F***, Marry, Kill: Spielberg Edition

F***, Marry, Kill

Vamos começar por explicar em que consiste exatamente esta minha bizarra crónica. Para os mais inocentes entre nós, “F***, Marry, Kill” é um jogo agradavelmente parvo em que, mediante três opções entre celebridades giras, celebridades bizarras ou até personagens de ficção, temos de escolher com as quais faríamos… bem, as três escolhas dadas no título. Partindo desta premissa, decidi aplicar estas regras ao mundo do cinema e da televisão. Como? Escolhendo uma figura (realizador, ator, argumentista, tudo o que me lembrar) e aplicando estas regras à sua filmografia: especificamente escolhendo uma obra sua para “f***” (um filme ou série muito revisitável, não necessariamente o melhor mas aquele que não conseguimos resistir ver se nos passar à frente dos olhos), “marry” (o mais indispensável, o favorito, aquele que, a sermos forçados a escolher apenas um para o resto da nossa vida, não conseguiríamos prescindir) e “kill” (a ovelha negra da família, que teríamos aqui a oportunidade de apagar para sempre das nossas memórias coletivas). Estamos todos esclarecidos? Comecemos então.

Decidir arrancar esta aventura com Steven Spielberg, o meu realizador favorito. Porque gosto de um desafio, porque sinto que todos os outros serão inevitavelmente fáceis por comparação – talvez apenas porque sou masoquista. Sim, porque posso-vos garantir que sei bem a heresia que é fazer uma lista destas e deixar de fora obras-primas contemporâneas como “Jaws”, “Jurassic Park” ou “Saving Private Ryan”, pequenas pérolas como “Minority Report” ou “Catch Me If You Can” ou, porra, “Schindler’s List” e “E.T.”. “SCHINDLER’S LIST” E “E.T.”!!!

Ok, acho melhor mesmo arrancar com isto antes que comece a hiperventilar. Vamos a isto:

 

F***: “Raiders of the Lost Ark” (1981)

Já me lamuriei o suficiente em cima sobre todos os candidatos incrivelmente válidos que ficaram de fora por isso agora vou-me concentrar em justificar esta escolha. E porque escolhi este filme? Porque é o Indiana Jones, porra! É mesmo preciso justificar? Este filme tem tudo. O protagonista mais carismático da História do Cinema, um ritmo (de narrativa e de ação) tão vertiginoso que quase nos arranca a pele da cara e alguns dos momentos mais memoráveis da nossa herança cinéfila partilhada – o meu favorito é o mítico “combate” entre Indy e um espadachim cheio de moves artísticos. O que começou como quase uma brincadeira entre Spielberg e George Lucas, que decidiram tentar recriar o ambiente dos clássicos Série B dos anos 40, culminou numa aventura que não deixa ninguém indiferente. Só a banda sonora é suficiente para tornar este um dos filmes mais difíceis de sempre de mudar quando aparece na televisão.

 

MARRY: “Close Encounters of the Third Kind” (1977)

Sim, sim, eu sei que esta minha escolha está a deixar de fora clássicos que estão no panteão do Cinema. Eu sei. Mas há algo neste filme que me toca de uma forma tão profunda que é quase impossível de colocar em palavras. Talvez me seja mais fácil articular o que me vai na alma se me derem um monte de barro e uns momentos a sós para ignorar a minha família, não sei. O que sei é que é preciso um génio com a sensibilidade de Spielberg para infundir com pura magia um filme tão fundado na descoberta científica. Ainda hoje, quando ouço aqueles cinco acordes repetitivos e aparentemente banais, sinto um arrepio pela espinha e deixo a minha mente navegar nas possibilidades da descoberta do cosmos. Encontro a encontro, contacto a contacto, nota a nota. Nunca tive nada contra filmes que se dedicam à desconstrução do real, mas confesso que sempre senti um fascínio maior pelo inexplorado, pela curva cega que afasta os preguiçosos e motiva os descobridores. Preciso deste filme na minha vida. Preciso de sonhar.

 

KILL: “1941” (1979)

É bizarro pensar que este filme falhou. Como pôde falhar? O pedigree de todos os envolvidos era do mais alto nível. Tínhamos um jovem realizador em meteórica ascensão na nova Hollywood, um argumento escrito por Robert Zemeckis e Bob Gale (sim, os mesmos responsáveis por “Back to the Future”) e um elenco de comediantes no topo dos seus poderes – liderado pelos alumni do Saturday Night Live John Belushi e Dan Aykroyd. Mas, no entanto, este filme é um grande tiro no pé. Ao longo da sua carreira Spielberg tem conseguido encenar momentos bastante divertidos, mas a comédia pura e dura não é e nunca foi o seu forte. Aqui, o grande problema é que, na ânsia de fundir momentos de hilaridade com ação pura e dura, as gargalhadas acabar por ser afogadas num mar de caos bélico. O que era suposto ser uma sátira ao histerismo que se viveu na 2ª Grande Guerra, acaba por ser simplesmente uma grande e inchada trapalhada.

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