Os Óscares por trás das luzes da ribalta

Um olhar aos prémios mais “técnicos” entregues pela Academia.

 

Na semana antes dos Óscares serem entregues, irei dar as minhas opiniões e previsões nas categorias “principais”, de Melhor Filme aos prémios dos argumentistas. Isso não quer dizer, no entanto, que não haja espaço no “Na Rota dos Óscares” para um olhar ao trabalho essencial dos técnicos atrás das câmaras que ajudam a criar magia do Cinema sem grandes ambições de estrelato. Vamos fazer um ponto de situação de como está a corrida ao Óscar nas categorias mais técnicas galardoadas pela Academia.

Na categoria de Melhor Fotografia, os maiores holofotes estão voltados para Roger Deakins. O lendário cinematógrafo recebeu a 14ª nomeação ao Óscar pelo seu trabalho em “Blade Runner 2049” e muitos estão na expetativa se será desta vez, finalmente, que irá levar para casa a estatueta. A sua maior competição deverá surgir de Dan Laustsen, de “The Shape of Water”, dado que o filme de Guillermo Del Toro é o favorito para Melhor Filme e Melhor Realizador – e estas três categorias tendem a ter alguma correlação. De destacar também Rachel Morrison, de “Mudbound”, a primeira mulher a receber uma nomeação nesta categoria.

“Dunkirk” e “I, Tonya” saíram vencedores nos prémios do sindicato dos editores, dando alguma indicação de para onde se poderão orientar os votos na grande noite, mas deve ser dito que há um claro favorito para Melhor Edição. Pela própria natureza do filme, “Dunkirk” está na liderança, não só porque grande parte do sucesso do filme reside na sua imaculada edição, mas também porque tem um trabalho mais “visível” ao comum votante – é importante não esquecer que todos os membros da Academia votam neste prémio.

O prémio de Melhor Design de Produção é um dos mais complicados de antecipar, dado que os prémios do sindicato dividem-se em várias categorias, tornando as águas um pouco mais turvas. Um dos galardoados pelo sindicato foi “Logan”, que não foi sequer nomeado aos Óscares. Assim sendo, a grande luta deverá ser entre “The Shape of Water” e “Blade Runner 2049”. Se o filme de Del Toro sair vencedor nesta categoria, poderá ser um sinal das intenções da Academia para o grande prémio, dando-lhe mais relevância ainda que o costume.

Por outro lado, no Óscar de Melhor Guarda-Roupa, o vencedor tende a não ter especial correlação com os prémios “maiores”. Aqui, estarei de olho em Jacqueline Durran, que aparece nomeada com dois filmes: “Beauty and the Beast” e “Darkest Hour”. Apesar de “Beauty and the Beast” estar, à partida, na liderança entre estes dois, será curioso ver se poderá ser “Darkest Hour” a ganhar, dado que este tem outro prémio essencialmente garantido, em Melhor Maquilhagem. O grande favorito para Guarda-Roupa, no entanto, é mesmo Mark Bridges, pelo seu trabalho incrível em “Phantom Thread”.

Os prémios para efeitos visuais nem sempre são fáceis de antecipar, dado que a opinião dos peritos na área nem sempre está em linha com o votante “normal”, mas alguns favoritos começam-se a desenhar. A lista de nomeados este ano está especialmente forte, com filmes que receberam não apenas sucesso comercial mas também elogios das críticas. Entre estes, a batalha deverá ser entre “Blade Runner 2049” e “War for the Planet of the Apes”, o concluir de uma trilogia que recebeu nomeações ao Óscar nos seus dois primeiros filmes.

Por fim, nas categorias de som – tanto Melhor Edição de Som como Melhor Mistura de Som – o claro favorito é, novamente, “Dunkirk”. Mais que apenas ser muito bem executado – que é –, a manipulação de som é crucial para criar o ambiente de tensão que torna o filme de Christopher Nolan uma experiência tão imersiva. Numa noite de tanta variedade nos prémios “principais”, é curioso ver como tantos destes estão também na batalha nas categorias mais técnicas.

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