Como explicar o sucesso sem precedentes do Marvel Cinematic Universe.

 

“Avengers: Infinity War” tinha uma pressão enorme sobre os seus ombros. Mais do que apenas ser mais um capítulo bem sucedido no Marvel Cinematic Universe (MCU), tinha a obrigação de fechar um sem-número de pontas soltas e dar arranque à conclusão de uma das intrincadamente construídas sagas da História do Cinema. Coisa pouca.

E, mais insano ainda que a sua missão, foi a elegância com que a conseguiram cumprir. Ao longo de 2h30, que passam a velocidade supersónica, mais de 30 personagens de grande relevo no tecido integral da presença da Marvel no grande ecrã interagem umas com as outras, enquanto preparam um grande embate contra o aparentemente invencível Thanos. Estas interações, que poderiam ter sido incrivelmente forçadas e irrealistas, são executadas de forma sublime ao longo de todo o filme.

Mais do que apenas avaliar a qualidade deste filme (spoiler alert: é incrível), o sucesso de “Avengers: Infinity War” fez-me pensar, acima de tudo, em qual será a receita mágica para o sucesso sem precedentes do MCU. Existem várias razões para tal: desde a qualidade dos argumentos ao desenvolvimento das personagens, passando por uma capacidade de encenar épicas sequências de ação que nunca se tornam repetitivas ou confusas de acompanhar (toma notas, DC).

Mas um grande ponto acaba por sobressair: todos estes filmes da Marvel são, acima de tudo, um prodígio de confiança e execução de uma fórmula à qual quase nunca fogem. Apesar de concederem várias liberdades criativas ao rol impressionante de realizadores ao quais já entregaram as rédeas dos seus filmes, os vários capítulos acabam sempre por parecer partes de um todo, aumentando exponencialmente o nosso investimento emocional na multiplicidade de personagens e motivações que se cruzam nas suas intricadas narrativas.

E, no centro desta receita calibrada até à perfeição, está um ingrediente muito especial: o humor. Ao longo dos seus 19 filmes, os responsáveis pela saga Marvel nunca se esquecem que um generoso sentido de humor lhes permite fazer as suas obras voar em todas as direções sem nunca alienar os fãs. Um dos seus poucos tiros no pé, “The Incredible Hulk”, é exatamente aquele que menos espaço abre na sua trama para uma boa gargalhada. Até mesmo “Avengers: Infinity War”, com todos os seus contornos trágicos e (potencialmente) fatalistas, é pontuado com inúmeras piadas, momentos que nos fazem rir e nos baixam as defesas para as inevitáveis entradas a pés juntos emocionais que nos esperam ao virar da esquina.

A Marvel está aqui para durar, mesmo para além da conclusão dos acontecimentos traçados em “Infinity War”. Se nunca se esquecerem do ingrediente mágico que os tem propulsionado – e não vejo razão para que tal aconteça – este sucesso está aqui para durar.

 

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