2016: O Ano da “Peak TV”

O balanço de 12 meses incomparáveis de televisão.

 

 

Dado que tiveram que inventar um termo – “peak tv” – para a quantidade de fantástica televisão que se produz actualmente, o meu top do ano não podia ser a 5 nem a 10. Vamos lá então fazer a revisão desde excelente ano para o pequeno ecrã:

 

The Night Of (Season 1)

Oito episódios de uma história soberbamente contada, com personagens e actores a merecerem o protagonismo. Escrita, realização, fotografia, música e edição sem defeitos.

 

Horace and Pete (Season 1)

É drama, é comédia, é sequer uma série? O que Louis CK mandou para o mundo este ano foi das coisas mais bem escritas e interpretadas que se fizerem em frente a uma câmara nos últimos anos. Não recomendável a fazer binge watching a quem morar acima de um segundo andar.

 

Atlanta (Season 1)

Donald Glover mostrou que as séries de meia hora podem ser literalmente qualquer coisa e ainda encontrou alguns dos melhores actores desconhecidos que aí andavam para popular o seu universo.

 

BoJack Horseman (Season 3)

Não faz grande sentido que algumas das personagens mais humanas na televisão este ano tenham sido cavalos, cães e gatos depressivos em animação, mas foram.

 

Better Call Saul (Season 2)

O sucedâneo de Breaking Bad é talvez a coisa mais bem realizada em televisão e arrisca-se a ser tão bom como o original. Menos do irmão estranho e chato do Saul ajudaram a uma temporada excelente.

 

Black Mirror (Season 3)

Nenhum dos seis episódios desta temporada entrou no meu top 2 da série mas a série alternou sempre entre o “muito decente” e o “excelente”. Para ver um episódio de cada vez e deixar respirar.

 

Game of Thrones (Season 6)

Mais uma temporada de alta qualidade e o episódio de televisão mais falado do ano (com razão).

 

Westworld (Season 1)

A mais recente série a tentar suceder ao Lost em teorias de fãs e mais-perguntas-que-respostas pode ser a que finalmente consegue. Com mais virtudes que defeitos, a espera pela segunda temporada só em 2018 vai custar.

 

Stranger Things (Season 1)

A série sensação do Verão foi como um cobertor quentinho que nos lembrou as saudades que temos dos anos 80.

 

Veep (Season 5)

A comédia da Casa Branca corre cada vez mais o risco de se tornar realista. Daquelas séries que uma pessoa se habitua a ser sempre boa e se esquece de apreciar o quão boa é.

 

You’re The Worst (Season 3)

A anti-comédia romântica arriscou muito na terceira temporada que dedicou muita atenção aos temas de doenças mentais e stress pós-traumática. E ganhou a aposta com episódios não só bons como relevantes.

 

Silicon Valley (Season 3)

A comédia de nerds com um dos melhores elencos por aí (olá TJ Miller) não saiu muito da zona de conforto mas manteve o alto nível que tinha habituado.

 

Son of Zorn (Season 1)

Há séries que se debruçam sobre perguntas que toda a gente já se fez. Esta questiona-se – como seria se o He-Man se mudasse para a cidade americana onde moram o filho e a ex-mulher na tentativa de recuperar essas relações enquanto tenta suprimir os hábitos de barbárie – como arrancar cabeças – a que se acostumou? Isto misturando animação com imagem real.

 

Lovesick (Season 2)

Uma comédia britânica em partes iguais fofa, engraçada e agridoce sobre um jovem que tem que comunicar a todas as suas ex- que podem ter uma DST. Melhor surpresa do ano (a série, não a std)

 

Girls (Season 5)

Depois de patinar um bocado nas duas temporadas anteriores, a série de Lena Dunham teve o seu melhor e mais maduro ano, arriscando sempre na medida certa.

 

The Good Place (Season 1)

O cada vez mais raro caso de uma comédia de “network” (ou seja, nem de cabo nem dos serviços de streaming, onde se arrisca sempre mais) que de facto tem algum sal, a série criada por Michael Schur (de Parks & Rec) e com Kristen Bell e Ted Danson sobre uma rapariga erradamente enviada para o paraíso foi das boas surpresas de 2016.

 

Search Party (Season 1)

Outro exemplo de géneros misturados (é uma comédia, é um mistério, é um policial?) no formato de meia hora, a série consegue sempre ser imprevisível onde o espectador acha que vai adivinhar o próximo passo.

 

American Crime Story – The People vs OJ Simpson (Season 1)

Um dos mais famosos casos de justiça do mundo contado através dos talentos de John Travolta, as sobrancelhas do John Travolta, o Ross dos Friends, Cuba Gooding Junior mas sobretudo Sarah Paulson, Courtney B. Vance e Sterling K Brown, três das melhores performances em tv em 2016. Tinha tudo para não funcionar, mas funciona.

 

Fargo (Season 2)

Não há grande razão para a excelente série de antologia (todas as temporadas são independentes e não relacionadas com as outras) não estar mais acima na lista tirando o mero facto de eu ter preferido a primeira season (ao contrário da vasta maioria dos críticos). Excelentes elencos e histórias de violência passadas vagamente no meio dos Estados Unidos unem as tramas.

 

Vinyl (Season 1)

A série entretanto já cancelada e produzida por Martin Scorsese, Mick Jagger e Terrance Winter foi lascada por críticos sobre a indústria da música nos anos 70 merecia um bocadinho mais de oportunidade para crescer.

 

 

Bónus – Unscripted

Billy on the Street

Sem dúvida nem exagero a coisa que mais me faz rir em televisão, o bizarro programa de rua com celebridades e anónimos nova-iorquinos a serem surpreendidos pelo espalhafatoso Billy Eichner é as vezes chato de encontrar nas internets, mas vale tanto a pena.

 

Last Week Tonight

John Oliver, legítimo sucessor de Jon Stewart nisto de nos informar e educar da maneira mais engraçada e humana possível não só é boa televisão como é televisão importante.

 

Taskmaster

Um game-show com comediantes britânicos, dois anfitriões que se complementam e provas tão bizarras como inteligentes são receita para óptimo entretenimento.

 

Masterchef Brasil (Season 3)

Não sei bem porque mas a terceira temporada do Masterchef brasileiro (que está todo oficialmente e organizadamente no youtube) foi excelente a nível de execução, drama, participantes e júri.

 

Shark Tank (Season 7-8)

Poucas coisas me relaxam e fazem sorrir tanto como o Shark Tank (o americano, óbvio)

 

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