Crónicas de Tatooine

 

O mundo poderia ser igual sem Star Wars, mas a vida de Vânia Araújo seria bem mais triste sem esta saga criada por George Lucas. As Crónicas de Tatooine exploram todo o ambiente em redor da história em que pontificam heróis e vilões galácticos no meio de muitas localizações incríveis.

O que leva alguém adulto a querer andar por aí de fato posto ou a vestir a ‘pele’ de um personagem galáctico? O sentido de pertença a algo maior ou a lealdade a uma causa maior feita de solidariedade? Na verdade, é um pouco a combinação destas duas vertentes…

A um mês de mais uma Celebration, por aqui, em Tatooine, celebramos a Legião 501 e a Legião Rebelde, partilhando um pouco destes clubes de fãs que são muito mais do que isso. Clubes de fãs há milhares espalhados por esse mundo fora e dedicados a tudo o que a imaginação alcança: moedas, cromos, músicos, actores e depois há as Legiões de Star Wars que, além de serem um clube de fãs, são também uma porta para acções de voluntariado. Aqui há stormtroopers, jawas, princesas e muito amor para dar. Parece ‘cliché’, mas é mesmo isto.

Tudo começou por volta de 1997, quando Albin Johnson criou a Legião 501, embora não sob este nome. O que começou por ser um site para partilhar fotos de fatos de stormtroopers, rapidamente tomou outras proporções. Esta base de fãs depressa ultrapassou as fronteiras do Geocities e cresceu tanto que se transformou no que conhecemos hoje: uma legião de fãs de Star Wars que conta já com mais de 10 mil membros, todos voluntários, um pouco por todo o mundo. Portugal não é exceção e tem posto fixo no mapa há 10 anos.

Tudo funciona online. Há fóruns, dicas e regras para a construção dos fatos e sites para cada uma das bases espalhadas por todo o mundo. É online que se organizam os eventos e que os membros se vão conhecendo. E existe de tudo um pouco: desde exércitos de stormtroopers a Darth Vaders ou pilotos imperiais. Esta é a legião de “bad guys doing good”, o claim adoptado pela 501.

Um dos pontos altos para os membros da 501 foi a participação na Rose Parade, em 2007, quando George Lucas decidiu que iria querer participar na tradicional parada com 500 stormtroopers. Um trabalho de pesquisa e dedicação mas que, no final do dia, deu a estes membros uma experiência única e levou muitos deles pela primeira vez a Los Angeles, oriundos dos mais diversos pontos do mundo.

Além do amor pela saga e do gosto pelos fatos dos personagens, o que muita gente não sabe é que o principal mote desta organização é o voluntariado e o apoio a instituições e o serviço à comunidade. A 501st não cobra pelas suas participações em eventos. Ao invés, promove os donativos a instituições de caridade ou de cariz social. E isso é, de facto, o que a distingue.

“A realidade é que o mundo é um local com muita tristeza e seja qual for a personagem, onde estiver, abrem-se sorrisos e o mundo fica um local melhor”. É por isto que o Luís Canto e tantas outras pessoas por todo o mundo entram para a Legião 501 ou para a Legião Rebelde. Para o Luís, tudo começou na exposição de Star Wars que visitou o nosso país, no Museu da Electricidade, em 2006. Foi aqui que viu pela primeira vez alguns membros da 501 do Reino Unido, que o deixaram cheio de curiosidade.

 

Os bons e os maus

A 501 representa o Império. Então, mas e quem representa os heróis? A Legião Rebelde, pois claro. Pouco tempo depois da 501 ter aparecido, surgiu a Legião Rebelde, com menos membros, é certo, mas com um objetivo em comum: criar sorrisos.

Desde 2000 que na Legião Rebelde se reúnem Jedi, senadores, princesas e Wookies (e todos os que não sejam aliados do Império, claro).

