E.T. Cetera

 

Depois de “A Rapariga no Comboio”, penso que naturalmente se seguirá a adaptação ao cinema do sucessor de Paula Hawkins, intitulado “Escrito na Água”. É o regresso da autora bestseller ao mundo do crime & mistério, ingredientes sempre tão do agrado da generalidade de leitores e cinéfilos, pelo menos a ver pela recepção que ambas as versões tiveram. Se o filme está à altura do livro, essa será sempre a questão.

A primeira adaptação até que nem esteve mal, nunca esquecendo que o livro é o livro e quanto a isso nada se pode fazer. Até porque nenhum filme poderia retratar ao pormenor cada obra que lhe serve de base, pois correr-se-ia o risco de termos filmes com longas horas de projecção, com as consequências que daí se adivinham. Bastaria imaginar um “Guerra e Paz” integralmente passado à sétima arte.

A olhar às criticas e a quem já o leu este segundo tomo de crime & mistério de PH, parece estarmos perante um digno sucessor, o que só aumenta a expectativa quanto à sua versão cinematográfica. Cá a esperamos. Mas uma vez que falo de adaptações de livros ao cinema, não queria deixar passar em claro alguns brilhantes exemplos de como tal tarefa pode ser feita quase na perfeição e sem recurso às tais horas extras de filmagens.

Falo de duas adaptações do autor Dennis Lehane, “Gone, Baby Gone” e “Shutter Island” e, mais recentemente, desse outro campeão de vendas que foi “Em parte incerta”, da escritora Gillian Flynn. Qualquer um deles na área do crime & mistério, todos eles primorosamente adaptados à tela no modo como, quase na perfeição, retrataram as muitas linhas que lhes serviram de alimento. E se dois deles tinham tudo para, de facto, dar no que deu, pois contavam aos comandos da realização com nomes como os de David Fincher (“Em parte incerta”) e Martin Scorsese (“Shutter Island”), já “Gone, Baby Gone”, que às mãos de Ben Affleck se mostrou igualmente brilhante, poderia até nem ter passado de um filme mediano, dada a inexperiência do actor no papel de realizador. Tal não aconteceu, na minha opinião, e penso que com isso também se ganhou um realizador, o tempo o dirá.

Fecho esta crónica com uma adaptação que ainda hoje considero das mais conseguidas de sempre, se bem que fora deste âmbito do crime & mistério, mas que de tão excelentemente conseguida nunca abandonou o primeiro lugar das minhas preferências nesta matéria dos livros aos filmes. Falo de “Expiação”, no original “Atonement”, cuja realização de Joe Wright teve o mérito de transpor a enorme obra de Ian McEwan para cerca de 2 horas de pura magia, abrilhantando o que de si já era suficientemente brilhante. Claro está que, se a obra literária possui todos os argumentos necessários ao sucesso, tudo se torna, à partida, mais fácil para quem vai passá-la à tela. Mas a verdade é que nem sempre assim é. Razão por que raros são os casos em que podemos convictamente afirmar que o filme é, senão tão bom, melhor que o próprio livro. Ou a prova de que nem todos os finais são, realmente, felizes.

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