A tão aguardada adaptação ao pequeno ecrã de um dos mais recentes fenómenos da literatura contemporânea.

 

Título original: The Truth About the Harry Quebert Affair (EUA – 2018)
Criado por: Jean-Jacques Annaud
Argumento: Joël Dicker (adaptado do livro “The Truth About the Harry Quebert Affair”)
Actores: Patrick Dempsey, Ben Schnetzer, Kristine Froseth
Canal: AMC (PT) Epix (US)

Ouvi falar de Joël Dicker há dois anos. Uma “devoradora” de livros como eu confessava-se “viciada” nas suas obras – e desesperada porque, à data, o jovem (33 anos) escritor suíço só tinha lançado três livros (e ela já tinha lido todos). O entusiasmo dela convenceu-me e dediquei-me à leitura de “O Último Dia dos Nossos Pais”, o primeiro livro de Joël Dicker a que consegui deitar a mão. Descobri que os elogios às obras do escritor suíço, por quem me tinha aconselhado, eram mais que merecidos – eu também já estava viciada. Li então “A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert” e “O Livro dos Baltimore” num sopro (entretanto, saiu “O Desaparecimento de Stephanie Mailer”, este ano), perguntando-me como é que ainda ninguém se tinha lembrado de fazer um filme ou uma série a partir das brilhantes histórias de Joël Dicker. Afinal, soube recentemente que o autor recusou 95 propostas de adaptação de “A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert”, até ter finalmente concordado com a ideia de Jean-Jacques Annaud, o realizador à frente da série em exibição desde dia 2 de dezembro no canal AMC.

Joël Dicker foi sensato em esperar e não ceder os direitos do seu livro à primeira proposta de Hollywood: afinal, Jean-Jacques Annaud é o realizador de êxitos como “O Nome da Rosa” (1986), “O Amante” (1992) ou “Sete Anos no Tibete” (1997). Assim, este promissor escritor suíço, já com alguns prémios no currículo, pode ver a sua história adaptada por um dos grandes nomes do cinema contemporâneo – e que se aventura pela primeira vez na televisão. Um privilégio reservado a poucos.

A verdade é que a intensidade da obra de Joël Dicker se perderia se não fosse bem contada, por um realizador experiente em thrillers e romances pesados e desafiantes. A escolha pelo formato série também foi acertada – quem conhece a escrita de Joël Dicker sabe que vive de de suspense e de pormenores, e perdia tanto em detalhes como em emoção num filme. Assim, de episódio em episódio, vamos entrando na história e conhecendo as várias personagens que compõem este intrincado e viciante thriller. É a melhor forma de descobrir e de nos apaixonarmos por “A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert”.

A série, que é exibida todos os domingos às 22h10, no AMC, segue de forma fiel a ordem cronológica dos eventos do livro. Começamos por conhecer Marcus Goldman (interpretado por Ben Schnetzer), um jovem escritor a desfrutar os prazeres da fama, depois do êxito do seu primeiro livro. Mas, à medida que se aproxima o deadline para a entrega da sua segunda obra, para a qual lhe foi oferecido um contrato milionário, Marcus não tem nem uma linha escrita. É então que se lembra do seu professor e mentor Harry Quebert (Patrick Dempsey), um aclamado escritor que, há anos, trocou a frenética Nova Iorque por uma tranquila localidade à beira-mar no Maine, perto de onde dá aulas numa universidade. Marcus parte para o interior norte-americano esperando que a sua quietude lhe devolva a inspiração. Passa um tranquilo fim de semana com o professor e regressa a casa – ainda sem nenhuma obra-prima no bolso. De repente, Harry liga-lhe para lhe dizer que encontraram, no seu quintal, os restos mortais de uma rapariga, Nola Kellergan (Kristine Froseth), desaparecida há 33 anos. Harry é acusado de a ter morto e enterrado. O crime ganha novos contornos quando Marcus descobre que o seu ídolo terá vivido um amor proibido com a vítima, quando ele tinha 34 e a rapariga apenas 15. Mas Harry nega o crime e Marcus, que conhece o professor há 10 anos, acredita na sua inocência.

Esta é a intriga que nos é apresentada no primeiro episódio da série, que, respeitando as pausas dramáticas da escrita de Joël Dicker, acaba em cliffhanger. A produção da AMC tem 10 episódios e, após assistir aos quatro que foram exibidos até à data, o balanço é positivo. Tal como no livro, é com o coração nas mãos que assistimos ao desenrolar da história – e ao desespero de Marcus, quando tudo aponta para a culpa de Harry Quebert.

Como no livro, a série leva-nos por analepses a conhecer o romance entre Harry e Nola. Tanto na versão jovem como mais velha de Harry, Patrick Dempsey interpreta de forma competente o escritor, primeiro feliz e apaixonado, e depois caído em desgraça, de semblante perdido e, de súbito, num novo luto pelo seu amor. Kristine Froseth é também a Nola que os leitores de Joël Dicker imaginaram: inocente, apaixonada pela vida, com uma alegria que a todos contagia. A química entre Patrick e Kristine é palpável – como era suposto.

Assim, as expectativas em relação a esta série – à qual temos de assistir “à maneira antiga”, semanalmente –, não podiam estar mais elevadas. As boas notícias é que, para o dia 25 de dezembro, o canal AMC promete uma maratona dos cinco primeiros episódios da série – o que, para os fãs de Joël Dicker, não podia ser melhor presente de Natal.

 

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