Regressar ao mundo mágico criado por J.K. Rowling é como voltar a casa.

 

Título original: Fantastic Beasts: The Crimes of Grindelwald (GBR, EUA – 2018)
Realizador: David Yates
Argumento: J.K. Rowling
Actores: Eddie Redmayne, Katherine Waterston, Dan Fogler

Quem cresceu a ler as aventuras de Harry Potter – como eu –, sabe que há mais para além das histórias dos sete livros da saga. Compreendendo que, para criar um mundo fantástico, verosímil e possível, é necessário que este tenha um passado e uma previsão de futuro, J.K. Rowling foi sempre deixando, pelos romances d'”O Rapaz que Sobreviveu”, referências a outros acontecimentos marcantes para a História dos feiticeiros. Assim, J.K. Rowling não encerrou o mundo mágico de Harry Potter no final da saga – pelo contrário, deixou sementes para muitas, muitas novas histórias.

É o caso do filme “Monstros Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald”, que chegou este ano aos cinemas. Esta nova aventura apresenta-se como a sequela de “Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los” (2016), o primeiro filme depois do fim da saga dos cinemas, “Harry Potter e os Talismãs da Morte: Parte 2”, em 2011. Mas esta sequela representa uma autêntica revolução para os fãs da saga. É que, se “Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los” ainda se baseava num pequeno (e quase passado despercebido) livro de J.K. Rowling, sobre as criaturas mágicas do mundo dos feiticeiros e um homem completamente fascinado por elas, “Monstros Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald” não tem qualquer livro de base. Podia ser completamente desvirtuado da ideia original, como com muitas sagas continuadas por nomes que não os seus criadores (veja-se o caso do último filme da saga Millenium, com crítica no nosso site) – mas, felizmente, J.K. Rowling é uma verdadeira mãe galinha da sua mais preciosa criação e encarregou-se ela própria do argumento do filme, para felicidade e alívio de todos os “Potterheads” do nosso mundo muggle. Talvez graças a isso, e ao realizador não ser outro que David Yates, o nome mais frequente na cadeira de realização dos filmes de Harry Potter, “Monstros Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald” regressa com o look & feel, a típica ação e emoção da saga do miúdo da cicatriz em forma de relâmpago.

A narrativa deste novo filme é bem construída, de emoção ascendente e, muitas vezes, de cortar a respiração, como J.K. Rowling nos habituou nos livros, e tão bem tem sido transposto para os filmes. Descobrimos versões mais jovens das personagens das aventuras de Harry Potter, como Albus Dumbledore (Jude Law), e neles é mantida a personalidade e características que marcaram as películas anteriores. Havia, entre os fãs da série, uma imensa curiosidade em conhecer um jovem Albus, especialmente depois de saber que o carismático Jude Law o iria interpretar – e acredito que o público não se pode sentir defraudado, já que o ator britânico consegue trazer para a sua versão de Albus até aquele brilhozinho nos olhos que Michael Gambon (o ator que interpretou Dumbledore na saga original) emprestava à sua personagem sempre que falava com o seu mais promissor aluno, Harry Potter. Neste filme, a menina dos olhos de Albus é, como não podia deixar de ser, o singular Newt Scamander, fã de criaturas mágicas que só lhe dão problemas.

O vilão desta história, que se passa antes da II Guerra Mundial e antes de Voldemort ou Harry Potter terem nascido, é Grindelwald (Johnny Depp, que dispensa apresentações), um fanático que sonha com o domínio dos feiticeiros sobre o mundo muggle. O paralelismo com o ditador que a nossa História viria a conhecer é inevitável – e a história constrói-se exatamente nesse sentido, lembrando-nos que, de tempos a tempos, surge um extremista que defende a superioridade de uma raça sobre as outras. Na nossa sociedade, já sabemos que o impacto destas figuras é sempre catastrófico, mas no mundo mágico ficamos sem saber – já que (tentando evitar os spoilers), o filme termina deixando antever que teremos mais “Monstros Fantásticos” nos cinemas nos próximos anos.

E é mesmo a desejar que o tempo passe depressa até ao próximo filme de “Monstros Fantásticos” que deixamos a sala de cinema depois de ver esta película, sabendo que, tal como no final de cada livro, J.K. Rowling fica a rir-se da quantidade de fãs que todas as noites deita a cabeça na almofada criando mil e um cenários e plot twists para a próxima aventura de Newt Scamander – “Potterheads” felizes porque, afinal, há mais para além do último “the end” do capítulo final de Harry Potter.

 

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