Quem tem lugar na linha de partida?

Depois de uma honrosa carreira como jogador independente, o meu blog “Na Rota dos Óscares” vendeu-se ao sistema e juntou-se a um “franchise” maior. Piadolas à parte, é com grande orgulho que estreio a nova vida desta minha loucura anual neste site de que tanto me orgulho também.

Para os estreantes nesta minha proposta, este espaço vai servir para eu olhar para os nomeados aos Óscares e oferecer as minhas opiniões sobre o calibre dos mesmos, com vários textos de crítica por semana, e terminando com a escolha dos melhores do ano, algumas previsões sobre quem deverá vencer e até um concurso de previsões aberto a todos os nossos leitores.

Para começar, vou apontar a minha mira aos potenciais nomeados que vão ser anunciados amanhã, lançando oficialmente a corrida aos Óscares. Três filmes estão na linha da frente para acumular uma dose considerável de prémios: “Manchester by the Sea”, “Moonlight” e, acima de tudo, “La La Land”. O filme do jovem Damien Chazelle é, para já, o grande favorito à vitória final nos Óscares e, dado que cumpre os requisitos também para uma série de prémios mais “técnicos”, irá quase garantidamente superar os dois dígitos nas nomeações – pelas minhas contas, deverão chegar às 13.

De resto, temos alguns filmes “consensuais”, como “Fences” ou “Hidden Figures”, e um sem número de obras de todas as formas e feitios a completar o ramalhete. Tudo isto torna a minha missão de tentar prever os nomeados impossivelmente difícil, mas também qual é a piada de Óscares sem surpresas?

Sem mais demoras, seguem as minhas previsões para as oito categorias principais:

 

Melhor Filme

“Arrival”

“Fences”

“Hacksaw Ridge”

“Hidden Figures”

“La La Land”

“Lion”

“Manchester by the Sea”

“Moonlight”

“Silence”

 

Antes de mais, estas escolhas têm sempre um asterisco, dado que o novo método de seleção dos filmes faz com possam ser entre 5 a 10 filmes nomeados. Como têm sido quase sempre nove, decidi limitar a minha escolha assim. Dito isso, apenas três filmes nesta lista são “garantidos”: “La La Land”, “Manchester by the Sea” e “Moonlight”. Quanto aos outros, foram uma seleção entre uma longa lista de filmes na qual contavam também obras como “Hell or High Water”, “Jackie”, “Loving”, “Nocturnal Animals” ou até mesmo “Captain Fantastic”.

 

Melhor Realizador

Damien Chazelle – “La La Land”

Barry Jenkins – “Moonlight”

Kenneth Lonergan – “Manchester by the Sea”

Dennis Villeneuve – “Arrival”

Denzel Washington – “Fences”

 

Tal como acontece na lista de melhor filmes, temos três nomes aqui com presença essencialmente garantida: Damien Chazelle, Barry Jenkins e Kenneth Lonergan. Na luta pelos dois lugares restantes, acho que Denzel Washington vai gozar do seu prestígio de nome para garantir um lugar com o seu trabalho em “Fences”. Restam Denis Villeneuve e Garth Davis, ambos nomeados aos Directors Guild Awards. Estou confiante que o realizador de “Arrival” vai cimentar a sua ascensão na indústria com uma nomeação.

 

Melhor Ator

Casey Affleck – “Manchester by the Sea”

Andrew Garfield – “Hacksaw Ridge”

Ryan Gosling – “La La Land”

Viggo Mortensen – “Captain Fantastic”

Denzel Washington – “Fences”

 

Dado que Casey Affleck é o gigantesco favorito à vitória, é o único verdadeiramente garantido nestas nomeações. Dito isso, Ryan Gosling e Andrew Garfield deverão ter nomeações pelas suas interpretações impressionantes. Restam dois lugares. Acabei por escolher os trabalhos de dois veteranos imensamente respeitados, com Viggo Mortensen e Denzel Washington, mas o trabalho de Joel Edgerton em “Loving” também tem recebido rasgados elogios e pode muito bem furar algumas previsões.

