Viagem aos bastidores da 2ª Guerra Mundial.

 

Título Português: A Hora Mais Negra (EUA, UK – 2017)
Realizador: Joe Wright
Argumento: Anthony McCarten
Protagonistas: Gary Oldman, Lily James, Kristin Scott Thomas

Nomeações: 6 (Melhor Filme, Melhor Ator Principal, Melhor Fotografia, Melhor Design de Produção, Melhor Guarda-Roupa, Melhor Maquilhagem)

O que temos aqui é um filme que tem um pouco de tudo para ser bem sucedido. Uma grande personagem (Winston Churchill), uma grande história (a sua ascensão ao poder e as decisões que tomou no crescendo de tensão da 2ª Guerra Mundial) e um ator titânico para carregar nas costas o peso do filme (Gary Oldman, tão camaleónico e carismático em cena como sempre). E, no entanto, “Darkest Hour” acaba por ficar levemente aquém das expectativas pela mesmas e previsíveis razões de sempre: as exigências quase mecânicas de um biopic “para Óscar”.

Vamos voltar atrás e destacar o que resulta melhor nesta obra. Qualquer conversa neste sentido começa e acaba, inevitavelmente, com a fenomenal performance de Gary Oldman no centro deste filme. E desengane-se quem pense que este desempenho é apenas um triunfo técnico de aplicação de maquilhagem ou um mero exercício de cópia de pequenos tiques físicos e verbais.

Não, o que Oldman faz aqui é uma completa encarnação do espírito implacável de Churchill, sem nunca esquecer o seu lado profundamente humano e imperfeito. O “seu” Churchill é um homem complexo, simultaneamente resoluto e inseguro, confiante na necessidade do Reino Unido assumir de frente o confronto com Hitler e o ascendente império Nazi mas duvidoso sobre a sua capacidade para combater a hesitação e medo que imperam no seio do Parlamento inglês. É o papel de uma vida e está encaminhado para se tornar na coroação de uma carreira há muito respeitada entre os grandes de Hollywood.

A seu lado, está uma mão cheia de fortes performances, com destaque para Lily James, como uma assistente com uma força interior que transcende a sua relativa inexperiência para o cargo, Kristin Scott Thomas, como a imprevisível e carismática Clemmie Churchill, e Ben Mendelsohn, com um desempenho de doce subtileza como o Rei George VI.

Onde o filme fica aquém, retirando-o do panteão dos filmes que ficam verdadeiramente para a história, é na execução à volta das suas fortes interpretações. Acima de tudo, “Darkest Hour” é, a espaços, um filme relativamente banal, sem rasgo. Um biopic que pouco faz para se soltar das amarras do seu género. Pleno de precisão mas escasso de ambição artística. Dá para ver, aqui e ali, o dedo artístico do realizador Joe Wright, conhecido pelas suas tiradas de arrojo visual. Mas tudo acaba por saber levemente a pouco.

Que fique bem claro. Este é um bom filme. Uma montra bonita para deixar brilhar o talento dos seus intérpretes, com destaque para a estrela cadente do talento de Gary Oldman a rasgar pela monotonia no seu centro. Fica apenas a sensação que, com um pouco mais de coragem e um pouco menos de subserviência à página da História à qual procura dar vida, poderíamos ter tido aqui um grande filme. O que sobra é, apenas, bom.

 

separador_trailer

Facebook Comments

Leave a comment