“Logan” ou Os brutos também amam.

 

Título original: Logan (EUA – 2017)
Realizador: James Mangold
Argumento: Scott Frank, James Mangold, Michael Green
Protagonistas: Hugh Jackman, Patrick Stewart, Dafne Keen

“Logan” é um filmaço.

É de longe o melhor filme da série “X-Men”.

Hugh Jackman, que sempre foi um grande ator – apesar de não ser reconhecido por isso – mostra como é possível transformar um personagem da banda desenhada num sujeito de carne e osso (mesmo que seja osso coberto de Adamantium).

Patrick Stewart – um senhor – faz um Professor X velhinho, velhinho com tudo de triste e doce que isso tem. James Mangold, um realizador que eu nunca tive em grande consideração (“Wolverine”, o filme anterior que ele fez com Hugh Jackman é bem idiota) faz aqui um tratado sobre como se realiza uma adaptação dos quadrinhos para o cinema.

Toma lá um spoilerzinho – Em 2029, um Wolverine velho e doente tem que levar uma rapariga mutante para um refúgio onde os mutantes são amados e protegidos. Um lugar tão onírico e perfeito que se auto intitula “Éden”. Para lá chegar, tem que seguir determinadas coordenadas. Mas logo descobre que as tais coordenadas saíram diretamente de uma banda desenhada dos X-Men de quem a miúda é fã.

Ou em outras palavras: realizar um filme baseado nas coordenadas malucas das páginas da banda desenhada é um disparate tão grande, um non-sense tão absurdo que só pode levar a lugar nenhum.

Ao deixar isso claro, “Logan” rejeita esse absurdo típico da BD e passa de mais um filme de super-heróis para ser um western – não é por acaso que o filme compara o personagem do Wolverine com o Shane, o cowboy mais famoso do cinema e que no Brasil foi chamado de “Os Brutos Também Amam” (tão fofinho).

“Logan” faz tudo isso e ainda consegue ser o filme mais atual do cinema pós-Donald Trump – criados no México, os novos mutantes são perseguidos e assassinados na América.

Como na vida real, a única solução é – adivinhem – fugir pro Canadá.

Um filme com essa classe nem precisaria de sensacionais cenas de pancadaria, mas “Logan” entrega um Wolverine raivoso, assassino, matando e cortando sem medo de ser feliz, numa violência tarantinesca – quase me arrependi de ter levado as minhas filhas pra ver o filme.

Depois disso tudo só me resta pedir ao Ben Affleck (e a quem mais): pelamordeDeus, antes de fazer o próximo Batman assista “Logan” – é exatamente um filme assim que a malta quer.

 

 

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