O mundo necessita de um herói, outra vez… Who you gonna call? Fish-boy!

 

Título original: Aquaman (USA – 2018)
Realizador: James Wan
Argumento: David Leslie Johnson-McGoldrick, Will Beall
Actores: Jason Mamoa, Amber Heard, Willem Dafoe

De criança queria ser muitas coisas e cada vez que jogávamos ao “o que queres ser quando fores grande”, as respostas eram várias: bailarina, Indiana Jones, bibliotecária, Macgyver, Lois Lane ou correr ao lado de Mitch Buchannon em câmara lenta. Mas quando o jogo era “se pudesses escolher um super poder” já a resposta era constante: respirar debaixo d’água e poder falar com os peixinhos, como a Menina do Mar de Sophia de Mello Breyner Andresen ou a Pequena Sereia do autor curiosamente de apelido parecido, Hans Christian Andersen, mas a versão menos dramática da Disney, claro. Foi então com entusiasmo que abracei os primeiros trailers deste herói subaquático. Porém o filme, propriamente dito, deixou um pouco a desejar.

Depois dos acontecimentos do filme de 2017, Justice League, volta Arthur Curry (Jason Momoa) à sua vida de comum mortal by day e herói dos mares by night. Temos um vislumbre da história dos seus pais, o simples faroleiro Tom Curry (Temuera Morrison) e a rainha Atlanna (Nicole Kidman) e uma curta backstory de como veio a descobrir os seus poderes em criança.

O vilão toma forma no seu meio-irmão, o King Orm (Patrick Wilson) que planeja comandar um exército dos sete mares contra o mundo da superfície. O Reino da Atlântida está cansado de como tratam os oceanos e o astuto rei decide usar isso a seu favor, com o verdadeiro intuito de se tornar Ocean Master.

A injeção de um mau-da-fita secundário, o Black Manta (Yahya Abdul-Mateen II), considero como um bónus para os fãs da DC, já que a fatiota é 100% fiel aos comics, mas irrelevante para a trama. Os seus atos parecem mais próprios de um spin off do Aquaman e se calhar merecia um filme à parte. O pirata desaparece da história tão confusamente como entrou.

O filme está recheado de pontas soltas e uns quantos plot-holes que são difíceis de ignorar. As personagens principais são tão fantasiosas e praticamente invencíveis que não nos estimulam a parte emocional do cérebro. Nem com dinossauros do mundo cinematográfico como William Dafoe ou mesmo Nicole Kidman. Perde a atriz o seu encanto original com tanta caracterização e se havia alguma dúvida antes… Nicole Kidman não combina com filmes de ação. Jason Momoa, com o seu charme de brutamontes que resolve tudo à pancada, abraça o cliché de herói viril  e proporciona-nos um bom ratio de momentos shirtless e man-buns. É contrastado pela feminilidade graciosa da sua companheira e princesa estilo Disney, Mera (Amber Heard), que neste filme nos dá uma prestação quase robótica…

O enredo fraquinho é salvo por épicas batalhas de CGI, com destaque para as belas cidades inundadas e animais marinhos formidáveis, sem esquecer a melhor versão de monstro gigante das profundezas que alguma vez vi: Karathen (a quem Julie Andrews, curiosamente, dá voz). Mas apesar de tudo fica a recomendação para quem aprecia esvaziar um bom balde de pipocas e esquecer as monotonias do seu dia-a-dia por pouco mais de duas horas.

 

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