Em Portugal, o Lusitanian Outpost tem morada desde o final de 2016, muito graças ao trabalho de Marco Tamissa, que pertence também à 501. Ainda não é oficialmente uma base, devido ao número de membros, mas lá se chegará. O Marco conheceu a Legião 501 em 2010, altura em que começou a dar uma ajuda nos eventos para os quais a Legião era chamada. Quando escolheu ingressar, escolheu uma armadura que lhe permitiria entrar tanto na 501 como na Rebel, caso se viesse a proporcionar: “juntei o dinheiro de sábados e horas extra, o subsídio de férias desse ano e mais uma ajuda de uma grande amiga”. O Clone Trooper foi o trabalho de um ano! “Em 2016 com o crescimento do Outpost da 501 foi possível criar a Legião Rebelde em Portugal pois tínhamos fatos que eram aprovados em ambas as legiões e assim consegui concretizar o sonho de 6 anos”, conta com orgulho.

Em Portugal é assim. Muitos dos membros pertencem às duas Legiões, como o Stephan, um dos mais recentes Jedi da Rebelde, que também responde pelo nome de código TK 11967 pela 501. Stephan sabia que existia a 501 nos Estados Unidos, mas estava longe de saber que um dia poderia viver o que chama “o sonho fantástico” de poder vestir a armadura de stormtrooper. Ficou a conhecê-la na Comic Com em Portugal e nesse dia não teve dúvidas: “Quando os vi na Comic Con só queria era pertencer a esse grupo”.

foto legioes

Então mas o que é preciso para entrar para a Legião?

Não basta ter uma máscara. E também não chega só ser fã. É preciso ter um fato ou uma armadura de qualidade, que se possa considerar idêntico ao do personagem. Em cada fato, por mais simples que ele possa parecer, estão investidas muitas horas de pesquisa e outras tantas de construção até que possam ser aprovados. As fotos dos fatos são um requisito para a entrada de novos membros e são meticulosamente analisadas, para garantir a qualidade dos materiais dos fatos e o quão próximos são dos reais.

Um processo moroso mas que, no final, vale mesmo a pena. Que vos diga esta que vos escreve, que decidiu juntar-se aos escalões de tão grande batalhão, algures no ano passado, munida de uma valente dose de loucura e de um sentimento de querer retribuir à comunidade de alguma forma, um pouco como todos os que conheci até agora. O primeiro “trooping”, como se chama cada um dos eventos a que as Legiões são convidadas, aconteceu na Comic Con. Apesar de tudo ser novo e por vezes até intimidante, foi como chegar a uma nova família. E é este o sentimento que os membros mais antigos tentam passar aos novos. “A primeira vez que estivemos juntos, senti-me como se fosse família e é esse sentimento que também eu tento transmitir ao pessoal que está a preparar o seu fato ou armadura”, descreve Luís Canto. Nesse fim de semana de Dezembro, foi incrível a multidão que acorria ao stand da Legião 501 apenas para tirar fotos com os personagens. E, pelo meio, ainda se angariaram donativos para uma associação e isso é que interessa! E o próximo trooping está quase, quase a chegar, mesmo antes da Celebration que irá marcar os 40 anos de Star Wars.

Star Wars foi sempre uma saga marcada pela diversidade e pela inclusão. E é precisamente esse espírito que ganhou vida nestas associações, através de pessoas reais que usam a paixão que os une para retribuir à sociedade e continuar a criar sorrisos.

Aproveitem, passem pelas páginas de facebook da 501st e da Rebel em Portugal e façam like!

FB 501st Legion Portugal

FB Rebel Legion Lusitanian Outpost

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2 Comments

  • Pedro Portela
    On 31/03/2017 10:46 0Likes

    Grande Vânia, amanhã sem dúvida levas um abraço meu na Futurália, e aquele capacete de TIE Pilot parece-me bastante familiar de quem será? Um excelente artigo que espero sensibilize quem quer trabalhar connosco e convença quem está na linha para se juntar que a 501st e a Rebel Legion são associações de voluntários que denotam-se pelo espírito de missão que é ajudar quem necessita de forma altruísta.

    IC-18127

  • Vania
    On 31/03/2017 18:44 0Likes

    Venha de lá esse abraço Pedro 🙂

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