O dia em que o Capitão América se sentou na cadeira de realizador


Título original: Before We Go (2014)
Realizador: Chris Evans
Actores:  Chris Evans,  Alice Eve,  Emma Fitzpatrick

Antes de vestir o fato justinho de borracha para salvar o mundo de alienígenas malvados, Chris Evans já era um actor versado em comédias românticas medíocres por isso não me devia espantar que se tivesse aventurado em mais uma. Surpreendeu-me, contudo, descobrir que em “Antes do Adeus” o actor não só vestiu a pele do protagonista, como ainda realizou e produziu uma comédia romântica, espantem-se, não tão medíocre assim.

Esta foi a primeira vez que Evans dirigiu e ele começa neste filme por tentar distanciar-se do tom mais comercial dos projectos em que estamos habituados a vê-lo apenas como actor. Ele tenta aqui inserir o seu filme na notável galeria de filmes românticos independentes com que temos sido brindados em anos recentes e que incluem títulos como “Blue Valentine” (2010), “Loucamente” (2011) ou o mais recente “Drinking Buddies” (2013), se bem que a comparação mais óbvia será, em virtude do argumento, com a trilogia “Before Sunrise/ Sunset/ Midnight” (1995/ 2004/ 2013) – também aqui a história se estende por uma única noite, quando dois estranhos se conhecem por acaso na madrugada da cidade mais romântica do mundo.

Mas talvez por se tratar de uma estreia para Evans, ele não consegue ainda evitar cair em alguns clichés: o argumento simples com personagens emocionalmente complexas e diálogos pseudo-profundos que tentam sem grande sucesso parecer banais. Mesmo de um ponto de vista mais formal o filme não acrescenta grande coisa ao estilo do qual se propõe fazer parte: é uma colectânea de diálogos e cenários que já conhecemos, e chega mesmo a ter um toque quase novelesco, com grandes planos e montagens que nos confrontam repetidamente com os rostos impossivelmente bonitos dos protagonistas.

Mas será que podemos levar Evans a mal por não ter arriscado, ou deveríamos antes louvá-lo pela sua contenção? Se por um lado seria fácil acusá-lo de cobardia, acho que podemos igualmente aplaudir a coragem de quem foi capaz de reconhecer as suas limitações e se manteve fiel a um projecto simples e despretensioso, ao qual achou que seria capaz de fazer justiça. Evans conhece bem as grandes produções, de dimensões megalómanas e orçamentos milionários, por isso é louvável que aqui tenha saído da sua zona de conforto e se tenha aventurado num novo registo, mas que o tenha feito com as devidas precauções, tendo sempre o cuidado de não cair no exagero nem na falsidade.

Resumindo, o filme não foi uma revelação, mas conseguiu superar as minhas – ainda que baixas – expectativas. Peca pelos clichés, sim, mas todos os clichés a que o filme se prestou foram, na maior parte das vezes, cumpridos de forma convincente. Não foi uma estreia brilhante, mas não deixou de ser uma estreia competente e que demonstra, mais que não seja, que o talento de Evans vai muito além de pavonear os peitorais em filmes de super heróis. O actor mostrou aqui que tem potencial e margem para crescer numa indústria que já provou que muito dificilmente premeia artistas que tenham a sorte de ser bonitos e o azar de ser talentosos.

 

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