Star Wars: Episódio VIII – Os Últimos Jedi

Isto não vai correr como estamos à espera.

 

Título original: Star Wars: Episode VIII – The Last Jedi (EUA – 2017)
Realizador: Rian Johnson
Argumento: Rian Johnson (basedo nos personagens criados por George Lucas)
Actores: Daisy Ridley, John Boyega, Mark Hamill

Se há uma linha que se mantem em todas as trilogias da saga Star Wars, que tem paralelo na realidade, é a constante luta do bem contra o mal e a garantia que por muito má seja a situação, há sempre alguém que pode representar a esperança.

Com a compra LucasFilm pela Disney, desde cedo se percebeu que na linha da frente estava o regresso a uma galáxia muito, muito longe. A terceira trilogia (que Lucas achava que já não iria ter tempo de fazer, principalmente depois da recepção atribulada da trilogia das prequelas) ia mesmo ver a luz do dia.

Nas mãos de J.J. Abrams, The Force Awakens criou uma nova linhagem de personagens, mas o filme acaba por ser mais uma homenagens tailormade para fãs da trilogia original. E isso acaba por ser uma estratégia inteligente. Consegue ao mesmo tempo agradar os fãs hardcore e abrir a porta a novos protagonistas.

Em The Last Jedi, agora na mão de Rian Johnson, esses personagens ganharam uma nova dimensão e o seu próprio caminho… seguimos rumo ao futuro de Star Wars.

Contratar Rian Johnson foi um risco. É um realizador habituado a ter a sua visão e em subverter o género que tem em mãos. Foi assim em Brick e em Looper por exemplo. Há sempre muito detalhe subliminar nos seus filmes e definitivamente os seus argumentos não vêem com livro de instruções.

Entramos neste filme onde acabámos no anterior. Entre o confronto da Primeira Ordem com a Resistência e o planeta Ahch-To onde Rey (Daisy Ridley) espera conseguir que Luke Skywalker (Mark Hamill) regresse e ajude os rebeldes a fazer cair a nova ordem imposta.

Na primeira hora do filme saltamos entre estes e outros cenários paralelos com dinâmica, momentos de humor, muita ação e várias surpresas que nem o mais preparado geek estaria à espera.

Temos batalhas espaciais com confrontos de David e Golias entre chuva de lasers e manobras de X-Wing Fighters e Tie Fighters, temos novas naves, novos planetas para descobrir, novas criaturas, confrontos épicos. Tudo o que se pede. Mas acima de tudo temos a oportunidade de conhecer melhor as personagens que nos foram apresentados no episodio VII.

No centro de tudo exploramos a ligação entre Rey e Kylo Ren (Adam Driver). Afinal o que os une? Como se manifesta a força em Rey e de onde vem essa ligação. Será que as origens de Kylo ainda podem fazer com que ele se liberte da influência do Supremo Lider Snoke (Andy Serkis) que o levou para o lado negro da Força? Como diz Luke no início do filme, isto não vai correr como estamos à espera. E ainda bem.

Não podemos não falar do quão bom/difícil é voltar a ver Carrie Fisher na pele da nossa princesa favorita. A ligação entre Leia e Luke é de apertar o coração e encontra paralelo na relação com todos nós, os fãs.

Paralelamente entre mais uma série de novos e repetentes personagens, destaca-se a crescente importância de Poe Dameron (Oscar Isaac) na linha da frente da Resistência e o sentido de dever de Finn (John Boyega) a que se junta a fácil-de-adorar-imediatamente Rose (Kelly Marie Tran).

Pegando nesta última dupla, é de se mencionar que desde The Force Awakens, passando pelo stand-alone e brilhante Rogue One, há claramente uma maior diversidade no leque de personagens da saga. E isso, parecendo ou não um pormenor, seja ou não “forçado”, é de uma importância maior que a própria saga. Se há uma abertura num blockbuster desta dimensão para ter protagonistas de várias etnias ou ter mulheres no centro dos posters, isso pode influenciar a indústria e fazer perceber que também se pode fazer dinheiro sem que o protagonista tenha que ter o molde do costume.

Finalmente, muitos dos fãs originais da saga se vêm representados. Finalmente a galáxia que tanta diversidade extra-terrestre tinha, passa a ter também todas as “espécies“ terrestres.

Neste mundo novo, ou neste caso galáxia nova, há abertura para novos caminhos, novos confrontos e duelos épicos, muitas supresas pelo caminho, novos mundos por explorar. Rian Johnson abre a porta para um final que esperamos épico, mas mais que isso usa a força de maneiras que nunca tinhamos assistido. Consegue pegar num blockbuster que, apesar de ser algo que vem da cabeça de George Lucas os fãs insistem em que seja propriedade própria, e não tem medo de manter a sua assinatura e autonomia.

O resultado pode não agradar a muitos fãs que cresceram com a trilogia original, mas é definitivamente uma nova e refrescante visão do que é ou pode ser o universo de Star Wars daqui para a frente. O passado está nos videos que mantemos nas nossas prateleiras e o futuro está aqui. Tal como hoje olhamos para as tão criticadas prequelas e vemos que afinal não eram assim tão más, acredito que no futuro, vamos olhar para este The Last Jedi e vamos ver um dos melhores três filmes do canon das nove aventuras espaciais. Conseguiu ser diferente e surpreender, fazendo-me falhar todas as teorias que tinha na minha cabeça. E é por isso que, mesmo não estando perante um filme perfeito, tenho que premiar o trabalho de Rian Johnson com nota máxima.

Está passado o testemunho de novo a J.J. Abrams para fechar a nova trilogia em 2019.

Ainda falta muito? E agora?… Ainda falta muito?

 

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