Crónicas de Tatooine

 

O mundo poderia ser igual sem Star Wars, mas a vida de Vânia Araújo seria bem mais triste sem esta saga criada por George Lucas. As Crónicas de Tatooine exploram todo o ambiente em redor da história em que pontificam heróis e vilões galácticos no meio de muitas localizações incríveis.

 

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Quarenta anos são mais do que a minha idade, mas isso é apenas um detalhe naquela que é uma história que une tanta gente no mundo. O primeiro filme de Star Wars que vi foi o Episódio II e daí já muito aconteceu. Essencialmente, estar no meio de tantos fãs foi um sonho, certa de que muitos dos que ali estavam visionaram o início da saga em 1977. Estava com as minhas pessoas.

Impressiona a quantidade de histórias e experiências de vida que se cruzam em eventos como as Celebration de Star Wars. Todos têm uma estória ou algo de especial com a saga. Foi disso mesmo que falei com uma outra fã no penúltimo dia enquanto esperávamos no início de mais uma fila. Outra fila. Como tantas outras que suportámos naqueles quatro longos, cansativos e inesquecíveis dias. Não lhe perguntei o nome (o que lamento, sinceramente), mas a paixão estava lá: durante largos minutos, olhava para o programa oficial, tirava apontamentos, escrevia num caderninho sentada no chão. Inevitavelmente, gerou-se conversa. Ela calçava uns ténis dos seus droides favoritos (uma edição especial antiga da Adidas) e mostrou-nos, orgulhosa, as fotos da sua coleção de Star Wars. E não eram em formato digital. Eram mesmo fotografias, daquelas que se enfiavam num livrinho da Kodak. Pouco ao lado, um fulano de sotaque meio indecifrável que só poderia vir da Europa – tal como nós – também conversava. Escocês de gema.

multidao

Os longos tempos de espera para a entrada tiveram destas coisas; deram para conhecer outras pessoas vindas de vários cantos do mundo. A paixão por Star Wars servia de mote para iniciar conversa. Assim, tão simples como quando éramos miúdos e conhecíamos outra criança que em 5 minutos já era nossa amiga. A atmosfera que se vive em todo o recinto é mais ou menos esta.

Muitos me perguntam: mas o que é que acontece aí? Difícil é catalogar tudo o que se passa! Conferências, workshops, autógrafos, stands de merchandising, exposições… Uma galáxia repleta de tudo. Para mim, Londres foi um agradável aquecimento para a maratona que seria Orlando. Apesar de ter acontecido em plena época pascal, foram cerca de 70 mil os que rumaram à quente e húmida Florida. Muita gente que se aglomerou durante aqueles 4 dias épicos.

 

Respirar o mesmo ar que as lendas

40anos

Mas nem só de conversas e conhecimentos se faz uma Celebration. O resto é o que torna tudo ainda mais especial – os painéis. O highlight aconteceu logo no primeiro dia, no painel da celebração do 40º aniversário da saga. A espera foi longa mas valeu muito a pena. Percebemos que seria especial assim que George Lucas entrou em palco. O mestre que começou tudo isto em carne e osso, ali mesmo à nossa frente! Foi engraçado ver a forma descomprometida com que se apresentou, numa típica camisa aos quadrados (terá outras no guarda-fatos?), contou histórias e até comparou a sua altura com a de Mark Hamill, enquanto abanava as pernas que não tocavam no chão. Depois, outra chegada inesperada. Épica. Ninguém guardou palmas quando ouviu o nome de Harrison Ford, tanto mais que foi algo de inédito em todas as Celebrations que já tinham acontecido. Mas épico mesmo foi assistir à Orquestra Filarmónica de Orlando conduzida pelo ‘mestre’ John Williams, logo após o discurso apressado mas emocionado de Billie Lourd, que entoava assim uma emocionante e merecida despedida à sua mãe, Carrie Fisher, que foi uma ausência notavelmente sentida por todos. Billie envergou um vestido branco a fazer lembrar o vestido que a mãe vestira 40 anos antes. Ligações entre o passado e o presente feitas de pequenos detalhes.

