Offscreen

Rick&Morty. Eis um nome que vale a pena memorizar. Trata-se da nova série de animação da Adult Swim, que veio refrescar (à séria) o género, desde a estreia de Family Guy em 1999. Pois é, finalmente Peter Griffin tem concorrência, e há uma nova família americana que se prepara para conquistar o planeta.


Mas então de que se trata Rick&Morty? Façam o seguinte: imaginem o Calvin&Hobbes… agora imaginem uma folha com 50 quadradinhos de LSD. Misturem os dois. É mais ou menos isto. A série de animação, criada por Justin Roiland e Dan Harmon, usa com mestria a técnica do shock value enquanto acompanha as aventuras de um cientista alcoólico, Rick Sanchez, e do seu influenciável neto, Morty Smith.

O piloto desta série foi mostrado pela primeira vez em San Diego, no Comic-Con de 2013. Tanto a crítica como a audiência ficaram confusos, mas foram rápidos a perceber que estavam diante de um conteúdo com enorme potencial.

A série acompanha as peripécias intergalácticas de Rick, um cientista viciado em álcool e drogas e dotado de um egoísmo gritante, mas cuja inteligência superior lhe permite estar sempre um passo à frente da morte certa. A narrativa da série assenta na justaposição entre os dramas normais de uma família de classe média americana, e as aventuras sci-fi do cientista, que acaba por sempre arrastar um ou mais elementos da família com ele.

O ritmo e a inteligência do texto são os pontos fortes da série, que vê novamente na animação o veículo para passar algumas das punchlines mais hardcore que por aí andam. De maneira nenhuma este texto podia ser dito por actores on set e isso confere um edge próprio às pequenas histórias de 20 minutos, tal qual aconteceu anteriormente com Family Guy, South Park ou The Simpsons.

Mas Rick&Morty distancia-se um pouco dos outros clássicos por integrar pensamentos e mensagens filosóficas, uma variável que até então não tinha sido utilizada por nenhuma outra série de “desenhos animados”. Se é normal na animação americana que cada episódio tenha “uma moral”, não é muito normal que essa moral seja o veículo de uma filosofia marcada. No caso de Rick&Morty é o existencialismo de Jean-Paul Sartre (entre outros), que comanda o processo de decisão, muito questionável (diga-se de passagem), do avô cientista.

Também ao nível da distribuição a série revelou estar a par dos tempos, promovendo algum do conteúdo em plataformas gratuitas como o Instagram ou o Youtube, o que ajudou a produção a ganhar tracção numa arena hiper competitiva, como é a da animação em televisão. A restante série está disponível no iTunes ou via subscrição Adult Swim.

Não está prevista ainda uma estreia na televisão portuguesa.

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