Uma página perdida na História: “Hidden Figures”

As grandes mulheres por trás de grandes feitos.

 

Título Português: Elementos Secretos (EUA – 2016)
Realizador: Theodore Melfi
Argumento: Allison Schroeder, Theodore Melfi
Protagonistas: Taraji P. Henson, Octavia Spencer, Janelle Monáe

Nomeações: 3 (Melhor Filme, Melhor Atriz Secundária, Melhor Argumento Adaptado)

Este filme é o que acontece quando se junta a incrível história de três grandes mulheres com o excelente trabalho de três grandes atrizes. Theodore Melfi e Allison Schroeder dão o merecido destaque ao trabalho de três cientistas negras que, numa época que colocava mulheres nos bastidores e a comunidade negra no banco de trás do autocarro, tiveram um contributo decisivo na corrida ao espaço dos EUA.

Nos anos 60, a NASA empregou um grupo de talentosas mulheres negras nas suas divisões de computação, essenciais nos esforços de cálculos de trajetórias para os primeiros foguetões lançados ao espaço na luta com a União Soviética pelo domínio da estratosfera. Destas, destaca-se o trabalho de Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughan (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe).

Destas três atrizes, foi Octavia Spencer quem acabou por merecer o destaque da Academia, com mais uma nomeação como Melhor Atriz Secundária (chegou mesmo a ganhar com “The Help”). A veterana atriz encarna Dorothy Vaughan habituada a lidar com pessoas que teimam em não reconhecer o seu valor, mas que encarna estes obstáculos com um sorriso na cara – ainda que este seja quase sempre tingido com uma pitada generosa de sarcasmo.

Mas se foi Spencer quem recebeu as honras de uma nomeação, as suas coprotagonistas podiam muito bem ter seguido o mesmo caminho. Taraji P. Henson é excelente como Katherine Johnson, um prodígio com um talento especial para os números e uma reserva de força interior que a ajuda a navegar o preconceito dos homens brancos que a rodeiam. E não podemos esquecer Janelle Monáe, a maior revelação deste filme. A cantora tornada atriz é irrepreensível no papel de uma engenheira à frente do seu tempo, forçada a lutar pelo direito de sequer trabalhar no sonho partilhado na nação americana.

Também excelente está Kevin Costner, uma figura de liderança e poder como Al Harrison, o diretor do programa espacial que tem de lidar com a exigência de uma missão sem precedentes e uma sociedade em grandes clivagens. O modo como Harrison recebe o trabalho de Katherine Johnson é uma das evoluções de personagem mais interessantes em todo o filme.

Por fim, gostava de destacar o uso interessante de música ao longo de todo o filme. Em momentos-chave da narrativa, um misto de clássicos da soul e novas canções com a assinatura do incomparável Pharrell Williams pontuam as emoções essenciais de cada cena. Muitas vezes emprestando até uma dose de humor que se revela fundamental nesta história de grandes vitórias envenenadas por desnecessários obstáculos.

Em última instância, “Hidden Figures” ilustra o imenso valor da arte de uma história bem contada. Na eterna busca pelos nossos sonhos, na demanda pela próxima fronteira, contámos com o contributo de homens e mulheres de todas as raças, idades e contextos sociais. Sem filmes como este, o contributo de três gigantes talentos poderia para sempre ter ficado na penumbra da História da Humanidade. Se a única coisa que este filme conseguir for colocar um holofote nesta página perdida da ciência, já será muito mais do que suficiente.

 

Classificação: ⭐️⭐️⭐️⭐️ (4 Estrelas)

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