalmente tão alinhado com os Astros da Pop Culture, não estava a ver estrelas em lado nenhum. Fui dando oportunidades, aqui e ali, em regime “second screen” sempre que apanhava a série a dar. E a cada tentativa lograda de perceber o fenómeno, fui-me aproximando de uma conclusão – o problema não estava na série, estava no formato. Sinto muito, mas o género sitcom morreu.

How I Met Your Mother é um bom exemplo da dificuldade que conteúdos inovadores têm que enfrentar para conquistar um espaço precioso na grelha dos canais nacionais. Decerto que já caíram nos colos dos vários directores de conteúdos em Portugal as Amy Schumers, as Tig Notaros ou até mesmo séries como Horace & Pete, do grande Louis CK. Não dúvido que eles próprios sejam fãs dos autores mencionados, mas enquanto os shares de audiência não castigarem o formato sitcom, ele vai continuar a atormentar-nos com fantasmas de Seinfelds mal conseguidos. Sejamos honestos, não vão mesmo existir mais Seinfelds (momento de silêncio).

Felizmente, entusiasmados com o estrondoso sucesso da versão norte-americana da série The Office, a indústria yankee começou a dar espaço a outros approachs na forma de fazer comédia em televisão. Multiplicaram-se os mockumentaries rentáveis (Modern Family ou Parks & Recreation são casos de sucesso internacional) e surgiram formatos totalmente originais como Nathan for You, uma espécie de reality comedy tv que recomendo não perder.

Em Portugal existem actualmente sete séries sitcoms em canais de cabo, todas elas com audiências medíocres com excepção do How I Met Your Mother, pelo que percebi da minha superficial pesquisa. E apenas dois formatos de humor diferentes, nomeadamente Modern Family na Fox Comedy e Nathan for You na Sic Radical, com performances bem mais agradáveis.

Este rácio 7/2 faz portanto pouco sentido económico, sobretudo porque existem melhores opções de conteúdos (e até talvez mais baratos, nesta Idade do Ouro da televisão), que possam vir a garantir mais audiências e targets melhor definidos para os anunciantes. Há espaço para canais, espectadores e anunciantes tirarem mais valor do riso. É a chamada win-win-win situation.

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