Acreditam em milagres? “Sully” fez um. Salvou 155 passageiros de uma morte certa.


Título original: Sully (2016)
Realizador: Clint Eastwood
Actores: Tom Hanks, Aaron Eckhart, Laura Linney

Acreditemos ou não, os acontecimentos ocorridos a 15 de Janeiro de 2009 apontam para algo que tem tudo para ser, um verdadeiro milagre. Este filme, baseado em factos verídicos, conta-nos a história do comandante Chesley Sullenberger (mais conhecido por Sully) e da sua fantástica tripulação. Um homem que sem querer, tornou-se o herói de todos, pois conseguiu fazer o impossível: aterrar de emergência um avião desgovernado em pleno rio Hudson. Os 155 passageiros que seguiam a bordo do voo 1549 da US Airways e sobreviveram, ficaram eternamente gratos a Sully, à fantástica restante tripulação do voo e a todas as equipas de resgate que rápido interviram no incidente. Esta é uma história verídica cujos intervenientes jamais esquecerão. O resto do mundo jamais esquecerá!

Uma história que aqui é-nos contada pelo experiente actor e realizador Clint Eastwood, com muita mestria! O realizador fez muito com o pouco que havia para contar. E o que havia para contar? Um avião embateu com aves e, sem motores, o comandante aterrou de emergência no rio Hudson. Todos sobreviveram. Ponto. Parece simples, não? A magia do cinema e da realização começam aqui. Clint Eastwood conseguiu pegar num argumento simples, já conhecido por todo o mundo e fazer-nos sentir na pele toda a dúvida, tensão e dramatismo que foram vividos pelo comandante Sully, na primeira pessoa.

Pessoalmente sou da opinião que é, sem sombra de dúvida, o seu melhor filme desde Gran Torino! De destacar também que a dupla Clint Eastwood / Tom Hanks resultou na perfeição. Este tipo de filme é a praia de ambos! Futuramente, lembrem-se apenas do seguinte: nunca viagem com Tom Hanks, seja para onde for, de que forma for. O homem tem uma tendência natural para esbarrar com desastres!

Aaron Eckhart também esteve muito bem na interpretação que fez de Jeff, a “asa direita” de Sully e um dos seus principais apoios durante todo o processo de investigação que foi levado a cabo sobre o incidente. Excelentes interpretações de ambos. E, por falar em investigação… no seio desta história nem tudo é um “mar de rosas”.

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Sully, após o seu acto de fé, apesar de agir em plena consciência, na plenitude de todas as suas faculdades e de ter sido visto como um verdadeiro herói, não voltou ao activo e à sua vida normal tão facilmente. Após o incidente foi aberto um processo de investigação ao caso e muitas questões se levantaram. Terá Sully tomado a melhor decisão ao aterrar o avião no rio Hudson, em vez de ter optado por o fazer numa das possíveis pistas que se encontravam por perto? Foi com base nesta pergunta e por uma questão de procedimentos necessários a ter em conta neste tipo de incidente, que foi aberta investigação ao caso.

Sentimo-nos indignados quando percebemos que um homem que fez o impossível, que aterrou um avião em pleno rio e que fez com que 155 pessoas sobrevivessem, é alvo de uma investigação que pode tirar-lhe inclusivamente a licença. Mais indignados e revoltados ficamos quando percebemos que faz parte do processo comparar a sua atitude com meras simulações e recriações digitais do incidente. Factor humano contra a máquina? As 155 vidas que iam a bordo do avião não são um jogo. E os computadores não sentem dúvida, medo, indecisão ou pressão. Sully teve de agir rápido, teve de agir bem e fez o melhor que conseguiu mediante desastrosas circunstâncias! E foi isso que, de forma convicta, defendeu até ao fim. O comandante tinha tido até então uma carreira de sucesso na aviação durante dezenas de anos e agora, por ironia do destino, podia ficar sem o fazer por questão de apenas alguns segundos. Querem saber o desfecho? Vão ver este brilhante filme.

Tenso. Dramático. Muito emotivo. Vale muito a pena.

“Vale mais um atraso do que um desastre”. Esta frase faz todo o sentido no filme mas muitas pessoas que leiam esta análise vão ficar de consciência mais tranquila, principalmente os que têm problemas com a pontualidade. Tendo em conta que estamos em Setembro não podia deixar de mencionar um pormenor delicioso sobre o filme e que traz uma certa crença e esperança para o mundo:

“Há muito tempo que Nova Iorque não tinha tão boas notícias, sobretudo com aviões.”

Está tudo dito. Palavras para quê? Clint Eastwood é mesmo assim. Que assim continue que nós agradecemos. Agora que já descolei do banco e saí do avião são e salvo, posso garantir-vos que para mim, este filme vale um 4!

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