Keira Knightley num filme de época. O típico, tal como a história do filme.

 

Título original: Colette (UK, EUA – 2018)
Realizador: Wash Westmoreland
Argumento: Richard Glatzer, Wash Westmoreland, Rebecca Lenkiewicz
Actores: Keira Knightley, Fiona Shaw, Dominic West

Numa época de intensas discussões sobre o tema do feminismo, não podia deixar de vir à baila a figura de Sidonie Grabrielle Colette, uma ousada e polémica escritora francesa do início do século XX. É que Colette – como assinava – teve tudo menos uma vida pacífica, num tempo em que o talento no feminino não era reconhecido e vigorava uma mentalidade machista e castradora. Importa por isso falar de Colette e da sua luta pessoal e profissional – que continua a ser a luta com que muitas mulheres, nos dias de hoje, se debatem -, e é isso que este filme, “Colette”, nos traz.

É Keira Knightley que surge como Colette, em mais uma interpretação num filme de época – nada de novo na sua carreira, depois de a termos visto em “Orgulho e Preconceito”, “Expiação” e na saga de ação e aventuras “Piratas das Caraíbas”. A atriz britânica já provou que é capaz de nos levar em viagens ao passado como ninguém, mas chega a ser algo cansativo ter sempre Keira Knightley como a protagonista deste tipo de filmes. Há mais atrizes em Hollywood, certo? Talvez não se sintam tão confortáveis em corpetes como a eternamente elegante Keira, mas alguém tem de dizer às produtoras norte-americanas e britânicas que há mais carinhas bonitas e talentosas por aí. Questões de casting à parte, o desempenho de Keira é de facto muito competente. A atriz britânica consegue interpretar Colette em toda a sua complexidade, desde o seu lado mais doce e ingénuo ao feroz e determinado olhar que vai ganhando, ao longo da sua (nada fácil) vida. É essa transformação que acompanhamos no filme, que procura ser fiel à biografia da escritora francesa.

Quando Colette casa com um charmoso e carismático “empreendedor literário” – como o próprio se autodenomia -, Willy (Dominic West), ainda não tinha consciência do seu incrível talento para a escrita. É só mais tarde, quando o casal começa a ter problemas de dinheiro, que Colette tenta escrever para ajudar o marido, e o ganancioso empresário percebe que a mulher é uma mina de ouro. Convence-a, depois, que ninguém a levaria a sério se assinasse com o seu próprio nome, por ser mulher, e assume a autoria de uma série de livros inspirados na adolescência e juventude de Colette, e as suas aventuras na descoberta da sexualidade. As histórias de “Claudine”, o nome da protagonista dos livros, tornam-se rapidamente um sucesso em França, mas quem tem a fama e o proveito é Willy.

O filme faz-nos lembrar “Olhos Grandes” (2014), de Tim Burton, outra história verídica de um homem que rouba à mulher a autoria da sua arte – neste caso de incríveis quadros de mulheres, crianças e animais com olhos gigantes – mas “Colette” não consegue transmitir o mesmo fogo e intensidade, e torna-se um ensaio de algo já muito visto no cinema. A narrativa desenvolve-se sem grande suspense e força, num tema que merecia muito mais vida e emoção.

O filme, de Wash Westmoreland, realizador do fantástico “O Meu Nome é Alice” (2014), vale por recuperar uma história que merece ser contada, embora sem o fulgor que merecia.

 

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