 

Melhor Atriz

Amy Adams – “Arrival”

Ruth Negga – “Loving”

Natalie Portman – “Jackie”

Emma Stone – “La La Land”

Meryl Streep – “Florence Foster Jenkins”

 

Uma das categorias mais em aberto este ano, com apenas Natalie Portman e Emma Stone com algum destaque nesta fase precoce da corrida. Nos restantes nomes, percorri um espectro que vai desde novos valores (Ruth Negga), nomes em ascensão (Amy Adams) e Meryl Streep, que dispensa categorização. Ainda assim, não estou totalmente convencido que Emily Blunt (nomeada aos SAGs) e Isabelle Huppert (vencedora de um Golden Globe) não se possam intrometer na luta por uma nomeação.

 

Melhor Ator Secundário

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Mahershala Ali – “Moonlight”

Jeff Bridges – “Hell or High Water”

Hugh Grant – “Florence Foster Jenkins”

Lucas Hedges – “Manchester by the Sea”

Dev Patel – “Lion”
De todos os prémios, este é aquele que tem uma lista de nomeados mais consolidada. Os cinco nomes que destaco aqui têm sido nomeados em conjunto em quase todos os prémios de relevância, incluindo os SAG Awards, normalmente tão influentes. Há uma vaga possibilidade do papel de Kevin Costner em “Hidden Figures” lhe valer uma nomeação “surpresa”. A acontecer, deverá ser no lugar do jovem Lucas Hedges, de “Manchester by the Sea”. Ainda assim, é pouco provável que haja grandes surpresas aqui.

 

Melhor Atriz Secundária

Viola Davis – “Fences”

Naomie Harris – “Moonlight”

Nicole Kidman – “Lion”

Octavia Spencer – “Hidden Figures”

Michelle Williams – “Manchester by the Sea”

 

Vamos ser sinceros: Viola Davis já basicamente ganhou este prémio. Está entregue. Done. A construção desta lista é um simples exercício de destaque do bom trabalho que tem sido feito este ano. Ponderei Greta Gerwig, em “20th Century Women” ou até uma dupla nomeação para o aclamado “Hidden Figures”, com Janelle Monáe a intrometer-se na corrida. Mas a verdade é que acho que esta lista de quatro excelentes atrizes pode provavelmente começar a preparar-se para sorrir educadamente enquanto Davis faz o seu discurso.

 

Melhor Argumento Original

Damien Chazelle – “La La Land”

Kenneth Lonergan – “Manchester by the Sea”

Jeff Nichols – “Loving”

Matthew Ross – “Captain Fantastic”

Taylor Sheridan – “Hell or High Water”

 

De categorias em aberto, chegamos a uma em que tudo se torna um pouco mais difuso. Chazelle e Lonergan deverão contribuir para o crescente número de nomeações para os seus filmes e Taylor Sheridan também não deverá ser ignorado pela Academia. Nos restantes dois lugares, escolhi dois cineastas americanos a marcar um lugar entre os gigantes da Academia, mas é importante não descorar uma nomeação para a loucura surreal construída por Yorgos Lanthimos e Efhtymis Filippou em “The Lobster”.

 

Melhor Argumento Adaptado

Tom Ford – “Nocturnal Animals”

Barry Jenkins – “Moonlight”

August Wilson – “Fences” (póstumo)

Eric Heisserer – “Arrival”

Allison Schroeder e Theodore Melfi – “Hidden Figures”

 

Para terminar, uma escolha variada de propostas marcam esta categoria. Temos jovens valores e lendários dramaturgos com candidaturas póstumas ao prémio. Temos ficção científica e histórias reais em que a ciência dá o mote. Mas devo admitir que estou relativamente pouco confiante nestas minhas escolhas. Assim, reservo um lugar para Luke Davies, com “Lion” e o tresloucado em mim gostava de ver Rhett Reese e Paul Wernick receberem uma nomeação pelo hilariante argumento que escreveram para “Deadpool”.

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