Crónicas de Tatooine

 

Há algo de épico no momento em que se ouve a respiração mecânica e pesada de Darth Vader no final do trailer de “Rogue One – A Star Wars Story”, filme que tem estreia marcada nos cinemas portugueses a 15 de dezembro. Em primeiro lugar, porque a última vez que vimos Darth Vader no grande ecrã foi no “Episódio III – A Vingança dos Sith”, em 2005, ainda pela mão de George Lucas. Em segundo, porque é um personagem único, envolto numa aura de misticismo sem igual, que personificou a figura do mal até à sua redenção final. Por isso, ouvir aquela respiração é motivo mais do que suficiente para adocicar os espíritos de qualquer fã de Star Wars.

 

 

Por isso, mesmo para quem já o esperava, a presença de Darth Vader em “Rogue One” acaba por ser um motivo adicional de interesse e uma forma de unir – de maneira mais concreta – este filme às sagas principais.

Existe também outra questão que seria interessante ver endereçada em “Rogue One”. Quem acompanha a série “Rebels”, que passa no Disney Channel, teve oportunidade de ver Darth Vader lutar como nunca o tínhamos visto. Comparando o Vader de Rebels (que se passa poucos anos antes de “A New Hope”), este é incrivelmente mais hábil e rápido. O Vader que vemos lutar com Obi-Wan no “Episódio 4”, não é o mesmo Vader que luta contra Ahsoka Tano em “Rebels”. Será que podemos esperar uma figura mais activa e ainda mais negra em “Rogue One”? Ou terá uma intervenção mais secundária? Teremos de esperar para ver.

 

E o que mais esperar de Rogue One?

Além do regresso de Darth Vader, podemos esperar novas naves, novos personagens, novos droides, novos planetas e, no geral, uma nova forma de encarar Star Wars.

Fazendo uma introdução para os mais distraídos: “Rogue One” é uma prequela. E é uma prequela no mais verdadeiro sentido da palavra, uma vez que se passa imediatamente antes de “A New Hope”, contando a história do grupo de Rebeldes que roubou os planos da Estrela da Morte (os tais que a Princesa Leia a certa altura conseguiu e que, mais tarde, escondeu dentro do R2-D2, lembram-se?). Por isso, desenganem-se aqueles que pensam que este filme é uma sequela de “Force Awakens”. Este é o primeiro dos filmes “stand-alone” que a Disney e a Lucasfilm vão produzir.

Espera-se também que “Rogue One” seja uma história de guerra, filmada e contada de forma totalmente diferente dos outros filmes da saga. O realizador, Gareth Edwards, cresceu e vibrou com os filmes. Numa entrevista à Empire, revela que, aos 6 anos, todos os dias via a abertura do Episódio 4, antes de ir para a escola, o que lhe rendeu ver a abertura do filme cerca de 300 vezes. As suficientes para decorar e perceber que Star Wars seria uma inspiração na sua carreira de realizador. Edwards, que realizou “Godzilla” (2014), incutiu uma visão muito particular em “Rogue One”. Esperam-nos muitos planos filmados com a câmara ao ombro, que prometem transportar o espectador diretamente para a cena, e muitos efeitos práticos sem, contudo, descurar os planos mais clássicos que, ao que tudo indica, serão mais expectáveis para descrever o Império.

O filme foi rodado nos estúdios de Pinewoods, como não poderia deixar de ser, mas passou também pela Jordânia, pela Islândia e pelas Maldivas. Os mais atentos conseguirão também identificar nos primeiros teasers a estação de metro de Canary Wharf que, por coincidência, ficava apenas a quatro estações de distância do centro de congressos onde decorreu a Star Wars Celebration (conseguem imaginar as romarias?). Outro dado interessante sobre as rodagens está relacionado com as filmagens nas Maldivas. Gareth Edwards confidenciou no painel dedicado a “Rogue One”, em Londres, que os stormtroopers que vemos surgir nas águas pertenciam, na verdade, eram militares do exército das Maldivas. Mas, provando que o mundo ainda pode surpreender, os mesmo desconheciam totalmente Star Wars ou o que são stormtroopers. Ou seja, estavam vestidos de alguma coisa que desconheciam, mas a sua pose e rigor de militar acaba por emprestar a estas figuras um carácter mais real e mais melindroso.

Desenganem-se também os que acham que esse plano necessitou de pós-produção para refazer a integração das cores do céu: segundo Edwards, o tempo nesse dia estava mesmo assim; uma verdadeira tempestade que acaba por funcionar muito bem em câmara e para a história. Fugindo à fórmula habitual, “Rogue One” corre grandes riscos, mas tem tudo para se destacar como um dos box-offices do ano. Se resultará tão bem quanto as expectativas da Disney, só o tempo o dirá. De resto, este é apenas um dos pontos que compõem o plano estratégico da Disney para a saga Star Wars: o objetivo da companhia é tornar esta série num universo completo muito mais expandido, permitindo-se a fugir dos cânones temporais das trilogias mediante a aplicação da fórmula ‘spin-off’. A história de Jyn Erso e dos Rebeldes neste novo filme é apenas a primeira, seguindo-se, dentro em breve, a história em torno de Han Solo. Mais um risco, em especial se se tiver em conta a afeição que este personagem recebeu ao longo dos sete filmes da série principal. O que se sabe é que os adeptos de Star Wars vão ter muitos motivos de felicidade nos próximos anos.

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