Tipo o primeiro, mas com esteróides.

 

Título original: Kingsman, The Golden Circle (GBR, EUA  – 2017)
Realizador: Mathew Vaughn
Argumento: Jane Goldman, Mathew Vaughn
Protagonistas: Taron Egerton, Colin Firth, Marc Strong

Atenção a todos os que estão habituados a textos de cariz jornalístico com escrita notável. Lamento, mas este não é um desses textos. O ritmo absolutamente alucinante de Kingsman, The Golden Circle não permite prosa cuidada. Mas vamos por partes.

Não sei quantos de vocês estão com ideias de ir ver o filme, mas para os que estejam a considerar e que não tenham ainda visto o primeiro, vejam. Há sensivelmente dois anos estava sozinha em casa sem nada para fazer e com pouca vontade de pôr a cérebro a pensar. “Deixa lá ver o que é que eles têm no videoclube esta semana… Kingsman, que cagada é esta?! Oh well.” Momentos depois estava a assistir em delírio ao Colin Firth a distribuir pancada a torto e a direito numa igreja, numa das cenas de acção mais épicas de que tenho memória. A última vez que o tinha visto ele estava a tentar curar uma gaguez no King’s Speech, mas neste filme o tipo matava montes de gente com um guarda-chuva, e era espectacular!

Kingsman acabou por ser, para mim, uma das surpresas do ano. Inglês até ao tutano, com um humor por vezes completamente nonsense e cenas de acção surpreendentemente gore e estupidamente bem coreografadas. Foram duas horas de pura alegria, por isso, quando vi o trailer do segundo filme, fiquei num estado inédito de ansiedade e a contar os dias até à data da estreia. Mais ainda quando soube que iriam ser acrescentados ao elenco nomes como Julianne Moore, Jeff Bridges, Channing Tatum, Halle Berry e Pedro Pascal. Porra, só vencedores de Oscars íamos ter 4! Aparentemente eu não tinha sido a única a ficar impressionada com o primeiro filme.

O fantasma das sequelas manhosas andou a pairar sobre a minha expectativa durante semanas até que finalmente chegou o dia em que dei por mim numa sala de cinema. Eu sei que muitos de vocês vão revirar os olhos nesta parte, mas não vou perder muito tempo a divagar sobre edição, argumentos ou até os desempenhos do elenco. “She said whaaat?!…” Embora tenha sido muito competente em todas estas frentes, Kingsman vale-se sobretudo da acção, que começa sensivelmente ao segundo 15’’ e só pára no minuto 120’, sempre pontuada por movimentos de câmera impossíveis e uma energia contagiante que deve muito a uma banda sonora surpreendente.

Banda sonora essa que ganha nesta sequela uma importância colossal ou não fosse, em grande parte, composta por músicas de Elton John, um tipo baixinho com uma carreira e legado musicais tão épicos que lhe valeram um Oscar antes de qualquer um dos companheiros de elenco o terem ganho (em 1994, com um filmezeco da Disney chamado O Rei Leão). E sim, leram bem, “colegas de elenco”. Neste filme Elton John surge sensivelmente a meio como personagem secundária, mas rapidamente se destaca como muito mais que ruído de fundo. Sem nunca perder os shades, claro.

Sabe quem viu o primeiro filme que Kingsman vale pelo entretenimento e esta sequela não desilude. Boa acção, excelente comédia (muitas vezes satírica e a piscar o olho à América de Trump), um dos poucos filmes que num passado recente me entretiveram ao ponto de bater palminhas de contente.

Mesmo.

Felizmente a sala tinha pouca gente.

 

 

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