O meu livro dava um filme

 

Uma crónica de livros que inspiram filmes… uma crónica de livros esquecidos na prateleira, mas que ainda não foram descobertos e engrandecidos pelo grande ecrã.

Estas crónicas serão sempre subjetivas e sujeitas a estas relações únicas criadas com os livros que a cronista lê, com a sua fantasia e com a sua perspetiva dos filmes que assiste.

A cada crónica que escrevo, mais difícil se torna eleger um Livro que tenha sido adaptado ao cinema, ou que considere digno de uma futura adaptação. Uma coisa é certa nunca me irá faltar assunto para continuar a partilhar com o Filmes em Série.

Haja tempo… pois livros e filmes não faltarão.

Tempo, sempre tempo e hoje até vem a propósito…

Desta vez, a ideia da crónica surgiu num dia de semana banal, ao fazer zapping na TV e me deparo com o filme “As Horas”, mesmo a começar…

Pela terceira vez, revi o filme lançado em 2002 apreciando, uma vez mais, as interpretações de 3 atrizes notáveis dos nossos  tempos: Nicole Kidman; Julianne Moore e Meryl Streep.

“As Horas” surgiu como um grande livro, adaptado a um excelente filme em que Nicole Kidman, para fazer o papel de Virginia Woolf, usou um nariz falso e teve que aprender a escrever com a mão direita porque a escritora Virginia Woolf não era canhota como a atriz é. Meras curiosidades perto da sua interpretação que arrecadou, nesse ano, o prémio de melhor atriz.

Baseado no livro, de Michael Cunningham, “As Horas” (1998) é tudo menos uma história linear, pois o tempo e o espaço são meros detalhes na vida de três mulheres em épocas e locais distintos.

A ligação entre elas é o livro “Mrs. Dalloway”. Em 1923 vive Virginia Woolf (Nicole Kidman), autora do livro, que enfrenta uma forte depressão e ideias de suicídio. Em 1949 vive Laura Brown (Julianne Moore), uma dona de casa grávida que mora em Los Angeles, planeia uma festa de aniversário para o marido e não consegue parar de ler o livro e de ser influenciada pelo dia a dia da sua protagonista. Nos tempos atuais (isto é, início dos anos 2000) vive Clarissa Vaughn (Meryl Streep), uma editora de livros que vive em Nova York e organiza uma festa para o escritor Richard (Ed Harris), que tinha sido seu amante no passado e que presentemente vive debilmente com sida.

A força e as fraquezas destas personagens, a busca de um sentido para as horas em que não se reconhecem inteiras, fazem destas três mulheres, distantes mas intimamente ligadas pela solidão que cada um de nós transporta, as protagonistas de um drama pesado, comovente e cheio de conteúdo.

O brilhantismo da escrita de  Michael Cunningham foi facilmente captado por Stephen Daldry ao realizar um filme que conseguiu captar a busca da essência da vida, o inconformismo de a viver diariamente e a expetativa do que a vida poderia ser. Um olhar entre a ficção e a realidade. Uma história sobre pessoas e sobre o tempo… pessoas deslocadas no tempo ou perpetuadas para sempre no tempo…

“As Horas”: um livro e um filme que perdurará no meu tempo e que serão, com toda a certeza, revisitados mais vezes.

“Tinha sempre o sentimento de que viver,
mesmo um único dia,
era muito, muito perigoso”
Virginia Woolf.

 

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