Liga de Mulheres

 

Quando era miúda, brinquei muitas vezes às princesas. Princesas que estavam sempre em apuros. Princesas que precisavam de ser salvas por um príncipe para viverem felizes para sempre. Princesas que, na verdade, nada me ensinaram sobre lutar pelo que quero e acredito, pois todas elas ficavam à espera que alguém lutasse por elas.

Um dia, entre brincadeiras, vi um filme que marcou a mudança da minha visão sobre as limitações e capacidades das Mulheres. Esse filme também tinha uma princesa, mas era uma princesa guerreira, com (a) força, que mesmo quando se viu numa situação em que precisava de ser salva (e estava em bikini), ela própria tomou as rédeas da missão e acabou por matar o seu agressor.

 

A princesa Leia será, para sempre, uma das primeiras forças femininas a popular o grande ecrã.

No entanto, em retrospetiva, ela foi um oásis num deserto, uma presença feminina que se destacava no amplo boys’ club da trilogia original de Star Wars. E mesmo quando olhamos para lá do elenco principal, vemos que as personagens femininas eram escassas, de pouca relevância narrativa e tinham muito pouco tempo de antena (shocker alert: sabiam que, para além de Leia, só houve mais três mulheres com falas na trilogia original?).

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Na segunda fase de episódios da saga, parecia haver uma ligeira melhoria quanto à presença de fortes figuras femininas. Chegaram até a haver mulheres no Conselho Jedi e Padmé era uma importante líder política.

No entanto, na verdade as Jedi tiveram meros papéis secundários e facilmente esquecíveis e a personagem de Padmé teve mais impacto narrativo por ser o interesse amoroso de Anakin, que, em última instância, acabou por o levar a cair no Lado Negro da Força, do que propriamente pela sua influência no Senado.

 

Mas, de repente, chegou uma nova era de guerras galácticas que despertou novas forças femininas no campo de batalha e no centro da narrativa.

Leia voltava com toda a pujança, reafirmando o seu papel de líder da Resistência, não tendo medo de tomar as devidas medidas para parar o Lado Negro da Força, mesmo que desse lado esteja o seu filho.

 

E Rey… Rey vai-nos surpreendendo à medida que a tensão narrativa vai crescendo.

Ela é desembaraçada, inteligente e confiante.

Ela é leal, poderosa e, claro, espectacular a pilotar naves.

E, se alguém tinha dúvidas, há um momento dela com Han Solo que define toda a sua relevância e o próprio tom do filme: quando Solo lhe passa uma arma, ela diz “I think I can handle myself” e a resposta dele é simplesmente “That’s why I’m giving it to you.”. É mesmo isso!

 

Se o episódio VII já nos surpreendeu pela onda de Girl Power, o Rogue One não ficou atrás.

Tal como Rey, também Jyn Erso tem uma força que transcende géneros.

Também ela não precisa de estar super produzida para ser incrível.

Também ela é uma rebelde e uma heroína.

Também ela se sabe defender sem precisar da ajuda de um príncipe.

 

Parece que, após anos na sombra, a Força no Feminino já não está numa galáxia assim tão, tão longe…

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