Volta J.J. Abrams, estás perdoado.

Fui assistir a “The Last Jedi” e saí arrasado. Não me sentia assim desde que a Seleção Brasileira levou sete a um da Alemanha. Com uma diferença cruel: há zilhões de pessoas, gente bem instruída e bem formada, a achar que todos os auto-golos do Rian Johnson são lindos, maravilhosos, uma revolução na história do cinema.

Malta, não são.

“O Último Jedi”, como bem disse o Daily Wire, é uma espécie de Kylo Ren: alguém com um enorme poder, um legado gigantesco às costas mas que decidiu tomar todas as decisões erradas. Todas. O George Lucas deve estar a nadar na sua caixa forte a dar risada. “Falaram mal do Jar Jar Binks e agora batem palmas para os Porgs” – ou como quer que se chamem aquele irritantes bichinhos da ilha do Luke.

Antes que o André Simões e todos os Ewoks fofinhos que adoraram o filme fiquem nervosinhos, ficam aqui sete perguntas. Respondam, se faz favor e, se der, continuamos amigos na mesma.

1) Como assim “The Last Jedi” é inovador? O filme não passa de uma refilmagem de “The Empire Strikes Back” – Jovem Jedi vai para lugar ermo treinar com mestre Jedi relutante que dá o aviso: “Cuidado que o Lado Negro vai te pegar”. Jovem Jedi responde “Na boa, que eu tô ligado”.  E vai tentar trazer para a luz o vilão do filme. E se dá mal. Durante isso os Rebeldes fogem enquanto uma equipa se mete numa missão que não vai dar em nada. Rebeldes fogem para planeta de gelo, são destruídos pelo Império, enquanto jovem Jedi mostra todo o seu poder e o velho mestre Jedi relutante morre.

Viram? Tudo igual? Só que mal feito.

2) O que é aquela conversa da treta entre o Kylo Ren e Rey? Se eu quisesse levar com duas horas e meia de adolescentes a falar mal dos pais teria ficado em casa onde tenho isso todos os dias.

3) De todas as sequências sem pé nem cabeça da história do cinema, a sequência do casino intergaláctico entra logo para o top. Ou como disse a minha filha Gabi em pleno cinema – “Pai, isso nunca mais acaba?”

4) Ai, o filme é revolucionário … ai isso, ai aquilo … e novamente temos a Estrela da Morte (agora em versão portátil) a atacar a base rebelde. Sério?

5) Ai, o Star Destroyer não consegue alcançar a frota rebelde por isso vamos assim, atrás deles, bem despacito, a mandar uns tiros pro ar pra ver se pega? Sério?

6) A Princesa Leia levita no espaço como a Mary Poppins. Sério?

Guardei o pior para o fim:

7) O Luke Skywalker passou três filmes a dizer para toda a gente que o Darth Vader, o pior vilão da galáxia, tinha salvação. “Calma, não desistam dele! Tenham esperança” dizia o Luke. Bastaram cinco minutos de clarividência para que o mesmo personagem chegasse a duas conclusões: a) Ben Solo, o meu sobrinho e filho do meu melhor amigo tem um evil side. b)  Vou matar o meu sobrinho e filho do meu melhor amigo.

Sério, se o Luke Skywalker é este canalha intergaláctico, por favor, onde é que eu assino para ficar do lado do Império?

Pior é que nem posso torcer pelos maus, porque “O Último Jedi” tem dois dos piores  vilões da história – o Líder Supremo Snoke que fica contando vantagem “Eu sei o que tu pensas, Kylo Ren, seu puto!” e morre sem nem saber bem o porquê. E o próprio Kylo Ren, a rainha das histéricas, que passa o filme dando mais gritinhos e saltinhos do que uma peixeira do Mercado da Ribeira.

Agora me digam como gostar de um filme assim?

O pior é que vou continuar a acreditar na Força. Como o miúdo escravo no final foleiro do filme, vou varrer este filme pra debaixo do tapete e esperar que o próximo seja melhor.

Volta J.J. Abrams, estás perdoado.

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