Homem-Aranha: Regresso a Casa

O Homem-Aranha regressa a casa e a Marvel retorna às origens num filme de super-heróis como já não se via há tempos.

 

Título original: Spider-Man: Homecoming (EUA – 2017)
Realizador: Jon Watts
Argumento: Jonathan Goldstein, John Francis Daley, Watts e Christopher Ford, Chris McKenna, Erik Sommers
Protagonistas: Tom Holland, Michael Keaton, Robert Downey Jr., Marisa Tomei

O Homem-Aranha sempre foi meu ‘super’ favorito desde que fui introduzido ao mundo das bandas desenhadas no final dos anos 90, e nisso não estou sozinho. O Homem-Aranha é sem dúvida um dos super-heróis mais reconhecidos e populares, não apenas entre aqueles que integram a liga Marvel, mas de todos os tempos, juntamente com Batman e Superman. E como eles, o Homem-Aranha tem um grande número de adaptações ao cinema e séries animadas, algumas mais bem-sucedidas do que outras. Com isto em mente, fui assistir ao Homem-Aranha: Regresso a Casa preparado para o pior, sem muita fé no Tom Holland e na sua aparência demasiadamente jovem para ser um bom Homem-Aranha e carregar o filme consigo. E foi então que fui positivamente surpreendido.

O Homem-Aranha: Regresso a Casa talvez seja um dos melhores filmes dentro do MCU (Marvel Cinematic Universe), e consegue fazer isso sem o uso de uma escala épica e enredo demasiadamente complexo, com reviravoltas desnecessárias. Em vez disso, o filme acerta em tom e escala de uma maneira tão certeira, que funciona como um lembrete do que filmes de super-heróis deveriam ser.

Não apenas é Tom Holland um bom Homem-Aranha, com o típico humor frente aos vilões e adversidades, como também consegue ser um sólido Peter Parker na sua primeira encarnação: Um jovem inteligente mas com pouca autoestima e dificuldade em socializar com os seus pares.

Muita da mitologia original foi transformada, ajustada para o universo Marvel, e consigo perceber como outros fãs de longa data do Homem-Aranha teriam as suas reservas com o papel de tutor e patrono que Tony Stark ganha sobre Peter Parker, ou com a transformação que personagens como a Tia May, Mary Jane, Flash e outros sofrem. Mas essas mudanças acabam não prejudicando em nada a essência do herói, e fico grato de não ter de assistir novamente a uma longa sequência narrativa sobre a morte do Tio Ben.

Peter Parker ainda tem de aprender que com um grande poder vem uma grande responsabilidade. Mas desta vez, a lição é ensinada de maneira diferente. O Homem-Aranha: Regresso a Casa, mais do que uma história de heróis, também é uma história de amadurecimento, de responsabilidade e escolhas.

Se Tom Holland aparentava ser demasiado jovem para ser o novo Homem-Aranha, a maneira com que o sub-enredo do Peter Parker e os seus colegas de escola se desenrola mostra que ele está na idade perfeita para representar essa parte da vida do Peter Parker. E é justamente a humanização do Peter Parker como um jovem tímido, que luta para se ajustar socialmente, que permitia com que tantos leitores como eu se identificassem com ele.

Esse é só um dos muitos exemplos de como o filme retorna às origens, a essência do que eram as antigas histórias de super-heróis, e faz isso com a honestidade e devoção que os fãs do Homem-Aranha merecem. E como um herói é apenas tão interessante quanto os seus vilões, a reimaginação do Abutre (Michael Keaton) para o novo MCU acerta também na mosca, preservando os traços de Adrian Toomes como vilão, um homem desiludido e rancoroso de meia idade, mas dando-lhe mais profundidade, e criando uma nova mitologia em torno dele que encaixa perfeitamente com a narrativa de outros filmes.

Existem, sim, alguns detalhes que me incomodaram no Homem-Aranha: Regresso a Casa: o foco desnecessário em Tony Stark, e acho que não estou sozinho a pensar que Robert Downey Jr. já tem tempo suficiente de antena no MCU que não é necessário encontrar mais razões para inserir o seu personagem ainda mais dentro de novos filmes. A nova encarnação da Tia May (Marisa Tomei) como uma jovem e a insistência do filme de nos lembrar que ela é atraente em todas as vezes que algum ‘adulto’ interage com Parker, também parece não adicionar nada de importante à história. E mesmo com esses e outros pecados menores, o filme ainda parece, para mim, como um dos maiores acertos da Marvel desde a primeira ronda de filmes.

O Homem-Aranha: Regresso a Casa não é apenas mais um reboot de um herói que já viu três deles recentemente. É um regresso também às origens de um herói em particular e do género de super-heróis como um todo, resultando no que talvez seja um dos filmes do MCU mais consciente de si mesmo, e com uma atenção a certos detalhes que sugere a mão de algum outro fã do antigo Homem-Aranha no roteiro.

 

 

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