Uma história clássica de ascensão ao estrelato.

 

Título Português: Assim Nasce Uma Estrela (EUA – 2018)
Realizador: Bradley Cooper
Argumento: Eric Roth, Bradley Cooper, Will Fetters
Protagonistas: Lady Gaga, Bradley Cooper, Sam Elliott

Nomeações: 8 (Melhor Filme, Melhor Ator Principal, Melhor Atriz Principal, Melhor Ator Secundário, Melhor Argumento Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Canção Original, Melhor Mistura de Som)

Este projeto tinha tudo para correr mal. Este é um filme que começou como uma missão pessoal de um ator, que decidiu estrear-se como realizador para fazer a quarta versão de um clássico de Hollywood com uma cantora relativamente inexperiente no papel principal. E, no entanto, “A Star Is Born” é um dos filmes do ano e um sério candidato aos principais Óscares.

Talvez não surpreendentemente para um filme realizado por um ator, é exatamente no elenco que encontramos os principais pontos fortes desta obra. Bradley Cooper encarna um músico talentoso mas perdido, em constante luta com os seus demónios, numa interpretação contida mas poderosa. Igualmente forte é a prestação de Sam Elliott, no papel do seu irmão, um homem forte e inegavelmente “macho”, mas que esconde mágoa profunda atrás dos olhos pela sua incapacidade de ajudar o irmão. Por fim, temos Lady Gaga, que não só é convincente como cantora (claro), mas também revela uma habilidade inesperada para imbuir a sua Ally de uma fusão interessante de força interna e intensa vulnerabilidade que nos coloca imediatamente do seu lado nesta história de ascensão à glória e à fama.

Num filme em que a música é tão importante, é essencial que a mesma esteja ao nível da qualidade dramática da história. Felizmente, até nisso “A Star Is Born” acerta em cheio. “Shallow” tem o Óscar praticamente entregue e todas as restantes canções, principalmente as de Jackson Maine, são simplesmente fantásticas e impecavelmente interpretadas por Bradley Cooper, que revela não só uma óptima voz mas também uma surpreendente habilidade com uma guitarra nas mãos.

Numa história tão clássica – e recheada de potencial para o melodrama – a mais agradável surpresa de “A Star Is Born” é a sua contenção. A belíssima fotografia de Matthew Libatique navega entre momentos épicos de floreados musicais e cenas subtis de interação pessoal com uma leveza que nos deixa sempre presos à narrativa.

Este é um filme à antiga. Uma história clássica de superação pessoal e de criação de ícones, injetada com uma veia de traumas do passado a colocar obstáculos no caminho dos nossos protagonistas. É um conto de criação, da queda e ascensão de estrelas nas constelações do sucesso. Talvez por isso seja tão impressionante que se revele também uma das viagens mais intimistas desta temporada dos Óscares.

 

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