Quão grande vai ser a festa de “La La Land”?: Previsões oficiais dos Óscares de 2017

O musical de Damien Chazelle é o grande favorito aos Óscares.

 

 

Olhando para as preferências dos críticos e peritos das indústrias deste ano, é impossível não antever uma grande noite de “La La Land” nos Óscares este ano. Acreditem: será uma questão de saber quantos prémios vai mesmo levar para casa e se vai ou não bater recordes este domingo.

Isso não quer dizer que não tenham havido algumas escolhas absolutamente demoníacas este ano. Posso dizer que faço isto há algum tempo e não me lembro de ter estado tão indeciso em algumas categorias como estive este ano.

Dito isto, e sem mais demoras, aqui vão as minhas previsões oficiais sobre os grandes vencedores dos Óscares deste ano:

 

Melhor Filme

“Arrival”

“Fences”

“Hacksaw Ridge”

“Hell Or High Water”

“Hidden Figures”

“La La Land” – Com vitórias em essencialmente todos os grandes prémios, não deverão haver grandes dúvidas que “La La Land” é o gigante favorito nesta categoria. Chegou-se a falar de “Manchester By The Sea” como grande concorrente e, à medida que a corrida foi cristalizando, “Moonlight” chegou-se à frente na luta pelo grande prémio. Até tivemos a surpreendente vitória de “Hidden Figures” como Best Ensemble Cast nos SAG Awards – relevante, dado que os atores foram o grupo mais significativo de votantes da Academia. Ainda assim, a cerimónia deverá ser coroada com uma vitória do dinâmico e nostálgico musical. A grande dúvida será mesmo quantos Óscares acumulou até aí.

“Lion”

“Manchester By The Sea”

“Moonlight”

 

Melhor Realizador

Denis Villeneuve, “Arrival”

Mel Gibson, “Hacksaw Ridge”

Damien Chazelle, “La La Land” – A última vez que o vencedor dos Directors Guild of America Awards não venceu também o Óscar foi em 2002. Apesar de, nos últimos anos, a Academia se ter revelado mais permeável a separar os vencedores em Melhor Filme e Melhor Realizador – o que daria alguma hipótese a Barry Jenkins – essa escolha tende a ser feita para distinguir o realizador com o feito mais tecnicamente ambicioso, mais “difícil”. Ora, essa distinção, este ano, calha também a Damien Chazelle. Assim, não tenho grandes dúvidas que o jovem realizador, depois do excelente “Whiplash”, deverá fazer história ao tornar-se o mais novo de sempre a ganhar nesta categoria, com 32 anos.

Kenneth Lonergan, “Manchester By The Sea”

Barry Jenkins, “Moonlight”

 

Melhor Ator Principal

Casey Affleck, “Manchester By The Sea”

Andrew Garfield, “Hacksaw Ridge”

Ryan Gosling, “La La Land”

Viggo Mortensen, “Captain Fantastic”

Denzel Washington, “Fences” – Aqui, a luta está essencialmente reduzida às duas excelentes performances de Casey Affleck e Denzel Washington. Na verdade, durante grande parte desta corrida ao Óscar o prémio parecia destinado a Affleck, que tinha vindo a “varrer” todos os grandes prémios. Mas eis que eventualmente chegámos aos prémios do sindicato dos atores e, contra todas as expectativas, Washington ganhou. Assim, dada a frequência com que os SAGs “acertam” nestes prémios, as alegações de abuso sexual que têm rodeado Affleck e, vamos ser sinceros, o desejo da Academia de contrariar a tendência “Oscars So White” dos últimos dois anos, dou a mais leve das vantagens a Denzel.

