Eddie Vedder desencorajou Bradley Cooper a realizar “Assim Nasce Uma Estrela”. Mas ainda bem que ele não lhe deu ouvidos.

 

Título original: A Star Is Born (EUA – 2018)
Realizador: Bradley Cooper
Argumento: Eric Roth, Bradley Cooper
Actores: Lady Gaga, Bradley Cooper, Sam Elliott

Bradley Cooper estava a trabalhar no argumento de “Assim Nasce Uma Estrela” quando decidiu partir para Seattle e pedir ajuda a um peso pesado do rock norte-americano, Eddie Vedder. O vocalista dos Pearl Jam desencorajou-o a fazer o filme, um remake do clássico com Barbra Streisand e Kris Kristofferson, mas Bradley Cooper foi em frente com a realização daquele que, hoje, é um dos filmes mais falados do ano.

Bradley confessou, entretanto, que Eddie inspirou a sua personagem no filme (a estrela de rock Jackson Maine), e a verdade é que, mesmo que não o soubéssemos, a barba, os cabelos compridos, o olhar simples e sorriso humilde e tímido da personagem de Bradley Cooper grita “Eddie Vedder” por todos os poros. Era uma estrela rock vinda da América profunda que Bradley queria trazer para “Assim Nasceu uma Estrela” (como o filme original, de 1976), com a sua típica simplicidade e olhar de quem traz a dureza da vida naqueles lugares às costas, e foi através da mimetização da aparência e dos maneirismos de Eddie Vedder que o conseguiu. Há, também, muito das letras fortes e profundamente humanas de Pearl Jam nas músicas do filme – o que também contribui para construir a persona de Jackson Maine, um homem perdido, à procura de sentido numa vida de concertos e festas sem fim.

E é esta abordagem, verdadeiramente humana, que nos agarra desde os primeiros minutos do filme. Bradley Cooper quis trazer-nos para dentro do abismo de uma estrela em declínio (Jackson Maine) de forma nua e crua, como se de um documentário se tratasse. Por outro lado, também Lady Gaga interpreta a sua Ally, a empregada de cozinha de sonhos adiados, de modo simples e visceral, como se nos abrisse a porta para os seus segredos, inseguranças e medos mais profundos. É isso que tem vindo a apaixonar o público e a crítica de “Assim Nasce Uma Estrela”: a profundidade e entrega com que Lady Gaga e Bradley Cooper dão vida a uma história tão simples e já muitas vezes vista, mas com o tom de quem conta a sua história a um amigo num bar.

Lady Gaga evoca-nos Barbra Streisand, com a sua magistral presença em palco e voz – e claro, o nariz que, também no caso da diva dos anos 60 e 70, era apontado como ameaça ao seu futuro no mundo da música e afinal se tornou na sua imagem de marca. O nariz que, na personagem de Ally, era uma das suas principais inseguranças, e que Jackson, do alto da sua bondade e repentina paixão por aquela simples e genuína empregada de cozinha, ensinou Ally a amar, como a todos os seus defeitos – sem julgamentos ou juízos de valor, como aliás Bradley Cooper nos convida a ver e apreciar este filme.

“Assim Nasce Uma Estrela” é, assim, uma montanha-russa de emoções que nos atropelam e que nos deixam desconfortáveis bem depois do fim do filme, para nos lembrar que a imperfeição é, afinal, daquilo que somos todos feitos – e que de errar, ninguém pode fugir. Um tocante filme, com interpretações impressionantes, que certamente não irá escapar à mira dos Óscares de 2019.

a profundidade e entrega com que Lady Gaga e Bradley Cooper dão vida a uma história tão simples e já muitas vezes vista, mas com o tom de quem conta a sua história a um amigo num bar.

 

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