Há coisas que deviam ficar no passado.

 

Título Original: Jurassic World: Fallen Kingdom (EUA – 2018)
Realizador: Juan Antonio Bayona
Argumento: Derek Connoly, Colin Trevorrow
Protagonistas: Christ Pratt, Bryce Dallas Howard, Rafe Spall

Depois de anos fora do circuito da grande tela, o retorno da franquia Jurassic Park, com o primeiro “Jurassic World”, foi maioritariamente positivo, mas não sem os seus percalços. Apesar de ter tido uma receção mista com as críticas, “Jurassic World” pareceu ter agradado os fãs, seja pela nostalgia dos antigos filmes, ou simplesmente por preencher um nicho. Não existem muitos filmes de grande orçamento que se foquem nos gigantes do passado, criaturas que sempre tiveram algo de fascinante, especialmente, mas não exclusivamente, no público mais jovem.

“Jurassic World: Fallen Kingdom” vem como a segunda parte de uma trilogia já planeada desde que o primeiro “Jurassic World” estava apenas em script, uma prática cada vez mais comum em Hollywood, quando se trata de filmes com alto orçamento. Com um trailer estendido que, ao que agora parece ser moda, conta essencialmente toda a história do filme e revela todas as surpresas para que o espectador saiba exatamente o que está assistindo, “Fallen Kingdom” tem uma premissa que beira o absurdo: Voltar para uma ilha onde centenas de pessoas morreram, enquanto um vulcão ativo pode destruí-la a qualquer momento, para resgatar os dinossauros e transportá-los em segurança para… Bem, talvez essa seja uma das poucas informações não fornecidas no trailer, então diremos apenas, outro lugar. Por motivos contritos, os dois protagonistas do primeiro “Jurassic World”, Owen e Claire, têm de voltar à ilha e oferecer-nos mais noventa minutos de um dos pares românticos menos dotados de química do cinema atual.

Sem entrar em mais detalhes, todo o script do filme assenta como um castelo de cartas numa série de decisões muito pouco lógicas, coincidências ou conveniências muito específicas que servem mesmo apenas para mover a trama. “Jurassic World: Fallen Kingdom” parece ser o tipo de situação em que o todo é menor que a soma das suas partes. Individualmente e isoladas de contexto, muitas das suas cenas talvez estejam entre as melhores de toda a saga. O contacto com os dinossauros nunca foi tão próximo. Mas o enredo que as conecta é frágil, e não se sustenta numa análise mais criteriosa. Além disso, existe um certo fator de repetição que parece completamente desnecessário dado as amplas opções criativas abertas pela história. Em cima disso, mais de cinquenta pequenos ‘acenos’ ao primeiro “Jurassic Park” começam a fazer tudo parecer um pouco repetitivo. Especialmente quando esses acenos ocupam, na segunda metade do filme, o que é o maior ponto positivo do filme até então, as suas set-pieces.

Outra decisão controversa na narrativa foi a ideia de representar dinossauros como os ‘bons’ ou ‘maus’ da fita, num estilo que cabe em filmes do passado, mas que, principalmente, não cabe na franquia do “Jurassic Park”. Dinossauros são animais, nem bons nem maus.

Mas, no final das contas, a maior fraqueza do “Fallen Kingdom” é ser um filme maioritariamente intermediário. Após um espetáculo pirotécnico com a explosão vulcânica no final do primeiro terço do filme, o filme perde energia. Tendo atingido um clímax prematuro, parece então apenas preocupado em fazer set up da terceira instância da trilogia, e os momentos que se seguem não são completamente sem mérito, mas levam a muito poucas resoluções satisfatórias. Não iria ao extremo de dizer que este filme deve ser evitado (como diria de qualquer filme dos “Transformers”), mas talvez seja melhor assisti-lo daqui a alguns anos, no conforto da sua casa, pelo seu serviço de streaming favorito, e como preparação para o terceiro (e último?) filme da franquia.

 

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