Um balanço ainda cheio de sentimentos sobre o regresso de Gilmore Girls

 

As meninas estão de volta!

E com elas voltaram os diálogos acelerados e cheios de sumo, as referências à pop culture inteligentemente inseridas nas conversas do dia-a-dia, as estranhas personagens da pitoresca vila que saiu de um globo de neve – Stars Hollow –, Paul Anka (o cão!) e, claro, muito muito café.

O retorno de Lorelai (Lauren Graham) e Rory (Alexis Bledel) é mais do que eu alguma vez ousei imaginar. Porque, na verdade, há sempre uma gestão de expectativas que deve ser feita antes de vermos o retorno das nossas personagens (e amigas-imaginárias) favoritas. Foi um pouco difícil voltar a encontrar Veronica Mars e viver com ela um mistério que não foi tão surpreendente como as incríveis temporadas desta série tão subvalorizada. Doeu um pouco ver o declínio do gang do Sexo e a Cidade, especialmente no segundo filme, em que a única coisa que poderia manter a essência da série é apenas um flirt passageiro entre o espetador e a narrativa em que Aiden quaseeee volta a entrar na vida de Carrie. E nem vamos falar do filme dos X-Files, porque esse nem sei por onde começar…

Está então a começar o “la la…la la la la laaaaa la la” e, nesta primeira fase do mega-evento de 4 episódios de 90 especiais minutos, “cheira a neve”.

As nostálgicas referências a momentos da série vão povoando a narrativa, enquanto ela se desenrola pelas quatro estações do ano. Mas engane-se quem acha que este retorno serviu apenas para alimentar os mais saudosistas. É certo que tudo o que tínhamos saudades está lá à nossa espera, como se nunca tivéssemos saído de Stars Hollow. Mas tal como Rory regressa à vila que a viu crescer e a vê com novos olhos, também, nós, espectadores, somos confrontados com uma série de situações que nos fazem questionar a nossa existência…o musical que, honestamente, só serviu para alimentar os delírios de Taylor Doose (Michael Winters) e, especialmente, o momento em que vemos Emily Gilmore (Kelly Bishop) de calças de ganga (*híper-ventilando*)!

Este acontecimento impensável para qualquer fã da Gilmore Girl mais sénior é, certamente, um reflexo daquilo que, desde o primeiro teaser, ameaçou deixar-nos em lágrimas. A morte de Richard Gilmore, o patriarca da família, é especialmente dura por sabermos que o próprio ator, Edward Herrmann, também nos deixou. A sua memória é sentidamente celebrada e, na verdade, serve de kick-off ao desenvolvimento da transformação da personagem de Emily. Tal como ela, também as outras duas Gilmore Girls passarão um ano repleto de altos e baixos.

Enquanto a história da crise de meia idade de Lorelai e de identidade de Rory se desenvolvem, elas vão contando com a presença de todos, mesmo todos os personagens que as acompanharam desde sempre. E deixem-me abrir uns parênteses para dizer isto: nenhuma outra série seria capaz de trazer TODO o elenco de volta. Apenas uma série tão única, incrível e verdadeiramente marcante seria capaz de reunir os personagens principais, os atores que entretanto ficaram super famosos (sim, até Melissa McCarthy dá um salto a Stars Hollow) e até aqueles que, de forma leve, compõe todo o cenário (até o trovador lá está!).

No primeiro episódio da série, fica claro que Amy Sherman-Palladino estava tão ansiosa como os fãs em rever todas as personagens ao mesmo tempo. Um pecado que podemos facilmente compreender e perdoar, considerando que cada personagem entrou na narrativa para contribuir para o desenvolvimento da mesma.

Entre as personagens que adoramos rever estão, certamente, Kirk (Sean Gunn), Paris Geller (Liza Weil) e, claro, o triunvirato de Rory: Dean (Jared Padalecki), Jess (Milo Ventimiglia) e Logan (Matt Czuchry).

Muito podíamos falar desse triunvirato (#teamJess), mas a verdade é que a relação de Rory com todos eles sempre foi muito mais importante do que apenas a narrativa amorosa que se pode criar à volta disso. Cada um deles foi essencial para o crescimento de Rory e cada um, no seu momento, foi o ideal para Rory (ok, menos aquela 2ª vez entre Rory e Dean…).

Dean foi o primeiro amor de Rory e o seu encontro com ele nesta fase da sua vida foi um dos melhores momentos da série, permitindo, finalmente, que os fãs #teamDean e ela própria tivessem o seu desfecho. Com Jess a história não foi tão simples. Rory deixou o seu doce e seguro primeiro amor por este aparente bad-boy e, embora seja uma história com muitos altos e baixos, a verdade é que ele sempre foi o que a conheceu e compreendeu melhor. Aliás, foi ele que a avisou que já não a conhecia quando ela estava com Logan. Logan… aquela relação que trouxe à baila os daddy issues de Rory. Menino riquinho, aventureiro e muito centrado nele próprio, Logan é o reflexo do que Christopher era quando era novo. E este paralelismo é mantido até ao fim desta temporada, estando intimamente ligado aquelas quatro afamadas últimas palavras da série. Para manter esta crónica spoiler-free, vou só dizer o seguinte sobre elas: são o arco perfeito para terminar esta história de mãe e filha.

Acima de tudo, Gilmore Girls voltam a deixar saudades e, com muitas questões importantes sem resposta, deixam a porta aberta para um novo retorno.

Até porque, citando a própria Lorelai: it’s a lifestyle, it’s a religion!

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