A grande incógnita por cima de tantas certezas: Previsões oficiais dos Óscares de 2018

Quem adormecer antes do fim estará a perder o melhor.

 

 

Se no ano passado eu tinha muitas dúvidas numa série de categorias exceptuando o Melhor Filme (que achei que estava entregue a “La La Land”, para mal da minha credibilidade nestas aventuras), nesta edição dos Óscares estou virado do avesso. Há vários prémios que eu considero estarem essencialmente entregues, mas a maior incógnita da noite está mesmo no grande prémio final.

Será que os votantes da Academia se deixaram encantar pelo bizarro mundo de fantasia criado por Guillermo del Toro? Serão seduzidos pelas provocações arrojadas do dramaturgo (tornado realizador) Martin McDonagh? Ou irão destruir todas as convenções e dar a estatueta mais cobiçada a um filme de terror de um realizador negro no seu filme de estreia, Jordan Peele?

Quase me apeteceu acenar a bandeira branca e desistir, mas não tenho como resistir a um desafio destes. Sem mais demoras, aqui seguem as minhas previsões:

 

Melhor Filme

“Call Me by Your Name”

“Darkest Hour”

“Dunkirk”

“Get Out”

“Lady Bird”

“Phantom Thread”

“The Post”

“The Shape of Water”

“Three Billboards Outside Ebbing, Missouri” – Se há ano em que faz sentido ficar a ver a cerimónia até ao fim, será este – e não apenas por causa do caos que aconteceu o ano passado. Após a vitória no sindicato dos produtores – excelente a prever o grande prémio – seria expectável considerar “The Shape of Water” o grande favorito. E, francamente, é essa a opinião de muitos dos peritos. Mas eu não estou completamente convencido. Com cada vez mais atores e atrizes jovens a entrarem na Academia, o valor dos produtores como decisores do Melhor Filme tem vindo a descer. Adicionalmente, nos eventos em que tem havido vencedores nesta categoria que não coincidem com a escolha dos produtores, têm sido muitas vezes os que venceram no prémio de Melhor Elenco no sindicato dos atores. O vencedor este ano foi… “Three Billboards”. Há quem ache ainda que “Get Out” pode surpreender tudo e todos com uma vitória, por isso este prémio está bastante em aberto. Ainda assim, o meu “voto” vai para o inesquecível e provocador filme de Martin McDonagh.

 

Melhor Realizador

“Dunkirk,” Christopher Nolan

“Get Out,” Jordan Peele

“Lady Bird,” Greta Gerwig

“Phantom Thread,” Paul Thomas Anderson

“The Shape of Water,” Guillermo del Toro – A mestria técnica de Christopher Nolan pode ainda seduzir a Academia. Se “Get Out” fizer uma caminhada improvável para o topo, Jordan Peele pode muito bem ser distinguido aqui também. Mas não acho que vá acontecer. Na minha opinião, a Academia vai voltar a dividir os prémios entre os principais favoritos e distinguir Guillermo del Toro pelo modo como criou a sua visão cheia de deliciosas bizarrias. A distinção junto do sindicato dos realizadores só ajuda ao claro favoritismo do mexicano.

 

Melhor Ator Principal

Timothée Chalamet, “Call Me by Your Name”

Daniel Day-Lewis, “Phantom Thread”

Daniel Kaluuya, “Get Out”

Gary Oldman, “Darkest Hour” – Este ano, as categorias de atores estão basicamente definidas. Só uma grande surpresa poderá quebrar esta tendência. Aqui, o principal candidato a “estragar” as previsões será Timothée Chalamet – e seria uma reviravolta interessante – mas é muito pouco provável que aconteça. Gary Oldman é um veterano muito respeitado, nunca ganhou um Óscar, encarnou uma figura histórica, transfigurou-se para o fazer e ganhou todos os grandes prémios antes dos Óscares. Esta estatueta está mais que entregue.

Denzel Washington, “Roman J. Israel, Esq.”

 

Melhor Atriz Principal

Sally Hawkins, “The Shape of Water”

Frances McDormand, “Three Billboards Outside Ebbing, Missouri” – De todos os vencedores e vencedoras antecipadas, nenhuma pode ter mais confiança para preparar o seu discurso que Frances McDormand. A concorrência é forte – francamente, num ano normal, todas teriam perfis muito fortes para vencer – mas McDormand tem vencido tudo na sua caminhada para os Óscares. E, no clima em que vivemos, um filme sobre uma mulher forte que reage com uma força imparável perante a violência que a rodeia não podia ser mais pertinente e atual.

