Uma História Americana

Uma família muito pouco perfeita.

 

Título original: American Pastoral (EUA, HKG – 2016)
Realizador: Ewan McGregor
Argumento: John Roman
Protagonistas: Ewan McGregor, Jennifer Connelly, Dakota Fanning

A estreia de Ewan McGregor na realização, Uma História Americana é uma adaptação do livro de Philip Roth, vencedor do prémio Pulitzer, pela mão do argumentista John Romano. Somos convidados, como espetadores, para uma reunião de antigos alunos de um liceu americano, enquanto ouvimos contar a história de Swede (interpretado por McGregor), um promissor jock de origem judia e constituição à deus grego, que casou com a rapariga mais bela da cidade e tinha tudo para ser o melhor de todos eles.

Quem nos transporta é um narrador (David Strathairn) que pouco ou nada diz sobre si próprio, apenas tenta recuperar a informação perdida durante os tempos em que esteve fora do país. O irmão de Swede conta-lhe o destino mais trágico do que triunfal do jovem atleta, não muito longe dos armários onde se acumulam troféus e memórias dos seus tempos desportivos de glória. Uma filha problemática – parece que foi esse o seu calcanhar de Aquiles. Mas porquê?

Merry, rebento do casal perfeito, é interpretada por Fanning, que já não víamos há algum tempo num papel tão forte como delicado. Na América dos anos 60, em plena controvérsia e revolta causada pela Guerra do Vietname, ela é acusada de bombardear um posto de gasolina e desaparece misteriosamente. Os ataques e rebeliões multiplicam-se pela cidade. Todos duvidam da sua inocência, menos Swede e a esposa, Dawn (Connelly). Swede recebe pistas de uma extravagante rapariga que parece conhecer a sua filha, enquanto Dawn se divide entre momentos de desespero e dormência – apenas pede que Merry volte para casa e eventualmente tenta fingir que ela nunca existiu, restituindo a beleza perdida e planeando remodelar a casa da família.

O filme tem momentos fortes, mas há muitas questões que ficam por responder. É como se a filha de Swede nunca lhes tivesse pertencido: ela é uma rapariga atormentada por qualquer coisa, nascida como contraponto aos seus progenitores perfeitos. Mas porque motivo a perdem para o extremo oposto da beleza e da robustez? Faz-nos pensar. Swede acaba por ser tudo menos o herói americano, mas porque motivo não poderia ele perder algo, como os comuns mortais? Talvez a esperança na sua fortuna tenha sido uma injustiça até para ele.

O narrador da história, cuja personagem não é aprofundada, parece alheio àquele universo, o seu voz off destoa mais do que nos mergulha na história. O melhor do filme são, sem dúvida, os actores escolhidos e a sua interpretação. Talvez a divisão de McGregor entre a representação e a realização se note um pouco, mas sem dúvida a aposta do filme no elenco não se equivocou – Connely é, como sempre, fascinante e intemporal, um pouco como a sua personagem tenta ser no filme. O tempo, esse não anda para trás para nenhum deles – só mesmo nos flashbacks.

 

 

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