E.T. Cetera

Saber que um dos mais belos livros que alguma vez li vai ter honras de adaptação à sétima arte, deixa-me entusiasmado e, simultaneamente, apreensivo. Entusiasmado, pois é com imensa curiosidade que anseio pelo modo como a imagem irá retratar o que então foram letras, palavras e frases de uma força tão avassaladora que para sempre deixaram uma marca inapagável na minha mente – e quero crer que em tantas outras com igual intensidade. Apreensivo, pois por norma as adaptações cinematográficas ficam sempre aquém das obras que lhe servem de alimento, excepto muito raras excepções que, espero, aqui seja o caso.

Aliás, à imagem de uma outra obra deste mágico escritor, “Expiação” (“Atonement” no original), que tão brilhantemente foi passada à tela por Joe Wright no ano de 2007. Pois que também este livro não merece senão o mais acurado e pormenorizado trabalho de realização, a qual irá estar, se até lá nada se alterar, a cargo de Dominic Cooke, um homem até agora quase exclusivamente dedicado ao teatro. E a protagonista, que já tinha estado em “Expiação”, será Saoirse Ronan.

Falo da adaptação do livro de Ian McEwan de 2007, “Na praia de Chesil”. Romance indicado nesse ano para o Booker Prize, eleito “livro do ano” pelo júri dos Galaxy British Book Awards, e cuja história tem lugar em 1962, durante a lua de mel de um jovem casal em Dorset. Em resumo, uma história de vidas transformadas por um gesto não feito ou uma palavra não dita, como o autor tão bem descreve nesta brilhante frase, a páginas tantas neste seu monumento literário:

“E é assim que todo o curso de uma vida pode ser alterado – não fazendo nada.”

Vamos aguardar para ver o que faz Dominic Cooke a partir desta obra. Esperemos que tudo.

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