Pequenas idiossincrasias e grandes emoções.


Título original: Refrigerantes e Canções de Amor (2016)
Realizador: Luís Galvão Teles
Actores: Ivo Canelas, Victoria Guerra, Lúcia Moniz

Não devia ser assim tão complicado. É possível fazer cinema para um grande público sem descer ao denominador mais baixo. Fazer bom entretenimento sem recorrer ao humor mais básico. E a melhor forma de o fazer é a comédia romântica.

Ao bom estilo da comédia romântica inglesa, Luís Galvão Teles, a trabalhar a partir de um excelente argumento de Nuno Markl, mostra aqui que não é preciso um orçamento gigante para fazer cinema de qualidade. Apenas é preciso um bom argumento, atores com presença e talento e um realizador que sabe quando deve explorar a sua criatividade artística e quando deve recolher à sombra e deixar os seus atores brilhar.

Nuno Markl parte de uma história muito pessoal das suas próprias desventuras amorosas para criar um cenário de realismo mágico em que um compositor deprimido encontra o amor numa voz que vive dentro de um fato gigante de dinossaura cor-de-rosa.

Ivo Canelas é Lucas, o neurótico músico no centro da trama, e consegue equilibrar de uma forma quase perfeita o lado negro e depressivo das suas neuroses com a vertigem cómica dos seus momentos de loucura. É este jogo de corda bamba que faz com que nunca achemos assim tão absurdo o seu amor por uma mulher que nunca viu – Victória Guerra, num excelente papel em que consegue, de alguma forma, transmitir atos tão subtis como um sorriso sem nunca a conseguirmos ver.

O casal protagonista é acompanhado por um elenco de luxo. Em especial destaque estão João Tempera e Lúcia Moniz (antigos parceiros musicais de Lucas e, por si mesmo, um casal disfuncional e complexo) e, claro, Jorge Palma – a interpretar uma versão imaginária de si mesmo com uma desenvoltura que nunca lhe teríamos imaginado e que deverá surpreender muitos espetadores.

No fundo, o que temos aqui é um filme muito bem-feito. Visualmente criativo, com bom ritmo e excelentes diálogos, interpretado por um conjunto de talentos que só precisa de um pequeno empurrão para encantar qualquer público. É um filme que segue no legado – tanto tradicional como inovador – de um Richard Curtis.

Este “Refrigerantes e Canções e Amor” não será ainda um “Notting Hill” ou um “Love Actually” – mas não tem de ser. Para já, é “apenas” um momento muito bem passado. No futuro próximo, se tudo correr bem, poderá ser mais um tijolo fulcral na construção de uma ponte entre o cinema português e os seus sedentos fãs.

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