Margot Robbie, “I, Tonya”

Saoirse Ronan, “Lady Bird”

Meryl Streep, “The Post”

 

Melhor Ator Secundário

Willem Dafoe, “The Florida Project”

Woody Harrelson, “Three Billboards Outside Ebbing, Missouri”

Richard Jenkins, “The Shape of Water”

Christopher Plummer, “All the Money in the World”

Sam Rockwell, “Three Billboards Outside Ebbing, Missouri” – O papel de Sam Rockwell em “Three Billboards” é controverso, imprevisível, potencialmente polarizador. O tipo de papel que normalmente é nomeado mas não ganha. Em teoria, o favoritismo estaria do lado de um papel mais “seguro”, como o trabalho excelente de Willem Dafoe em “The Florida Project”. Mas Rockwell é adorado junto dos seus colegas, e a consistência das suas vitórias “pré-Óscares” indica que o seu memorável desempenho vai trazer-lhe o primeiro Óscar da carreira.

 

Melhor Atriz Secundária

Mary J. Blige, “Mudbound”

Allison Janney, “I, Tonya” – Para terminarmos o nosso passeio pela galeria dos prémios sem grande possibilidade de surpresas, temos a coroação de Allison Janney, uma veterana respeitadíssima do pequeno ecrã que dá aqui uma performance icónica e que tem a estatueta dourada essencialmente no bolso. A acontecer um “twist” nesta categoria – algo do qual eu duvido muito – será provavelmente com Laurie Metcalf, outra veterana à qual muitos dos votantes não se importariam de entregar um prémio. Ainda assim, não contem com isso.

Lesley Manville, “Phantom Thread”

Laurie Metcalf, “Lady Bird”

Octavia Spencer, “The Shape of Water”

 

Melhor Argumento Adaptado

“Call Me by Your Name,” James Ivory – Com 89 anos, o lendário produtor e argumentista é (juntamente com Agnès Varda, também nomeada este ano) o mais velho nomeado da História  dos Óscares – e o claro favorito nesta categoria. Se juntarmos a vitória de James Ivory junto do sindicato dos argumentistas com o facto de esta ser a sua 4ª nomeação (as três primeiras como realizador) e nunca ter ganho, podemos dizer, com alguma confiança, que os votantes não irão perder a oportunidade para celebrar uma das mais distintas carreiras da Sétima Arte.

“The Disaster Artist,” Scott Neustadter & Michael H. Weber

“Logan,” Scott Frank & James Mangold and Michael Green

“Molly’s Game,” Aaron Sorkin

“Mudbound,” Virgil Williams and Dee Rees

 

Melhor Argumento Original

“The Big Sick,” Emily V. Gordon & Kumail Nanjiani

“Get Out,” Jordan Peele – Este é, em conjunto com Melhor Filme, um dos prémios mais difíceis de prever destes Óscares. O favorito inicial era “Three Billboards”, mas Jordan Peele tem ganho cada vez mais força com a proximidade da cerimónia – e a sua vitória junto do sindicato dos argumentistas atesta dessa tendência. Apesar de ainda sentir que Martin McDonagh é um concorrente de peso, há uma apreciação geral, junto dos votantes mais jovens da Academia, por “Get Out” – e esta será a categoria mais “fácil” para premiarem o êxito de terror.

“Lady Bird,” Greta Gerwig

“The Shape of Water,” Guillermo del Toro, Vanessa Taylor

“Three Billboards Outside Ebbing, Missouri,” Martin McDonagh

 

Melhor Fotografia

“Blade Runner 2049,” Roger Deakins

“Darkest Hour,” Bruno Delbonnel

“Dunkirk,” Hoyte van Hoytema

“Mudbound,” Rachel Morrison

“The Shape of Water,” Dan Laustsen

 

Melhor Filme de Animação

“The Boss Baby,” Tom McGrath, Ramsey Ann Naito

“The Breadwinner,” Nora Twomey, Anthony Leo

“Coco,” Lee Unkrich, Darla K. Anderson

“Ferdinand,” Carlos Saldanha

“Loving Vincent,” Dorota Kobiela, Hugh Welchman, Sean Bobbitt, Ivan Mactaggart, Hugh Welchman

 

Melhor Filme Estrangeiro

“A Fantastic Woman” (Chile)

“The Insult” (Lebanon)

“Loveless” (Russia)

“On Body and Soul (Hungary)

“The Square” (Sweden)

 

Melhor Documentário

“Abacus: Small Enough to Jail,” Steve James, Mark Mitten, Julie Goldman

“Faces Places,” JR, Agnès Varda, Rosalie Varda

“Icarus,” Bryan Fogel, Dan Cogan

“Last Men in Aleppo,” Feras Fayyad, Kareem Abeed, Soren Steen Jepersen

“Strong Island,” Yance Ford, Joslyn Barnes

 