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Esta foi a tónica que marcou as celebrações dos 40 anos. Convido-vos a verem o vídeo de tributo, caso ainda não o tenham feito. No dia seguinte seria a vez de Mark Hamill fazer o seu emocionado tributo e várias foram as vezes em que a voz lhe falhou. Para quem não segue o ator, Mark é um contador de histórias. Nos painéis que protagoniza, por norma dispensa sempre um moderador. É um one man show. Foi assim que se apresentou no tributo à sua irmã gémea e foi assim que falou também às mais de 3.000 pessoas que assistiram a um dos painéis do último dia, apesar da rouquidão provocada por uma laringite. No final, foram Millie e Mabel que roubaram as atenções do público (as cadelas da filha de Hamill que os acompanham para todo o lado).

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Este ano, era também a minha estreia enquanto membro da Legião Rebelde e é claro que não podia perder a oportunidade de participar da fotografia de grupo. Nunca esquecerei o simpático senhor que estava ao meu lado vestido do velho “Ben Kenobi” que me disse: “Eu quero ficar aqui ao lado da minha neta”, como que a adivinhar as origens da Rey. Será?

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Houve também tempo para tirar uma fotografia com várias Reys, vindas de vários cantos do mundo. À hora marcada, lá estávamos, junto ao speeder da Rey, munidas de toda a indumentária necessária para marcar este momento para a posteridade. Este tipo de fotos de grupo repetiu-se um pouco por todos os dias, ora da Legião 501, ora dos Matts (sim, há cosplay do ‘Matt, The Radar Technician’), ora de todas as Leias de biquíni, protegidas pelo exército Mandaloriano.

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E houve o tão esperado trailer de The Last Jedi, num build up de meses, que culminou numa noite passada quase em claro no Orange County Convention Center, rodeada de milhares de pessoas. Que não passaria sem mais um momento épico. Desta vez não houve pizzas, mas houve, nada mais, nada menos do que o próprio Rian Johnson, rodeado de gente no local onde todos se amontoavam para, no dia seguinte, terem a possibilidade de entrarem na sala em que poderiam assistir ao painel do filme The Last Jedi.

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Se a princípio não o vi porque as pessoas eram mais do que muitas e o Rian não é assim tão alto (antes pelo contrário), ao fim de poucos minutos com a máquina apontada bem alto lá o vislumbrei. Rian esteve no meio dos fãs durante 2 ou 3 horas, a conversar, a tirar selfies e a dar autógrafos. Respect! E no dia seguinte lá estava ele a garantir-nos que claro que iríamos ver um trailer! Apesar de apenas ter conseguido lugar para a sala de streaming (ou seja, a sala que não era a principal, mas que era como se fosse), a atmosfera que se vivia na sala era igual, principalmente porque a animação havia sido muita por intermédio do pequeno Warwick Davis. As pessoas estavam felizes, expectantes e acompanharam com emoção cada segundo do painel. E quando o trailer finalmente passou, sentiu-se algo de eletrizante no ar, com flutuações curiosas consoante aqueles dois minutos decorriam no grande ecrã em frente. A excitação de ver Rey e Luke a treinarem, a ‘Luz e a Escuridão’ e, depois, uma estranhíssima aura de suspense e de incredulidade que se seguiu à frase ‘It’s time for the Jedi… to end’, proferida por Luke Skywalker. Um segundo de pausa em que – surpreendidas – as pessoas talvez quisessem aplaudir, mas a pensar que não era bem aquilo que esperava ouvir. Depois, a multidão irrompeu em aplausos. À saída, houve posters para todos, o único que trouxe de lá que ainda me falta emoldurar.

compras

Trouxe de Orlando uma mala cheia de recordações (uma mala que por pouco não chegava depois de ficar esquecida em Londres) e o coração cheio. Foi mais uma das coisas na minha senda de fazer o que me faz feliz. Pode ser maluquice, mas haverá certamente coisas piores.

 

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