 

Melhor Atriz Principal

Isabelle Huppert, “Elle”

Ruth Negga, “Loving”

Natalie Portman, “Jackie”

Emma Stone, “La La Land” – Sim, o desempenho de Natalie Portman tem motivado os mais rasgados elogios por parte dos seus colegas na indústria. Sim, a nomeação surpreendente de Isabelle Huppert tem criado alguma aura de uma surpresa ainda maior com uma vitória nos Óscares. Mas não, Emma Stone deverá ganhar nesta categoria. Não só o seu papel é o motor emocional de um filme cuja apreciação está dependente do nosso investimento nas suas personagens, como a jovem atriz tem ganho todos os prémios que tendemos a considerar nestas tentativas de futurologia. Se Stone não sair vencedora como Melhor Atriz Principal, será uma das maiores surpresas de toda a noite.

Meryl Streep, “Florence Foster Jenkins”

 

Melhor Ator Secundário

Mahershala Ali, “Moonlight” – Em todas as categorias dedicadas ao trabalho dos atores e atrizes, este é aquele em que uma surpresa poderá estar mais na calha. Jeff Bridges tem o papel mais “flashy” de todos os nomeados e a vitória de Dev Patel nos BAFTA poderá indicar uma leve mudança de tendência de voto para estes Óscares. Dito tudo isto, estou razoavelmente convencido que este prémio não deverá escapar a Mahershala Ali. O seu papel em “Moonlight” é curto (entra apenas no primeiro ato de um filme dividido em três) mas ninguém pode negar que é memorável. E até também um caso em que o favorito ao prémio é quem mais o merece. Ali deverá entrar na cerimónia com bastante confiança.

Jeff Bridges, “Hell Or High Water”

Lucas Hedges, “Manchester By The Sea”

Dev Patel, “Lion”

Michael Shannon, “Nocturnal Animals”

 

Melhor Atriz Secundária

Viola Davis, “Fences” – Dada a brutal importância do seu papel em “Fences”, Viola Davis devia ter sido nomeada para Melhor Atriz Principal. Se fosse ela a concorrente de Emma Stone nesse prémios, seria um dos mais disputados da noite. Mas, numa decisão recorrente em que os produtores candidatam certas performances a categorias onde terão melhores possibilidades de ganhar, Davis foi inscrita como Atriz Secundária. E o prémio está essencialmente entregue. Depois de ter levado para casa o Tony pela sua performance na peça de teatro que inspirou este filme, Viola Davis, uma das atrizes mais respeitadas em Hollywood, pode já começar a guardar lugar na estante para o seu Óscar.

Naomie Harris, “Moonlight”

Nicole Kidman, “Lion”

Octavia Spencer, “Hidden Figures”

Michelle Williams, “Manchester By The Sea”

 

Melhor Argumento Adaptado

Eric Heisserer, “Arrival”

August Wilson, “Fences”

Allison Schroeder e Theodore Melfi, “Hidden Figures”

Luke Davies, “Lion”

Barry Jenkins e Tarell Alvin McCraney, “Moonlight” – Por discórdia técnica sobre o que podemos considerar um argumento “adaptado” ou “original”, ambos os vencedores nos Writers Guild Awards concorrem na mesma categoria nos Óscares. Assim, temos aqui uma corrida dominada por dois candidatos. “Arrival” é um dos mais impressionantemente construídos puzzles narrativos deste ano de cinema e tem recebido muito “buzz” nesta corrida ao Óscar. Mas acho que, dado que “Moonlight” deverá ser batido nos prémios principais da noite, a Academia irá ter aqui uma excelente oportunidade para destacar o delicado trabalho de Barry Jenkins com um Óscar de Melhor Argumento Adaptado.

