Alien: Covenant

Buffet de carne humana no espaço sideral.

 

Título original: Alien: Covenant (AUS, CAN, NZL, UK, EUA – 2017)
Realizador: Ridley Scott
Argumento: John Logan, Dante Harper
Protagonistas: Michael Fassbender, Katherine Waterston, Billy Crudup

Ridley Scott é um dos meus realizadores mais estimados, com uma série de clássicos assinados pela sua mão – incluindo o meu filme favorito de sempre, “Blade Runner”. É um artista com mão igualmente delicada para a sensibilidade artística e para a pompa épica da ação. Este “Alien: Covenant” é, como é costume em Scott, um filme incrivelmente bem-feito, com apontamentos de direção artística de âmbito visual absolutamente fantástico. Dito isso, porque é que este filme sabe a tão pouco?

A razão é simples – e passo a citar o meu caro amigo Pedro Silva para explicar isto: “Conseguiram meter muita gente burra numa só nave”. E é essencialmente isto. Todos nós sabemos que há certos estereótipos de comportamento num filme de terror que aceitamos como se de evangelho se tratasse – e muitos desses comportamentos não são mais que ferramentas para facilitar a morte gradual de todos os protagonistas.

Mas este filme estica um pouco a corda. Mesmo considerando que a história deste filme se passa numa “timeline” em que os Xenomorphs ainda são uma “surpresa”, uma dose mínima de senso comum teria evitado a maioria das mortes neste filme. Pessoas separam-se constantemente, confiam em pessoas que claramente não deviam e há um momento específico em que uma dada personagem estava a falar com a mesma subtileza que um Drácula dos anos 50 e o tipo mesmo assim deixou-se levar para a morte como se estivesse hipnotizado.

Depois do sucesso do papel (relativamente) secundário de Michael Fassbender em “Prometheus”, a sua presença foi drasticamente aumentada para esta sequela. E o talentoso ator não desilude, caminhando uma agradável corda bamba entre o discreto e o pomposo que nunca deixa de ser absolutamente cativante. Ele é o melhor do filme. Pena que quase todos os atores à sua volta tenham tão pouca “carne para mastigar”, limitando-se a ser lemmings a caminhar inexoravelmente para o limite do abismo.

Como disse no início deste texto, não é que não haja muito para gostar neste filme. Visualmente é irrepreensível, o design de produção dos monstros é impecável e Ridley Scott continua a ter uma capacidade quase inigualável para emprestar ritmo a uma narrativa mesmo quando esta tem de parar para se explicar a si mesma. Mas, depois de “Prometheus” ter sido acusado de estar exageradamente fascinado com as suas próprias ideias e com as reviravoltas labirínticas da própria mitologia que estava a criar, “Alien: Covenant” procura atingir um meio termo incerto entre filosofia e pura adrenalina. O resultado é uma obra com boa execução mas sem grande coisa para executar.

 

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