Veteranos da indústria mostram o significado da rebeldia.

 

The Ballad Of Buster Scruggs

Título Português: A Balada de Buster Scruggs (EUA – 2018)
Realizador: Ethan Coen, Joel Coen
Argumento: Joel Coen, Ethan Coen
Protagonistas: Tim Blake Nelson, James Franco, Zoe Kazan

Nomeações: 3 (Melhor Argumento Adaptado, Melhor Canção Original, Melhor Guarda-Roupa)

Um cowboy com voz de rouxinol e dedo rápido no gatilho. Um assaltante de bancos muito azarado. Um artista ambulante com uma vida trágica. Um homem determinado a conquistar o seu filão de ouro. Uma história de amor a nascer entre a desolação das planícies americanas. E um grupo de pessoas a refletir sobre a vida e morte numa carruagem a rasgar pela noite dentro. Este conjunto eclético de histórias e personagens formam “The Ballad Of Buster Scruggs”, o novo filme dos Irmãos Coen, uma antologia de histórias fundadas na mitologia peculiar da nostalgia do Velho Oeste. Em muitos aspetos, este filme tem tudo o que normalmente adoramos nos filmes dos Coen: diálogos irresistíveis, reviravoltas inesperadas e uma mistura imprevisível entre comédia negra como breu e momentos da mais profunda melancolia e tristeza. Adicionalmente, a fotografia de Bruno Delbonnel é de cortar a respiração. No entanto, talvez por virtude de ser uma coleção de contos e não uma história contínua, “The Ballad Of Buster Scruggs” acaba por ser uma montanha-russa – de emoções, sim, mas também de ritmo e qualidade. Os seus melhores momentos são irresistíveis mas também tende, em alguns momentos, a arrastar-se, devido aos seus inconstantes ritmos narrativos. Se é um marco memorável na filmografia dos Coen? Não necessariamente. Mas é um conjunto de histórias, e poucos as sabem contar melhor que o absurdamente talentoso duo de irmãos.

 

Classificação: ⭐⭐⭐⭐ (4,0 Estrelas)

 

First Reformed

Título Português: No Coração da Escuridão (EUA, UK, AUS – 2018)
Realizador: Paul Schrader
Argumento: Paul Schrader
Protagonistas: Ethan Hawke, Amanda Seyfried, Cedric The Entertainer

Nomeações: 1 (Melhor Argumento Original)

Um pároco de uma pequena congregação religiosa tenta lidar com os problemas da sua comunidade, ao mesmo tempo que luta com traumas do seu próprio passado. Esta é uma sinopse que não nos diria que estaremos perante um filme especialmente original, até vermos que estamos nas mãos do eternamente rebelde Paul Schrader. O veterano argumentista constrói aqui uma história que parte de uma premissa simples mas que se desdobra em profundas reflexões sobre fé, depressão e até as implicações sociopolíticas da luta pelo meio ambiente. No centro de todas estas questões está uma performance titânica de Ethan Hawke como o reverendo Ernst Toller, um homem que tenta consolar a tristeza de outros e esconder a sua incapacidade de lidar com os próprios demónios. É uma performance carregada de subtilezas e silêncios, pontuada com momentos de reflexão filosófica direta, na forma da narração dos pensamentos que vai transcrevendo num diário. “First Reformed” é um filme bastante bom, que só é melhor devido a sérios problemas de ritmo. Não tanto por ser muito lento ou muito rápido, mas por ser um pouco incoerente. Sem revelar exatamente o que se passa, a narrativa dá guinadas perto do fim que retiram a força dos momentos mais pausados do início da história. Paul Schrader é elogiado (justamente) por imbuir os seus argumentos tanto de substância como de pura imprevisibilidade. É isso que acontece aqui também, mas de uma forma um pouco desconexa que, ao invés de desafiar as minhas expectativas, simplesmente me retirou da história.

Classificação: ⭐⭐⭐⭐ (4,0 Estrelas)

 

 

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