Wiener-Dog – Uma Vida de Cão

A vida é uma salsicha!

 

Título original: Wiener-Dog (EUA – 2016)
Realizador: Todd Solondz
Argumento: Todd Solondz
Protagonistas: Greta Gerwig, Keaton Nigel Cooke, Tracy Letts

Um cão salsicha vai transitando de lar em lar, revelando momentos das vidas de 4 excêntricos personagens.

Não terá sido em vão que Todd Solondz escolheu um cão salsicha – raça Daschund – um animal algo cómico e desajeitado para nos passear pelas vidas destes personagens algo desfasados, ver mesmo disfuncionais, quando comparados com modelos ideais vigentes na contemporaneidade.

Na primeira história, um casal dormente, interpretado por uma sempre consistente Julie Delpy e o menos conhecido Tracy Letts, salva o cão da vida de canil para que este faça companhia ao filho pequeno (Keaton Nigel Cooke), um rapazinho adorável, inquisitivo e algo sombrio para a idade. Porém o animal adoece e tem de ser levado para ser abatido, não sem antes defecar em toda a casa perfeita daquela família miserável.

Na eminência de ser abatido, o cão é mais uma vez salvo pela carente assistente de veterinário, Dawn Wiener (Greta Gerwig) que o embala como se de um bebé humano se tratasse. Dawn dá então de caras com Brandon (Kieran Culkin), um velho colega de escola com problemas de drogas, que a convida a viajar. Não tendo nada a perder, decide partir à aventura para visitar o irmão e cunhada de Brandon, um casal com trissomia, a quem o cão é deixado.

Segue-se a história de Dave Schmerz (Danny DeVito), um guionista desesperado por vender o segundo guião, mas desacreditado pelos docentes e alunos da escola de cinema em que ensina, justamente escrita para o ecrã. Dave está tão só e revoltado que armadilha o cão para fazer explodir toda a escola.

Chegamos então ao episódio final, em que uma octogenária com cancro (Ellen Burstyn) é visitada pela neta insegura e seu namorado artista, com o objectivo de conseguir mais um cheque. No final deste relato, a mulher é interpelada por várias versões de si própria enquanto mais nova, todas elas questionando-a sobre as suas escolhas. No fim do filme, o cão chega finalmente ao seu destino de uma forma que só Solondz poderia conceber.

Wiener-Dog apresenta-se-nos dono de uma bela cinematografia, boas performances e uma montagem imaculada, demonstrando um domínio dos elementos formais do cinema já habitual com o realizador. O filme tem momentos de puro humor negro capazes de induzir gargalhadas à audiência, mas, à medida que se desenrola, a intensidade vai diminuindo, para depois voltar a subir no fim, reganhando assim algum do seu ímpeto inicial. O fim é delicioso!

Tal como os cães salsicha não são caninos para todos os gostos, este não é um filme para todos, especialmente para os fãs do politicamente correcto e do pensar positivo a todo o custo. Há quem diga que Solondz é um niilista e um misantropo com tiques de maníaco-depressivo. Talvez se deva ao facto de ele expor o absurdo nas nossas pequenas-grandes vidas e o que não é controlado por nós ou mensurável em termos dos padrões da sociedade dominante, ainda assim mantendo-se cómico, amoral e empático para com os seus personagens.

No fim do filme, ficamos contagiados é mesmo pela sua candura para com os homens, pois com Todd Solondz a vida pode ser uma salsicha, mas será sempre a melhor de sempre.

 

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