 

Melhor Argumento Original

Taylor Sheridan, “Hell Or High Water”

Damien Chazelle, “La La Land”

Yorgos Lanthimos e Efthymis Filippou, “The Lobster”

Kenneth Lonergan, “Manchester by the Sea” – Esta será a escolha que me irá fazer perder mais sono. A possibilidade dos votantes quererem premiar o Melhor Filme pelo seu argumento também está bastante presente nas minhas equações e tem sido recorrente nos últimos anos. A acontecer, poderá ser o prenúncio de uma noite gigante para o musical de Damien Chazelle. Ainda assim, estou em crer que, com “Manchester By The Sea” também em competição pelo prémio, Kenneth Lonergan poderá receber esta estatueta como “prémio de consolação”. Ainda assim, repito, este é possivelmente o prémio mais difícil de prever de toda a noite. Se Chazelle sair vencedor, será tudo menos um choque.

Mike Mills, “20th Century Women”

 

Melhor Fotografia

“Arrival”, Bradford Young

“La La Land”, Linus Sandgren

“Lion”, Greig Fraser

“Moonlight”, James Laxton

“Silence”, Rodrigo Prieto

 

Melhor Filme de Animação

“Kubo And The Two Strings”, Travis Knight e Arianne Sutner

“Moana”, Ron Clements, John Musker e Osnat Shurer

“My Life As A Zucchini”, Claude Barras e Max Karli

“My Red Turtle”, Michael Dudok de Wit e Toshio Suzuki

“Zootopia”, Byron Howard, Rich Moore e Clark Spencer

 

Melhor Filme Estrangeiro

“A Man Called Ove”, Sweden

“The Salesman”, Iran

“Tanna”, Australia

“Toni Erdmann”, Germany

“Land of Mine”, Denmark

 

Melhor Documentário

“Fire At Sea”

“I Am Not Your Negro”

“Life, Animated”

“O.J.: Made In America”

“13th”

 

Melhor Montagem

“Arrival”, Joe Walker

“Hacksaw Ridge”, John Gilbert

“Hell Or High Water”, Jake Roberts

“La La Land”, Tom Cross

“Moonlight”, Joi McMillon e Nat Sanders

 

Melhor Direção Artística

“Arrival”

“Fantastic Beasts And Where To Find Them”

“Hail. Caesar!”

“La La Land”

“Passengers”

 

Melhor Guarda-Roupa

“Allied”

“Fantastic Beast And Where To Find Them”

“Florence Foster Jenkins”

“Jackie”

“La La Land”

 

Melhor Banda Sonora Original

“Jackie”, Mica Levi

“La La Land”, Justin Hurwitz

“Lion”, Dustin O’Halloran e Volker Bertelmann

“Moonlight”, Nicholas Britell

“Passengers”, Thomas Newman

 

Melhor Música Original

“Audition (The Fools Who Dream” de “La La Land”

“Can’t Stop The Feeling” de “Trolls”

“City Of Stars” de “La La Land”

“The Empty Chair” de “Jim: The James Foley Story”

“How Far I’ll Go” de “Moana”

 

Melhor Caracterização

“A Man Called Ove”

“Star Trek Beyond”

“Suicide Squad”

 

Melhor Montagem de Som

“Arrival”

“Deepwater Horizon”

“Hacksaw Ridge”

“La La Land”

“Sully”

 

Melhor Mistura de Som

“Arrival”

“Hacksaw Ridge”

“La La Land”

“Rogue One”

“13 Hours”

 

Melhores Efeitos Visuais

“Deepwater Horizon”

“Doctor Strange”

“The Jungle Book”

“Kubo And The Two Strings”

“Rogue One”

 

Melhor Documentário, Curta-Metragem

“Extremis”

“4.1 Miles”

“Joe’s Violin”

“Watani: My Homeland”

“The White Helmets”

 

Melhor Curta-Metragem, Animação

“Blind Vaysha”

“Borrowed Time”

“Pear Cider and Cigarettes”

“Pearl”

“Piper”

 

Melhor Curta-Metragem, Live Action

“Ennemis Intérieurs”

“La Femme Et Le TGV”

“Mindenki”

“Timecode”

“Silent Nights”

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2 Comments
  1. João Ricardo 26 Fevereiro, 2017 Reply
    • Pedro Quedas 8 Março, 2017 Reply

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