F***, Marry, Kill: Joel Schumacher Edition

F***, Marry, Kill

 

Para os que chegam a esta crónica pela primeira vez, começo por explicar em que consiste exatamente esta minha bizarra crónica. Para os mais inocentes entre nós, “F***, Marry, Kill” é um jogo agradavelmente parvo em que, mediante três opções entre celebridades giras, celebridades bizarras ou até personagens de ficção, temos de escolher com as quais faríamos… bem, as três escolhas dadas no título. Partindo desta premissa, decidi aplicar estas regras ao mundo do cinema e da televisão. Como? Escolhendo uma figura (realizador, ator, argumentista, tudo o que me lembrar) e aplicando estas regras à sua filmografia: especificamente escolhendo uma obra sua para “f***” (um filme ou série muito revisitável, não necessariamente o melhor mas aquele que não conseguimos resistir ver se nos passar à frente dos olhos), “marry” (o mais indispensável, o favorito, aquele que, a sermos forçados a escolher apenas um para o resto da nossa vida, não conseguiríamos prescindir) e “kill” (a ovelha negra da família, que teríamos aqui a oportunidade de apagar para sempre das nossas memórias coletivas). Estamos todos esclarecidos? Comecemos então.

Joel Schumacher já foi, em tempos, um dos realizadores mais polarizadores de Hollywood. Capaz de obras incríveis de entretenimento e de tiros no pé tão atrozes que chegou mesmo a ter de pedir desculpa pelos mesmos. Sempre tive um lugar especial no meu coração por Schumacher, por isso a minha coluna de hoje vai com dedicatória pessoal a um dos realizadores o meu crescimento como cinéfilo.

Ponderei filmes como “Cabine Telefónica”, “Tigerland – O Teste Final” ou “O Cliente” para as duas primeiras categorias – e o desastroso “O Fantasma da Ópera” para a última –, mas penso que, numa mistura de opinião objetiva e gosto pessoal, consegui chegar às escolhas certas. Ou então fiz escolhas que vão irritar boa parte dos nossos leitores com a minha idiotice, mas isso pode sempre ter piada de outra forma.

Dito isso, e sem mais demoras, vamos lá às minhas escolhas:

 

F***: “Tempo de Matar” (1996)

Por norma, esta categoria é reservada a filmes divertidos. Obras de puro entretenimento. E pode parecer um pouco estranho descrever assim um filme sobre um advogado branco que defende em tribunal o pai de uma menina negra espancada e violada por dois supremacistas brancos. Não será propriamente a primeira coisa em que pensamos quando pensamos em cinema “pipoca”. Mas é inegável que este filme é revisitável até ao tutano. Com excelentes performances e diálogos que quase deitam faísca de tão intensos, é uma daquelas experiências que não conseguimos abandonar, seja qual for o momento em que o começarmos a ver. Um dos melhores exemplos de como fazer um filme de advogados com doses generosas de substância e “star power”. Um filme imperdível para todos os pobres coitados que, por alguma razão, ainda não o viram.

 

MARRY: “Um Dia de Raiva” (1993)

Numa das melhores performances da sua longa carreira, Michael Douglas é a âncora deste filme enganadoramente simples. Preso no trânsito, a suar em bica num dos dias mais quentes do ano, Douglas encarna um homem que, um dia, simplesmente perde a razão. O seu ar não parece ameaçador, mas cedo se torna uma máquina de destruição que devora todos os que lhe aparecem pela frente. Este filme gerou alguma polémica devido a ter um protagonista branco a perpetrar atos de violência quase sempre a minorias, mas essa é daquelas controvérsias que só pode ter sido fomentada por pessoas que não viram o filme. Douglas não é o herói neste filme. Também não é necessariamente o vilão. É apenas uma recriação humana de todas as nossas frustrações primárias. Um exemplo de como qualquer pessoa, nas circunstâncias “certas”, pode perder completamente o controlo. Numa carreira marcada por entretenimento bombástico, Schumacher mostra aqui toda a subtileza que se pode encontrar por trás do caos.

 

KILL: “Batman & Robin” (1997)

Sabem como hoje em dia olhamos para cada filme baseado num videojogo com um suspiro antecipado por sabermos que não vai sair dali coisa boa? Tempos houve em que esse era o pensamento geral para filmes de super-heróis. E um dos principais culpados para esse preconceito foi este pequeno pedaço de esterco. Depois de “Batman Para Sempre”, que era um bocado parvito mas aceitável, este foi simplesmente um tiro no pé. Desde fatos com mamilos a cartões de crédito em forma de morcego, para além de uma parada interminável de piadas secas e cenas de ação desinspiradas, absolutamente nada corre bem neste filme. Percebe-se o que queriam fazer. Queriam recriar no grande ecrã o espírito kitsch da série de “Batman” dos anos 60, com Adam West. A grande questão que fica é… porquê?

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