E.T. Cetera

Eleger o “tal”, dizer que este supera os demais rivais, que é o melhor de todos os tempos, é sempre algo muitíssimo relativo. E é-o, porque essencialmente o que está em causa é o gosto pessoal. E quando se entra neste âmbito, então o que vale para mim não vale para outros e por terra caem todas as possíveis unanimidades que, de outra forma, poderiam vingar aqui ou ali.

Tudo isto para vir aqui confessar dois dos meus filmes de eleição. Que a premissa de ambos é semelhante – uma epidemia que alastra ao planeta deixando-o povoado por seres infectados e, por isso mesmo, feitos mutações bizarras que uns poucos sobreviventes tentam a todo custo evitar –, pode ser parte da explicação. Mas não será certamente tudo. Pois os ambientes e a tensão criada, o modo como o suspense cresce (o que neste género é o sal e a pimenta), e, claro está, a emoção posta nas personagens por quem as encarna, são todos os outros tópicos que me fazem adorar estes exemplos da sétima arte, da mesma maneira que adoraria um Deus maior, caso acreditasse na sua existência.

Preparado o caminho, segue-se a confissão. “28 Dias Depois” (2002), de Danny Boyle, e “Eu Sou a Lenda” (2007), de Francis Lawrence, estão, desde o seu primeiro visionamento (e já os revi umas quantas vezes, confesso), no topo da minha lista de preferências. E se um filme, já visto e revisto, continua tanto tempo depois (bem para lá dos 28 dias), a causar-me o mesmo desconforto, a deixar-me no mesmo estado em que fiquei no dia em que o vi pela primeira vez, então esse filme merece-me todo o respeito e dedicação.

Quanto ao primeiro, ainda teve direito a uma sequela, 28 Semanas Depois” (2007), por Juan Carlos Fresnadillo, o qual, não estando à altura do que lhe serviu de base, ainda assim era um bom filme, mas teve o azar de sair no mesmo ano de “Eu Sou a Lenda”. Porque isto de eleger o “tal”, aquele que nos dá um nó nas entranhas e nos deixa colados ao lugar com a cabeça à nora, tem tanto de pessoal como de algo que nem por milhentas palavras conseguiria descrever. Só mesmo assistindo e sentindo, como eu, pessoalmente, o sinto, de cada vez que o enfrento, olhos nos olhos, seja em que ecrã for.

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