Liga de Mulheres

O movimento começou fora do ecrã: personagens que eram originalmente masculinas começaram a ser substituídas pelas suas versões femininas. A mudança de género mais notória e recente foi protagonizada pela aparição daquela a quem gosto de chamar “Thora”. Na verdade, trata-se de Jane Foster (sim, essa mesma, a que teve um caso com o Thor original). Apesar de terráquea e de sofrer de cancro, o machado achou-a digna de si quando Thor já não era. E, assim, ela pegou nele e nunca mais o largou.

Esta “transexualização” de personagens já conhecidos pelo público já tinha sido protagonizada pela “Spider Gwen” e a She-Hulk (ou “Hulka”), no mundo dos quadradinhos, e chegou ao grande ecrã com o remake 100% feminino de Ghostbusters, criando uma onda de revolta entre geeks de todo o mundo.

Mas será que estas substituições de personagens masculinas por personagens em tudo semelhantes, mas femininas, são, efectivamente, a yellow brick road que nos levará até à igualdade de género em Hollywood?

Vamos lá fazer uma lista de prós e contras:

 

PRÓS

A insurreição gerada à volta de remakes como o Ghostbusters promoveu, efectivamente, uma maior discussão sobre a igualdade de género e oportunidades em Hollywood.

Já seria de esperar que os fãs da saga temessem uma nova versão, mas o que esteve em causa nunca foi a qualidade do guião ou o facto de Ghostbusters ser, simplesmente, um filme intocável. O grande tema foi sempre o facto do cast principal ser feminino. O que não é claramente uma reacção machista…certo?!….Errado!

O cast feminino de Ghostbusters reune “apenas” algumas das melhores comediantes da actualidade. Melissa McCarthy, Kristen Wiig, Kate McKinnon e Leslie Jones mantiveram-se seguras da sua prestação, mesmo quando a Internet explodiu e tornou o trailer do filme o vídeo com mais dislikes no Youtube. Os produtores também não tardaram em vir a público responder aos comentários sexistas, desvalorizando a histeria e defendo a sua visão como algo que pretende ter piada, independentemente dos protagonistas serem homens ou mulheres. Curiosamente, a piada é o que mais valorizo em filmes de comédia…

 

CONTRAS

Bom, a verdade é que a “Thora”, a Spider Gwen, até a Supergirl soam-me sempre a versões requentadas de super-heróis que já provaram ser um sucesso.

Parece que aproveitaram os restos.

Parece que não é possível fazer personagens originais, igualmente fortes e triunfantes.

Parece que se esqueceram que há super-heroínas com um impacto brutal, que já demonstram a sua poderosa energia no grande e pequeno ecrâ, independentemente do seu género, como Jessica Jones, a Khaleesi ou Katniss Everdeen.

 

Assim, eis o meu veredicto: por muito interessante que sejam estas experiências de “transexualização” de personagens para fomentar a conversa sobre a igualdade de género, atrizes e personagens merecem mais do que isso. Merecem personagens originalmente pensadas como mulheres com grande power. Não girl-power. Só power mesmo.

Porque isso, sim, é igualdade.

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