Melhor Montagem

“Baby Driver,” Jonathan Amos, Paul Machliss

“Dunkirk,” Lee Smith

“I, Tonya,” Tatiana S. Riegel

“The Shape of Water,” Sidney Wolinsky

“Three Billboards Outside Ebbing, Missouri,” Jon Gregory

 

Melhor Direção Artística

“Beauty and the Beast,” Sarah Greenwood; Katie Spencer

“Blade Runner 2049,” Dennis Gassner, Alessandra Querzola

“Darkest Hour,” Sarah Greenwood, Katie Spencer

“Dunkirk,” Nathan Crowley, Gary Fettis

“The Shape of Water,” Paul D. Austerberry, Jeffrey A. Melvin, Shane Vieau

 

Melhor Guarda-Roupa

“Beauty and the Beast,” Jacqueline Durran

“Darkest Hour,” Jacqueline Durran

“Phantom Thread,” Mark Bridges

“The Shape of Water,” Luis Sequeira

“Victoria and Abdul,” Consolata Boyle

 

Melhor Banda Sonora Original

“Dunkirk,” Hans Zimmer

“Phantom Thread,” Jonny Greenwood

“The Shape of Water,” Alexandre Desplat

“Star Wars: The Last Jedi,” John Williams

“Three Billboards Outside Ebbing, Missouri,” Carter Burwell

 

Melhor Música Original

“Mighty River” from “Mudbound,” Mary J. Blige

“Mystery of Love” from “Call Me by Your Name,” Sufjan Stevens

“Remember Me” from “Coco,” Kristen Anderson-Lopez, Robert Lopez

“Stand Up for Something” from “Marshall,” Diane Warren, Common

“This Is Me” from “The Greatest Showman,” Benj Pasek, Justin Paul

 

Melhor Caracterização

“Darkest Hour,” Kazuhiro Tsuji, David Malinowski, Lucy Sibbick

“Victoria and Abdul,” Daniel Phillips and Lou Sheppard

“Wonder,” Arjen Tuiten

 

Melhor Montagem de Som

“Baby Driver,” Julian Slater

“Blade Runner 2049,” Mark Mangini, Theo Green

“Dunkirk,” Alex Gibson, Richard King

“The Shape of Water,” Nathan Robitaille, Nelson Ferreira

“Star Wars: The Last Jedi,” Ren Klyce, Matthew Wood

 

Melhor Mistura de Som

“Baby Driver,” Mary H. Ellis, Julian Slater, Tim Cavagin

“Blade Runner 2049,” Mac Ruth, Ron Bartlett, Doug Hephill

“Dunkirk,” Mark Weingarten, Gregg Landaker, Gary A. Rizzo

“The Shape of Water,” Glen Gauthier, Christian Cooke, Brad Zoern

“Star Wars: The Last Jedi,” Stuart Wilson, Ren Klyce, David Parker, Michael Semanick

 

Melhores Efeitos Visuais

“Blade Runner 2049,” John Nelson, Paul Lambert, Richard R. Hoover, Gerd Nefzer

“Guardians of the Galaxy Vol. 2,” Christopher Townsend, Guy Williams, Jonathan Fawkner, Dan Sudick

“Kong: Skull Island,” Stephen Rosenbaum, Jeff White, Scott Benza, Mike Meinardus

“Star Wars: The Last Jedi,”  Ben Morris, Mike Mulholland, Chris Corbould, Neal Scanlan

“War for the Planet of the Apes,” Joe Letteri, Dan Lemmon, Daniel Barrett, Joel Whist

 

Melhor Documentário, Curta-Metragem

“Edith+Eddie,” Laura Checkoway, Thomas Lee Wright

“Heaven is a Traffic Jam on the 405,” Frank Stiefel

“Heroin(e),” Elaine McMillion Sheldon, Kerrin Sheldon

“Knife Skills,” Thomas Lennon

“Traffic Stop,” Kate Davis, David Heilbroner

 

Melhor Curta-Metragem, Animação

“Dear Basketball,” Glen Keane, Kobe Bryant

“Garden Party,” Victor Caire, Gabriel Grapperon

“Lou,” Dave Mullins, Dana Murray

“Negative Space,” Max Porter, Ru Kuwahata

“Revolting Rhymes,” Jakob Schuh, Jan Lachauer

 

Melhor Curta-Metragem, Live Action

“DeKalb Elementary,” Reed Van Dyk

“The Eleven O’Clock,” Derin Seale, Josh Lawson

“My Nephew Emmett,” Kevin Wilson, Jr.

“The Silent Child,” Chris Overton, Rachel Shenton

“Watu Wote/All of Us,” Katja Benrath, Tobias Rosen

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